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terça-feira, 31 de maio de 2011

Enem 2011

Enem 2011


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Erro de português: pobre tem que calar?!

LÍNGUA PORTUGUESA

Erro de português: pobre tem que calar?!

O que há por trás do livro criticado pela mídia global

Edwiges Zaccur

Quem ainda duvida de que o ato pedagógico é sempre um ato político, como ensinou Paulo Freire, tem uma prova cabal nesse episódio em que a mídia detonou um livro que se valeu de exemplos da variedade popular da nossa língua.
Desqualificar ou compreender a lógica do outro – eis a questão. Trata-se de uma discussão que vem de longe e remonta ao processo de colonização, cujos efeitos não foram apagados, como bem perceberam intelectuais que promoveram a Semana de Arte Moderna de 1922. Oswald de Andrade, por exemplo, escreveu dois pequenos e densos poemas que indiciam essa questão. Num primeiro, intitulado Erro de Português, lamentou que a chegada de Cabral ao Brasil se desse debaixo de chuva: “fosse uma manhã de sol / o índio tinha despido o português”.Implicitamente o poeta denunciava que tantos saberes nativos construídos em séculos de cultura oral foram execrados como barbárie. Num segundo poema, Pronominais, trata indiretamente da variedade linguística, pondo em destaque a frase gramaticalmente correta “do professor, do aluno e do mulato sabido: Dá-me um cigarro”, em contraponto a outra, “a do bom branco e do bom negro / da Nação Brasileira”que falam cotidianamente: “Deixa disso camarada / Me dá um cigarro”.
Após esta pequena digressão, volto à questão do erro de português que estaria presente no livro alvo de uma verdadeira campanha difamatória empreendida sobretudo pela mídia global, secundada pela revista Veja neste mês de maio de 2011. Pessoas de elite que não leram o livro, não são especialistas em linguística e pensam que educação é terra de mãe Joana, onde todos podem se intrometer inconsequentemente, trataram de dar suas opiniões em concordância com a posição da mídia. Encontrei uma exceção na fala de Ana Maria Machado: “Custo a crer que isso tenha acontecido como tem sido noticiado”. Pelo menos a escritora se reservou o direito de duvidar, e, de quebra, usou uma forma coloquial em lugar do uso prescrito pela norma culta: “Custa-me crer que...” Na edição do dia seguinte, o referido jornal (guardião da norma culta mas não imune a pequenas concessões ao coloquial), desculpou-se pelo erro de português...
No entanto, o que lhe caberia era penitenciar-se pela prática de usar e abusar da pesada artilharia global para manipular, omitir, torcer os fatos e disseminar falsas verdades aos quatro ventos. Em nome do que é consenso – a obrigação que efetivamente a escola tem de ensinar a norma culta –, foi ardilosamente extraído um exemplo da unidade: “Falar é diferente de escrever”, apartando-o do contexto de uma explicação detalhada sobre as variedades linguísticas de caráter regional, socioeconômico e cultural, com ênfase no que diz respeito à variedade da classe popular.
Naquela unidade, a autora, em vez de preconceituosamente execrar a fala popular, buscou compreender essa outra lógica. A explicação apresentada vai ao encontro da que Monteiro Lobato apresentou no prefácio ao livro Contas de capiá: “Se pondo apenas o artigo no plural a frase fica perfeitamente clara, para que botar no plural também o substantivo, pensa com muita razão o jeca...”Lobato vai ainda mais longe ao insistir que esse mesmo princípio de economia linguística está presente no inglês, que não flexiona o verbo, pois o pronome já exprime perfeitamente o seu sujeito: I have,you havewe have. Quanto à concordância nominal, o inglês mantém o artigo no singular e pluraliza o substantivo. Ou seja, a língua inglesa também se satisfaz em marcar uma só vez o plural, descartando a redundância. Nas palavras de Lobato: “faz a mesma coisa que o jeca, só que invertido”. Mas quem se atreveria a chamar de ignorantes e burros os falantes da aristocracia inglesa cuja língua se vale do princípio da economia linguística? No entanto, palavras como ignorância e burrice aparecem repetidas vezes nas matérias publicadas, desqualificando a variedade popular.
Monteiro Lobato, com sua proverbial ironia, sai em defesa da fala do jeca no prefácio citado:
quem condena como coisa errada o modo de falar ou a língua do jeca revela-se curto do miolo. Os modos de variação de uma língua são fenômenos naturais, e não há erro nos fenômenos naturais. Erro é coisa humana (Lobato, 1964, p. 29).
Oswald de Andrade e Lobato se anteciparam aos estudos linguísticos que respaldam a afirmação de José Saramago: “O português existe em várias línguas”No documentárioLíngua – vidas em português, o escritor referiu-se ao que efetivamente o preocupa – a diminuição do vocabulário e da capacidade de expressão. Mas onde está a riqueza do idioma senão nas bibliotecas, nos acervos de tudo que já foi e está sendo escrito em nossa língua? Recomendo o referido documentário a todos que se interessem por gente que vive e trabalha, ama e sofre, conversa e sonha em português nos diferentes quadrantes no planeta. Mas o recomendo também àqueles que insistem em pensar a língua como coisa em si mesma, apartada dos seus donos, os falantes, e das relações, sobretudo as de poder. Poderiam, quem sabe, oxigenar suas ideias com a fala de Mia Couto: “a língua portuguesa namorou” e se deitou em diferentes sítios do planeta e se enriqueceu “à medida que se mestiçou”.
Como se percebe, essa discussão vai muito além de simplesmente ensinar a norma culta. Impõe-se indagar: para que, por que e como ensinar a norma culta? Nesse ponto termina o consenso e se anuncia o conflito. Há quem ensine a norma culta como forma de desqualificar a forma “errada” do povo, de hierarquizar e separar os que contam dos que não são levados em conta. Ou como forma de silenciar aqueles bárbaros que falam uma algaravia destituída de lógica e precisam antes aprender a língua de poder se quiserem sair da invisibilidade. Mas há também os que lutam para ensinar a norma culta, sim, para emancipar e ajudar o povo a aprender a língua de poder para brigar melhor, para exercer a cidadania plena, direito de todos os que vivem e pensam em português. Para tanto, é preciso se apropriar da língua legitimada, ser poliglota da própria língua e, sobretudo, dispor dos mesmos instrumentos dos que a utilizam para cercear os direitos do povo.
A campanha patrocinada pela mídia global evidencia o quanto perdura entre nós ostatus quo colonialista, bem ao estilo Justo Veríssimo: “eu odeio pobre”.No caso do livro apontado como “errado”, além de negar a fala popular, a mídia estendeu sua maciça campanha de desqualificação à autora por explicar aos jovens e adultos a natureza do preconceito de que são vítimas. Para não deixar dúvida do que trata o livro em questão e restaurar o direito do leitor à informação, cito um trecho em que, depois de discutir variedades linguísticas, a autora destaca a necessidade de aprender a norma culta:
Reescrevendo a frase no padrão da forma culta teremos:
Os livros ilustrados mais importantes estão emprestados.
“Você pode estar se perguntando: Mas eu posso falar: os livro? Claro que pode. Mas fique atento, porque, dependendo da situação, você pode ser vítima de preconceito linguístico”.E conclui: “O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião”.
Volto à frase do título: o pobre pode falar a língua que trouxe do berço? Cabe indagar quem se beneficia da desqualificação da população pobre, vítima da histórica exploração a que se soma o preconceito linguístico. Será que, por acaso, as vítimas da injustiça social ainda virão a ser responsabilizadas pelo atraso do Brasil? Num país em que as vítimas são culpabilizadas, a sociedade que produz tanta injustiça social e tanto analfabetismo, inclusive o político, dorme o sono dos pretensamente justos e se absolve.
Eis que o articulista Merval Pereira (O Globo, 17/05/2011, p. 4) fez ao público o grande favor de explicitar com todas as letras o que há por trás dessa campanha liderada pelo jornal em que escreve. Ao problematizar a distribuição gratuita do livro, levanta duas hipóteses. Na primeira o MEC estaria “pretendendo fazer uma política a favor dos analfabetos e ignorantes”, o que agravaria sua condição. Na segunda, haveria uma tentativa de justificar o modo como o presidente Lula fala, o que seria um “agravante ao ato criminoso de manter os estudantes na ignorância”. Eis o cerne da questão política: o que move a campanha contra o livro, no fundo, seria uma campanha contra o presidente-operário, bem alfabetizado politicamente, por ensinar, pelo seu exemplo, que o povo tem o direito a pronunciar a sua palavra.
Curiosamente, o assunto do livro saiu da mídia à medida que surgiram falas de peso no âmbito dos estudos linguísticos, como o pronunciamento da Associação de Linguística Aplicada do Brasil (Alab):
Assim, ao contrário de contribuir para uma agenda partidária de manutenção da ignorância, acusação levianamente imputada ao livro e ao PNLD (e, portanto, aos estudiosos da linguagem), os “erros” em questão, se interpretados contextualizadamente e explorados de forma interessante em sala de aula, contribuem para o desenvolvimento da consciência linguística, mostrando que, apesar de todas as variantes serem aceitáveis, o domínio da norma culta é fundamental para a efetiva participação nas diversas atividades sociais de mais prestígio. Neste sentido, a Associação de Linguística Aplicada do Brasil expressa seu repúdio à atitude autoritária e uníssona de vários veículos da imprensa em relação à concepção deturpada de “erro” e convida seus membros a se posicionar nesses veículos de forma mais efetiva e veemente sobre questões relacionadas a ensino de línguas e políticas linguísticas, construindo leituras mais situadas, persuasivas e plurilíngues.
De minha parte defendo veementemente que, em vez e desqualificar a variedade popular, deve-se estimular a presença viva da literatura em nossas salas de aula como um espaço especialmente emancipatório e rico onde a palavra, como sublinhou Ziraldo em O menino quadradinho é  (instrumento de escavação) e Lavra (mina de todas as riquezas). As regras de concordância, regência e outras que-tais poderão ser apropriadas por imersão na boa leitura que, sendo bela e profunda, ao mesmo tempo comove e fala tanto ao sentimento como à razão. Nesse sentido, seria formidável umviradão literário, por exemplo, com atores e atrizes lendo belos poemas e contos, mas isso não interessa à mídia global, pois ajudaria o povo a levantar a cabeça e nunca mais se deixar colonizar pela ideologia do opressor. Afinal, se a maioria explorada se der conta desse jogo e usar a seu favor as armas do outro, inclusive a norma culta, nossa história poderá tomar outro rumo e talvez possamos nos aproximar da utopia de um outro país e um outro mundo possíveis, com mais igualdade e menos injustiça social.

Referência

LOBATO, José Bento Monteiro. Obras completas v. 13. São Paulo: Brasiliense, 1964.
Publicado em 31 de maio de 2011

Revista Educação

Filme: Daens, Um Grito de Justiça (1992)

Daens, Um Grito de Justiça (1992)

NOME DO FILME  Título Original: Daens
  Gênero: Biografia | Drama | Histórico
  Ano de Lançamento: 1992
  Duração: 138 min
  País de Produção: Bélgica, França, Holanda
  Diretor(a): Stijn Coninx

Sinopse:
Apresenta a história do padre Daens, designado a assumir a igreja da cidade de Aalst na Bélgica. Revoltado com a situação horrível em que o povo vivia, Daens acende seu lado revolucionário e tenta conscientizar o povo oprimido contra os abusos da classe burguesa que explorava o povo em suas fábricas. O filme se passa no final do séc XIX e apresenta bem a que nível chegava a exploração nas industrias européias naquele momento.

Elenco:
Jan Decleir ... Adolf Daens
Gérard Desarthe ... Charles Woeste
Antje de Boeck ... Nette Scholliers
Michael Pas ... Jan De Meeter
Karel Baetens ... Jefke
Julien Schoenaerts ... Bishop Stillemans
Wim Meuwissen ... Pieter Daens
Brit Alen ... Louise Daens
Johan Leysen ... Schmitt
Idwig Stephane ... Eugene Borremans
Linda van Dyck ... Elizabeth Borremans (como Linda van Dijck)
Jappe Claes ... Ponnet
Brenda Bertin ... Marie
Alex Wilequet ... Monsignor Goossens
Rik Hancké ... Nuncio


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Quanto vale um professor?????

Vídeo do Professor Diego Felipe
www.pensamentoradical.blospot.com

sábado, 28 de maio de 2011

Em busca do Super-Homem (Educa Terra)


Friedrich Nietzsche
Em busca do super-homem

A decadência da sociedade ocidental

Nietzsche tinha a firme convicção de que a sociedade européia em que vivia estava atacada por profundos males, cujas sinais de decadência mais evidentes revelavam-se: a) pela expansão do liberalismo (visto como doutrina de uma burguesia senil e covarde, sem energia para reprimir a emergência da nova barbárie); b) pela crescente demanda pela democracia feita por sindicatos e pelo populacho em geral, ao qual se associavam movimentos feministas e outros libertários ("porque, bem sabes, chegou a hora da grande, pérfida, longa, lenta rebelião da plebe e dos escravos; que cresce e continua a crescer"- Zaratustra, IV parte) ; c) pelo crescente império do mau gosto, no teatro, na ópera, na música, exposto pela difusão e divulgação da arte popular ("É que, hoje, os pequenos homens do povinho tornaram-se os senhores...isso, agora, quer tornar-se senhor de todo o destino humano. Oh, nojo! Nojo! Nojo!"- Zaratustra - IV parte, 3)

Origens mais remotas da decadência

Deve-se ao cristianismo, segundo Nietzsche, a origem mais remota da crescente debilitação da elite européia, na medida em que aquela religião retirou dela, da antiga casta nobre, a capacidade de retaliação. Esta era necessária para afirmá-la como poder, mas devido à pregação da tolerância, e pelo exercício inútil da piedade, da compaixão e do perdão, a velha estirpe se enfraqueceu, senilizou-se. 

O cristianismo é uma religião de escravos que louvava a pobreza, a humildade (dos pobres é o Reino dos Céus) e a covardia (dar a outra face), opondo-se à ética dos fortes, dos senhores romanos. O ódio paulino ao sexo nada mais era do que um disfarce do ódio que o cristianismo devota à vida, devido ao sentimento de inferioridade intrínseca daqueles que se ressentiam contra os seus dominadores. A influência dos evangelistas envenenou Roma, contribuindo para a sua decadência ao fazer com que o senhores do império perdessem o elã e a crueldade que era preciso para manter coeso o seu domínio do mundo. Os conceitos de bem e do mal estão superados porque Deus morreu, logo era preciso encarar a realidade e concentrar a atenção na elaboração de uma outra ética que se baseasse apenas na força do caráter e da personalidade do indivíduo.
O que fazer?

O príncipe-tirano, um modelo do super-homem (gravura de S.Dalí)
A expectativa de Nietzsche, a única esperança que ele vislumbrou para evitar a bancarrota da grande cultura ocidental, ameaçada pelo mau gosto do populacho e pela possível insurreição das massas (como correra com a Comuna de Paris em 1871), era aguardar a chegada do super-homem. A ele, a este novo messias, estaria reservada a tarefa hercúlea de enquadrar a plebe, reprimindo seus anseios político e sua desqualificação estética. O super-homem não existia na época em que Nietzsche viveu, mas profetizou sua chegada para o futuro. Ele é quem executaria a transmutação dos valores, fazendo com que "Bom" e "Justo" voltassem a ser associado a "Nobre" e "Digno", e não mais a "Pobre" ou "Humilde", como ocorria na moral cristã.


Quem é o super-homem?

Este poderoso e tão popular personagem da imaginação nietzscheana derivou do romantismo alemão (com sua incontida celebração do gênio, do indivíduo dotado de virtudes incomuns) mas também da secularização da mitologia, encarnada num Prometeu redivivo, já assinalado por Goethe. O gênio é uma força irracional, um fenômeno da natureza, quase divino e absolutamente extraordinário: assim o enalteceram Goethe, Fichte e Hegel (que afinal conviveram com Napoleão Bonaparte). Ele encontrava-se bem acima dos demais mortais, sendo característico dele usar os outros seres humanos apenas como degrau para sua ascensão. É um forte, um aristocrata (não no sentido de sangue, mas de personalidade), um colossal egocêntrico que faz suas próprias leis e regras e que não segue as da manada. Mas o super-homem pode ser visto também como o resultado último da uma concepção evolucionista. Se, no passado remoto, como ensinou Darwin, fomos precedidos pelos símio, sendo o homem do presente apenas uma ponte, o futuro seria irremediavelmente dominado pelo super-homem.
No passado remoto
No presente
No futuro
O símio (forma primitiva de existência)
O homem (ponte para o devir)
O super-homem (personalidade dominante do futuro)



Aproximando-se de Maquiavel

"Amo os valentes; mas não basta ser espadachim - deve-se saber, também, contra quem sacar a espada!" - Zaratustra

Nietzsche, com sua admiração pelas personalidades fortes, determinadas a tudo, alinhou-se a Maquiavel. Ambos manifestaram sua preferência pelos homens titânicos que povoaram a época renascentistas. Audazes, egoístas, incorrendo no crime e na mentira, artistas do embuste e do engano, vivendo perigosamente entre a vida e a morte, aqueles tiranos, tais como Cósimo de Medici (1519-1575) ou do seu pai Giovanni de la Bande Nere (1498-1526), que eram capazes de, ao mesmo tempo que cometiam as piores barbaridades, proteger, estimular e patrocinar, a mais esplendorosa manifestação artística que a Europa conheceu - a cultura do Renascimento. Paralelo a eles, compartilhando o mesmo cenário dos príncipes mecenas e condotieros italianos, celebrou o artista-tirano, o aventureiro a la Benvenuto Cellini (1500-1571), que somava sua habilidade com a espada e o lidar com venenos com o mais refinado bom gosto artístico. Logo, uma das conclusões que Nietzsche chegou, ao interessar-se por aquelas personalidades, é de que em nome da preservação e do deleite da arte superior, perene, magnífica, qualquer sentimento ético ou humanitário passava a ser desprezível, senão mesquinho. As atribulações daqueles príncipes, com os quais simpatizou, lhe chegaram ao conhecimento por meio da cultivada amizade que ele estabeleceu com o Jacob Burckhardt, um suíço, grande historiador da cultura grega e renascentista, com quem ele privou na cidade de Basiléia a partir de 1870, e que escrevera um ensaio clássico sobre o tema (A Civilização da Renascença italiana, 1860).
Cósimo de Medici, exemplo do tirano refinado



Influência de Darwin

O darwinismo, difundido largamente após a publicação em 1859 da "Origem das Espécies", ensinou que a Natureza é amoral. A sobrevivência dos seres existentes não é determinada por critério éticos, nem pelas regras do Bem e do Mal. A seleção dos mais aptos não se faz obedecendo aos princípios morais, mas sim pelo desenvolvimento da capacidade de sobrevivência e de adaptação. As conseqüências morais lógicas extraídas dessa visão naturalista da existência, aplicadas à sociedade em geral, conduzem à eugenia de Francis Galton, não podendo ser outras senão em ter que concordar que somente os mais capazes têm direito à vida. Aos fracos cabe um destino inglório: a morte ou a submissão! - "o fraco não tem direito à vida". Nietzsche de certa forma, ainda que com desavenças, elaborou a metafísica do darwinismo, fazendo da sua filosofia uma espiritualização da teoria da seleção das espécies e da vitória do mais capaz, apresentada pelo grande naturalista.


Influência de Dostoiévski

Nietzsche impressionou-se com a literatura de Dostoiévski, o criador do personagem niilista radical que, por sua vez, era inspirado no raznochintsy, o solitário homem-idéia, um produto sócio-político do Movimento Narodniki, o populismo russo do século XIX. Personagem vivamente extraído da realidade russa do tempo do czar, é um ateu e materialista que vive em função de uma causa, a quem ele se dá integralmente, ao estilo de Netcháiev. Por ela, pela causa, dedica a sua vida, fazendo ele mesmo suas regras: "Se Deus não existe, tudo é permitido"(Ivan Karamazov). Nietzsche, ao contrário de Dostoievski, não lamentou o surgimento desse novo "animal-político", o niilista que vaga pelo mundo como um lobo solitário a serviço de algo que ele mesmo elegeu como razão de ser da sua existência. Exalta-o como um exemplo do super-homem que não se detém perante qualquer prurido moral na concretização dos seus objetivos, sejam eles quais forem. Ele, esse personagem fantástico, assume na totalidade as implacáveis conseqüências de um mundo sem Deus, tirando disso as devidas conclusões morais. Defendendo a emergência de uma nova ética, baseada nas virtudes do homem superior, ele vive completamente afastado das massas, sempre aferrado à sua tarefa de impor uma nova atitude perante à vida.


A projeção de Nietzsche

O tirano não tem palavra (gravura de S.Dalí)
Politicamente, ele tanto foi acolhido por anarquistas, que na linha de Max Stirner (1806-56), que celebravam através da leitura dele o individuo-absoluto (o homem solitário, quase uma fera, que enfrenta a sociedade burguesa a quem vota desprezo e ódio), como também pelos nazi-fascistas, com a identificação com a teoria de uma elite de homens fortes dotados de vontade de domínio (uma nova raça superior liderada pela besta fera ariana, dominadora e implacável). Seja como for, em se tratando de política, são os extremistas ideológicos quem cultuam Nietzsche, não os democratas. O mesmo evidentemente não ocorre com os literatos e filósofos, tais como Heinrich e Thomas Mann, ou, mais recentemente, com Michel Foucault, que, independentemente das inclinações contra-revolucionária de Nietzsche, reconheceram nele uma fonte inesgotável de percepções originais, estéticas e existenciais, todas elas relevantes, e que muito contribuíram para a compreensão do homem moderno e para os fenômenos artísticos e políticos que acometeram o século XX.


Nietzsche e os quadrinhos

Suprema ironia deu-se com a idéia do super-homem - tornada popular com a ascensão de Hitler e dos nazistas ao poder na Alemanha dos anos trinta -pois terminou por cair no agrado popular (para bem possível escândalo de Nietzsche se vivo fosse) Nos Estados Unidos, de imediato, surgiram uma série de comics, de heróis em quadrinhos dotados de poderes extraordinários. O mundo então foi inundado por uma enxurrada de curtas historias ilustradas que fizeram por difundir e, claro, adulterar completamente o sentido original do super-homem imaginado por Nietzsche. De certa forma, ocorreu uma incrível metamorfose que fez com que uma ideologia elitista e exclusivista como a que Nietzsche defendeu, acabasse, depois de apropriada pela indústria da cultura de massas, por gerar um ícone cultuado pelas multidões de jovens anônimos do nosso século. No final das contas as massas fizeram por canibalizar o super-homem.
O super-homem, cultuado pelas massas



Confluindo para o super-homem

"Eu assento minhas coisas no Nada" ("Ich hab, mein Sach' auf Nichts gestellt) - Max Stirner - O Eu e o seu próprio, 1845


Podemos, em síntese, identificar quatro origens
na configuração nietzscheana do super-homem

Inspiração
Fontes
Mitológica
(grega)
Prometeu, o titã que ousou desafiar os deuses Olímpicos, passando a viver de acordo com seus princípios
Renascentista
(italiano)
O príncipe maquiavélico, o tirano que utiliza-se operacionalmente dos valores morais em função do poder
Romântica
(alemã)
O gênio, concepção do romantismo alemão, a grande personalidade que se confronta com seu época e vem anunciar um novo tempo, uma nova época, indiferente aos clamores contrários que provoca
Populista
(russo)
O niilista russo, o raznochintsy, aquele que estava fora do sistema de castas da Rússia Czarista e que, revoltado, empenhava-se com fervor em torno da causa.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Wagner Moura narra o curta sobre a política de desenvolvimento econômico do RJ

Wagner Moura narra o curta sobre a política de desenvolvimento econômico do Estado do Rio de Janeiro

Acompanhe, vale a pena!!!

terça-feira, 24 de maio de 2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Professora expõe o dia-dia dos professores

Professora em audiência pública sobre a educação

Professora no Faustão

Filme: Terra e Liberdade

Land and Freedom   Título Original: Land and Freedom
  Gênero: Drama | Histórico | Guerra
  Ano de Lançamento: 1995
  Duração: 109 min
  País de Produção: Espanha, Itália, Alemanha
  Diretor(a): Ken Loach
Sinopse:
A crise desencadeada pela Primeira Guerra Mundial, aprofundada pela quebra da economia mundial após 1929, afetou praticamente todo o mundo, gerando grande desemprego e pobreza. Na Europa essa situação foi responsável pela "polarização ideológica", ou seja, pelo desenvolvimento das forças populares de esquerda e, ao mesmo tempo, das forças reacionárias fascistas. Na Espanha, essa situação foi responsável pela Guerra Civil, de 1936 a 39, quando um golpe militar, apoiado pelas forças de direita, provocou a divisão do país. O golpe, pretendia eliminar o regime republicano, instituído em 1931, responsável por uma série de reformas que desagradaram os setores mais conservadores do país, uma vez que os interesses de latifundiários e da Igreja Católica foram duramente atingidos. O conflito teve de um lado os republicanos apoiados pelos grupos de esquerda (comunistas e anarquistas) enquanto do outro lado encontravam-se os grupos fascistas e os setores mais conservadores da cidade. Enquanto a Alemanha e Itália ajudaram diretamente os fascistas espanhóis, Inglaterra e França adotaram uma política de neutralidade. A principal ajuda material foi dada pela União Soviética, que enviou armas e assessores, no entanto, o grande destaque do lado republicano, foi a das "Brigadas Internacionais", grupos de voluntários de vários países, que foram combater na Espanha. No inicio de 1937, as Brigadas tiveram papel importante na vitória sobre tropas italianas.

Elenco:
Ian Hart ... David Carr
Rosana Pastor ... Blanca
Icíar Bollaín ... Maite (como Iciar Bollain)
Tom Gilroy ... Lawrence
Marc Martínez ... Juan Vidal (como Marc Martinez)
Frédéric Pierrot ... Bernard Goujon (como Frederic Pierrot)
Andrés Aladren ... Militia member (como Andres Aladren)
Sergi Calleja ... Militia member
Raffaele Cantatore ... Militia member
Pascal Demolon ... Militia member
Paul Laverty ... Militia member
Josep Magem ... Militia member
Eoin McCarthy ... Connor
Jürgen Müller ... Militia member
Víctor Roca ... Militia member (como Roca)

http://www.filmesepicos.com/2011/05/terra-e-liberdade-1995.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+FilmesEpicos+%28%3A%3A+FILMES+EPICOS+%3A%3A%29

sábado, 21 de maio de 2011

Biblioteca Digital

Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos. Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente: 

· Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;
· escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
· Ler obras de Machado de Assis Ou a Divina Comédia;
· ter acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA
· e muito mais....



Esse lugar existe! 


O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso,basta acessar o site:




Só de literatura portuguesa são 732obras! 
Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a
utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura. 



Divulgue para o máximo de pessoas! 

1ª Guerra Mundial

Indicação de Filmes:



Questões para você testar seus conhecimentos:





01. (USP) A preocupação em isolar a França e obter o maior número possível de aliados caracterizou a política de um chefe de governo europeu no período de 1871 e 1890. Estamos no referindo a:

a) Lloyd George
b) Bismarck
c) Guilherme II
d) Cavour
e) Guilherme I


02. (UFRN) Em 1914, a crise balcânica atingiu um momento de grande tensão, quando a Áustria e a Sérvia entraram em atrito devido ao (à):

a) patrocínio da independência da Albânia pela Áustria, privando a Sérvia de uma saída para o mar;
b) anexação da Bósnia e Herzegovina pela Áustria;
c) tentativa da Áustria de anexar a Sérvia;
d) tentativa da Rússia de anexar a Sérvia;
e) n.d.a.


03. (OSEC) Um dos fatores da I Grande Guerra foi a rivalidade industrial entre a Alemanha e a Inglaterra, porque:

a) os ingleses temiam a penetração alemã em suas colônias, como se estava verificando na Austrália;
b) os alemães receavam o poderio econômico inglês, acreditando na eliminação da rivalidade por meio de uma guerra;
c) os alemães haviam obtido o controle comercial sobre o Império Otomano;
d) a Alemanha vinha dominando grande parte dos mercados de consumo até então pertencentes à Inglaterra;
e) n.d.a.


04. (USP) O assassinato do herdeiro do Império Austro-Húngaro em Sarajevo veio complicar a situação européia e ocasionou a eclosão da I Guerra Mundial. O personagem em questão era:

a) o Kaiser Guilherme
b) Francisco Fernando
c) Lloyd George
d) Nicolau Romanov
e) n.d.a.


05. (PUC) O fim da I Guerra Mundial trouxe, entre outras conseqüências:

a) a unificação política do Oriente Médio, sob a liderança do Egito;
b) o aparecimento de numerosos novos Estados, em virtude da desintegração dos Impérios Otomano, Austro- Húngaro e Russo;
c) a ampliação do território alemão, em detrimento com a Polônia;
d) a simplificação do mapa político da Eurásia pelo desaparecimento de numerosos pequenos Estados;
e) a dominação da Alemanha pelas forças de ocupação aliadas.


06. (OSEC) Presidente dos Estados Unidos durante a Guerra de 1914 - 1918:

a) Franklin Roosevelt
b) Churchill
c) Wilson
d) Theodore Roosevelt
e) n.d.a.


07. Qual dos fatores abaixo NÃO está ligado à I Guerra Mundial enquanto causa?

a) O Tratado de Frankfurt.
b) A crescente procura de mercados e matérias-primas.
c) A política agressiva de Bismarck.
d) A Crise Balcânica.
e) A disputa colonial.


08. Qual o acontecimento que em 1871 veio alterar o equilíbrio europeu?

a) A unificação da Alemanha.     
b) A derrota da França na Guerra Franco-Prussiana.
c) O início da industrialização da Rússia.
d) A dissolução da "Liga dos Três Imperadores".
e) O fim do Império de Napoleão III.


09. Em todos os sistemas de alianças formados por Bismarck, qual o país que foi sistematicamente excluído?

a) Áustria
b) Rússia
c) França
d) Itália
e) Grã-Bretanha


10. Qual dos países abaixo NÃO esta alinhado com as chamadas "Potências Centrais" durante a I Grande Guerra?

a) Turquia
b) Bulgária
c) Sérvia
d) Alemanha
e) Áustria-Hungria



Resolução:
01. B02. B03. D04. B
05. B06. C07. C08. A
09. C
10. C


Mais exercícios:



 1. (Puccamp) Planos, metas e Brasília
O "planejamento econômico" estava no ar desde os anos 30, influenciado principalmente pelo sucesso da política do New Deal, aplicada por Franklin Delano Roosevelt à Depressão norte-americana. Como governador de Minas (1945-51), JK adotara o binômio energia/transportes como metas de desenvolvimento. O Plano de Metas foi a primeira medida de planejamento econômico 'stricto sensu', no Brasil.
Constava de 31 metas, agrupadas em cinco setores básicos, para os quais deveriam ser encaminhados todos os investimentos públicos e privados do país: energia, transportes, indústrias de base, alimentação e educação (...). A meta 31, denominada meta síntese, era a construção de Brasília, que foi inaugurada em 21 de abril de 1960.
Entre 1956 e 1961, a economia brasileira cresceu, em média, 8,1% ao ano (...). A fabricação de automóveis e de material elétrico ultrapassou 25% ao ano. Vários outros setores, como siderurgia, álcalis, celulose e papel, construção e pavimentação de rodovias, ultrapassaram as metas estabelecidas.
                (Revista "Problemas Brasileiros". n. 352. julho/ago/2002. p. 22)

O texto identifica dois momentos da história contemporânea associados, respectivamente, à
a) Revolução Francesa, que pôs em prática os ideais de liberdade e fraternidade e à Revolução Socialista, que se inspirou no princípio de igualdade social.
b) Primeira Guerra Mundial, que acabou por ressaltar as contradições do capitalismo e à Segunda Grande Guerra, que dividiu o mundo em dois blocos antagônicos.
c) Guerra do Oriente Médio, que provocou a crise econômica do mundo capitalista e à Primeira Grande Guerra, que enfraqueceu os países com regimes democráticos.
d) Primeira Guerra Mundial, que criou condições para o desenvolvimento do capitalismo moderno e à Revolução Russa, que desmantelou a ordem capitalista e burguesa.
e) Segunda Guerra Mundial, que combateu os regimes políticos totalitários na Europa e à Revolução Russa, que promoveu o desenvolvimento econômico dos países pobres.


  
2. (Puccamp)   Uma ameaça que não se cumpriu
Em 1937, em Genebra, no plenário da Sociedade das Nações, o embaixador japonês barão Shudo levantou a tese de que as regiões inexploradas de vários países deveriam ser cedidas a nações ricas e populosas, como o Japão, naturalmente. Nesse caso o Brasil Central desértico era uma preocupação crescente. (...) Os estrategistas brasileiros concluíram que a Amazônia se autodefendia do colonizador branco com suas doenças, suas selvas e seu calor. Não havia porquê recear ali uma investida do Eixo. A mortandade provocada nos estrangeiros pela construção da ferrovia Madeira-Mamoré, na atual Rondônia, também corroborava essa tese.
Muito diferente, no entanto, era a situação da pré-Amazônia mato-grossense e goiana, com suas extensas faixas de campos e cerrados habitáveis, colonizáveis sem maiores esforços. Era o caso típico da região do Araguaia-Xingu, que continha a Serra do Roncador e seus prodígios, além dos garimpos de diamantes do alto Araguaia, em parte contrabandeados para a Alemanha.
                (Adaptado da Revista "Especial Temática". O Brasil que Getúlio sonhou. n.4. São Paulo: Duetto, 2004. p.71)

A Sociedade das Nações mencionada no texto, também conhecida como Liga das Nações, foi criada em 1919 com o objetivo de
a) promover a paz armada, após o Tratado de Versalhes, através da liderança do governo dos Estados Unidos, que presidiu essa organização.
b) unir as nações democráticas e economicamente mais poderosas, para impedir a volta do nazi-fascismo, cuja expansão causara a Primeira Guerra Mundial.
c) executar as determinações previstas pelo documento conhecido como "14 pontos de Wilson" e que favoreciam os países da Tríplice Aliança.
d) promover o neocolonialismo na África, Ásia e Oceania, condição fundamental para a expansão mundial do capitalismo monopolista.
e) intermediar conflitos internacionais a fim de preservar a paz mundial, fiscalizando o cumprimento dos tratados pós-guerra.



3. (Fatec) Segundo as teorias desenvolvimentistas, a guerra era concebida como:
a) uma necessidade de ampliar o mercado interno substituindo as importações.
b) uma política econômica tendendo a desvalorizar a produção agrícola.
c) uma forma de criar condições para a importação de tecnologia estrangeira.
d) um recurso complementar e necessário à importação de produtos primários.
e) uma política econômica que necessitava do apoio de todas as classes sociais para ser implementada.



4. (Cesgranrio) O clima de tensão oriundo da expansão imperialista na Ásia e determinador do 1Ž Conflito Mundial pode ser avaliado pelas:
a) rivalidades entre franceses e ingleses na Indochina, entre ingleses e russos na Ásia Central e entre russos e japoneses na Mandchúria e Coréia.
b) políticas de alianças entre russos e japoneses para bloquear as pretensões inglesas e francesas no sudeste asiático.
c) tensões entre o Império Inglês e o Império Chinês em torno da Coréia e da Mandchúria com o apoio da França à Inglaterra.
d) rivalidades entre ingleses e franceses no sudeste asiático, entre belgas e alemães em Port-Arthur e entre russos e poloneses na Ásia Européia.
e) tensões entre o Império Austro-Húngaro e a Grécia na região do sudeste asiático com o apoio da Inglaterra aos gregos.



5. (Fuvest) Os Tratados de Paz assinados ao fim da Primeira Guerra Mundial "aglutinaram vários povos num só Estado, outorgaram a alguns o status de 'povos estatais' e lhes confiaram o governo, supuseram silenciosamente que os outros povos nacionalmente compactos (como os eslovacos na Tchecoslováquia ou os croatas e eslovenos na Iugoslávia) chegassem a ser parceiros no governo, o que naturalmente não aconteceu e, com igual arbitrariedade, criaram com os povos que sobraram um terceiro grupo de nacionalidades chamadas minorias, acrescentando assim aos muitos encargos dos novos Estados o problema de observar regulamentos especiais, impostos de fora, para uma parte de sua população. (... ) Os Estados recém-criados, por sua vez, que haviam recebido a independência com a promessa de plena soberania nacional, acatada em igualdade de condições com as nações ocidentais, olhavam os Tratados das Minorias como óbvia quebra de promessa e como prova de discriminação."
                               (Hannah Arendt, AS ORIGENS DO TOTALITARISMO)

A alternativa mais condizente com o texto é:
a) após a Primeira Guerra, os Tratados de Paz estabelecidos solaparam a soberania e estabeleceram condicionamentos aos novos Estados do Leste europeu através dos Tratados das Minorias, o que criou condições de conflitos entre diferentes povos reunidos em um mesmo Estado.
b) o surgimento de novos Estados-nações se fez respeitando as tradições e instituições dos povos antes reunidos nos impérios que desapareceram com a Primeira Guerra Mundial.
c) os Tratados de Paz e os Tratados das Minorias restabeleceram, no mundo contemporâneo, o sistema de dominação característico da Idade Média.
d) apesar dos Tratados de Paz estabelecidos depois da Primeira Guerra terem tido algumas características arbitrárias em relação aos novos Estados-nações do Leste europeu, o desenvolvimento histórico destas regiões demonstra que foi possível uma convivência harmoniosa e gradativamente ocorreu a integração entre as minorias e as maiorias nacionais.
e) os Tratados de Paz depois da Primeira Guerra conseguiram satisfazer os vários povos do Leste europeu.  O que perturbou a convivência harmoniosa foi o movimento de refugiados das revoluções comunistas.




6. (G1) "Foi em 1994 que acabou o século XIX (...) De 1815 a 1914, a Europa (...) desfrutara um século de paz (...) Nesse século, a burguesia pôde consolidar o seu poder (...) E o imperialismo colonialista ia bem, obrigado, na África e Ásia. A guerra de 1914 caiu como uma bomba NESTE (PARAÍSO)."

A 1 Guerra Mundial descortinou uma  série de conflitos camuflados neste "paraíso" tais como:
a) a luta pelas terras conquistadas na América e a manutenção do tráfico de escravos.
b) a disputa de mercados mundiais pelas nações européias imperialistas como a Inglaterra, Alemanha e França e a opressão aos movimentos nacionalistas na África e na Ásia.
c) a difusão do movimento socialista em países como a Inglaterra e França com o advento da Revolução Russa.
d) a disputa dos mercados consumidores europeus pelas nações independentes da África e da Ásia.
e) a luta dos americanos e brasileiros pelo controle dos mercados fornecedores de matérias-primas japoneses e africanos.



7. (G1) Sarajevo é atualmente palco de guerra. Nos tempos passados também foi o estopim de um conflito conhecido por:
a) Revolução Russa.
b) I Guerra Mundial.
c) Revolução Francesa.
d) Guerra entre os Aliados e o Eixo.
e) Guerra civil do Império Austro-Húngaro.



8. (G1) Os Estados Unidos emergiram como grande potência econômica mundial após a Primeira Guerra Mundial porque:
a) apoiou a Alemanha, com o objetivo de enfraquecer a Inglaterra.
b) liderou a criação da ONU (Organização das Nações Unidas).
c) fortaleceu sua economia ao fornecer equipamentos e suprimentos à Entente, enquanto as potências européias tiveram suas economias arrasadas após o conflito.
d) apresentou as propostas do Tratado de Versalhes, para enfraquecer a Alemanha, a grande potência industrial do início do século.
e) se manteve afastado do conflito direto com as potências européias, concentrando seus esforços no desenvolvimento interno.



9. (Mackenzie) A respeito do envolvimento dos E.U.A. na Primeira Grande Guerra é INCORRETO afirmar que:
a) foi influenciado pela intenção germânica de atrair o México, prometendo-lhe ajuda na reconquista de territórios perdidos para os E.U.A.
b) os E.U.A. financiaram diretamente a indústria bélica franco-inglesa e enviaram um grande contingente de soldados ao fronte.
c) uma possível derrota da França e Inglaterra colocaria em risco os investimentos norte-americanos na Europa.
d) contrariando o Congresso, o presidente dos E.U.A. rompeu a neutralidade, declarando guerra às forças do Eixo.
e) a adesão dos E.U.A. desequilibrou as forças em luta, dando um novo alento à Entente.



10. (Mackenzie) Ao término da Primeira Grande Guerra, as potências vencedoras responsabilizaram a Alemanha pela guerra e foi-lhe imposto um tratado punitivo, o Tratado de Versailles, que teve como conseqüências:
a) degradação dos ideais liberais e democráticos, agitações políticas de esquerda - como o movimento espartaquista - crise econômica e desemprego.
b) enfraquecimento dos sentimentos nacionais, militarização do Estado Alemão, recuperação econômica e incorporação de Gdansk.
c) anexação das colônias de Togo e Camarões, a afirmação dos ideais liberais e democráticos e a valorização do marco alemão.
d) prosperidade econômica, rearmamento alemão, desmembramento da Alemanha e fortalecimento dos partidos liberais.
e) surgimento da República Democrática Alemã e da República Federal Alemã, fortalecimento do nazismo, militarismo e diminuição do desemprego.



11. (Mackenzie) Dentre as causas da Primeira Grande Guerra, destaca-se a questão balcânica, que pode ser associada:
a) à formação de novas nacionalidades, como a Iugoslava sob a tutela da Alemanha.
b) às disputas coloniais na Ásia e na África entre a França e a Inglaterra.
c) ao interesse russo em abrir os estreitos de Bósforo e Dardanelos, o nacionalismo eslavo e ao temor austríaco quanto à formação da Grande Sérvia.
d) às desavenças entre o Império Austro-Húngaro e a Inglaterra ligadas à anexação da Bósnia-Herzegovina.
e) ao assassinato do Príncipe Herdeiro, Francisco Ferdinando, e as questões pendentes relacionadas ao Tratado de Brest-Litowsky e o desmembramento da Áustria-Hungria.



12. (Puccamp) A Primeira Guerra Mundial, que enfraqueceu a Europa em população e importância econômica,
a) acarretou a criação da Liga Pan-Germânica encarregada de efetivar o "Anschluss".
b) contribuiu para a concretização do Pacto Germânico-Soviético de não agressão, firmado entre Guilherme II e Nicolau II.
c) contribuiu para a formação, dentro da Sérvia de sociedades secretas, tais como a Mão Negra fundada em 1921.
d) contribuiu para a criação de um clima favorável para a aceitação dos princípios do socialismo utópico.
e) acarretou a difusão das idéias que apontavam as contradições do liberalismo.



13. (Pucrs) Dentre os desdobramentos político-econômicos imediatos na ordem internacional produzidos pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918), é correto apontar
a) o fim dos privilégios aduaneiros da França no comércio com a Alemanha.
b) o surgimento da Organização das Nações Unidas, por meio do Tratado de Sevres.
c) a criação da Iugoslávia, como decorrência das questões políticas dos Balcãs.
d) a anexação da Palestina, da Síria e do Iraque ao Império Otomano.
e) a incorporação da Hungria e da Tchecoslováquia aos domínios austríacos.



14. (Pucrs) Dentre as características e tendências da ordem internacional conformada após o fim da Primeira Guerra (1914-1918), NÃO é correto apontar
a) o fortalecimento progressivo da Liga das Nações, a organização supranacional criada pelo Tratado de Versalhes.
b) a intensificação dos antagonismos entre as potências capitalistas, devido às duras condições impostas aos vencidos.
c) a reformulação política radical da região balcânica mediante a aplicação do princípio de reconhecimento das nacionalidades.
d) o declínio da hegemonia européia sobre o mundo, com o crescimento do poderio dos Estados Unidos e do Japão.
e) a internacionalização crescente da questão operária devido à repercussão mundial da revolução socialista na Rússia.



15. (Uff) Muitos historiadores consideram a Primeira Guerra Mundial como fator de peso na crise das sociedades liberais contemporâneas. Assinale a opção que contém argumentos todos corretos a favor de tal opinião.
a) A economia de guerra levou a um intervencionismo de Estado sem precedentes; a "união sagrada" foi invocada em favor de sérias restrições às liberdades civis e políticas e, em função da guerra recém-terminada, eclodiram em 1920 graves dificuldades econômicas que abalaram os países liberais sobretudo através da inflação.
b) Em todos os países, a economia de guerra forçou a abolir os sindicatos operários, a confiscar as fortunas privadas e a fechar os Parlamentos, pondo assim em cheque os pilares básicos da sociedade liberal.
c) Durante a guerra foi preciso instaurar regimes autoritários e ditatoriais em países antes liberais como a França e a Inglaterra, num prenúncio do fascismo ainda por vir.
d) A guerra transformou Estados antes liberais em gestores de uma economia militarizada que utilizou de novo o trabalho servil para a confecção de armas e munições, em flagrante desrespeito às liberdades individuais.
e) Derrotadas na Primeira Guerra Mundial, as grandes potências liberais foram, por tal razão, impotentes para conter, a seguir, o desafio comunista e o fascismo.



16. (Unesp) As duas Guerras Mundiais, marcadas pelo expansionismo europeu, deixaram conseqüências profundas.  A implosão do Império Soviético está contribuindo para frear o perigoso confronto Leste-Oeste.  O cotidiano europeu, no entanto, ainda apresenta cenas sombrias.  A Guerra Civil na ex-Iugoslávia, entremeada da brutalidade que gera indignação, tem raízes remotas e profundas porque:
a) expressa ressentimentos étnico-nacionalistas e diferenças culturais nos Bálcãs.
b) o Pacto Nazista-Soviético colocou os Estados do Báltico sob domínio russo.
c) o colapso do comunismo abriu caminho para a transição capitalista bem sucedida.
d) na federação multinacional iugoslava, o comunismo foi edificado sobre base camponesa, e não operária.
e) o Tratado de Paz, que consagrou o desmembramento do Império Austro-Húngaro, pôs fim ao velho antagonismo que dera origem à Primeira Guerra Mundial.



17. (Unesp) Ao eclodir a Primeira Guerra Mundial, em 1914, a Alemanha dispunha de um plano militar - o Plano Schlieffen - que tinha como principal objetivo:
a) o ataque naval à Inglaterra.
b) neutralizar os Estados Unidos.
c) a aliança com a Itália e o Japão.
d) agir ofensivamente contra a França e a Rússia.
e) a anexação da Áustria.



18. (Unesp) A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) resultou de uma alteração da ordem institucional vigente em longo período do século XIX. Entre os motivos desta alteração, destacam-se
a) a divisão do mundo em dois blocos ideologicamente antagônicos e a constituição de países industrializados na América.
b) a desestabilização da sociedade européia com a emergência do socialismo e a constituição de governos fascistas nos países europeus.
c) o domínio econômico dos mercados do continente europeu pela Inglaterra e o cerco da Rússia pelo capitalismo.
d) a oposição da França à divisão de seu território após as guerras napoleônicas e a aproximação entre a Inglaterra e a Alemanha.
e) a unificação da Alemanha e os conflitos entre as potências suscitados pela anexação de áreas coloniais na Ásia e na África.



19. (Unirio) Dentre os fatores que conduziram à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), destacamos o(a):
a) nacionalismo eslavo aliado à desagregação do Império Turco.
b) acordo militar anglo-germânico visando à partilha da África.
c) desequilíbrio internacional provocado pela aliança da Rússia com o Império Austro-Húngaro.
d) descontentamento da França frente à ocupação no Marrocos.
e) oposição do Imperador Francisco Ferdinando à admissão da Sérvia no Império Austro-Húngaro.



20. (Unifesp) Para o historiador Arno J. Mayer, as duas guerras mundiais, a de 1914-1918 e a de 1939-1945, devem ser vistas como constituindo um único conflito, uma segunda Guerra dos Trinta Anos. Essa interpretação é possível pelo fato
a) de as duas guerras mundiais terem envolvido todos os países da Europa, além de suas colônias de ultramar.
b) de prevalecer antes da Segunda Guerra Mundial o equilíbrio europeu, tal como ocorrera antes de ter início a primeira Guerra dos Trinta Anos, em 1618.
c) de, apesar da paz do período entre guerras, a Segunda Guerra ter sido causada pelos dispositivos decorrentes da Paz de Versalhes de 1919.
d) de terem ocorrido, entre as duas guerras mundiais, rebeliões e revoluções como na década de 1640.
e) de, em ambas as guerras mundiais, o conflito ter sido travado por motivos ideológicos, mais do que imperialistas.


Gabaritos:

1.B     2.E     3.A     4.A     5.A     6.B     7.B     8.C
9.D    10.A   11.C   12.E   13.C    14.A  15.A   16. A
17.D  18.E   19.A    20.C