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sábado, 3 de setembro de 2011

Bonde Privativo !!!

Moradores barrados em bondes só para turistas

Os veículos eram autorizados a fazer viagem para grupos fechados até em dias úteis apesar de apenas cinco circularem em Santa Teresa até o dia da tragédia

Rio - Na teoria, o bonde de Santa Teresa é um transporte público. Mas moradores do bairro foram barrados no veículo ao tentar embarcar em viagens exclusivas para turistas. Vídeo divulgado na Internet flagrou o momento em que um jovem pede para subir no transporte e é recusado. A Secretaria Estadual de Transporte assumiu que as viagens só para turistas são autorizadas, mas só aos sábados. Mas moradores afirmam que isso ocorre em dias úteis também. O Detro, que está fazendo intervenção no sistema de bondes, vai investigar o caso.
Só 5 bondes, dos 14 da frota, estavam em circulação até sábado, quando 5 pessoas morreram e 57 se feriram no acidente com um dos veículos. Segundo a secretaria, o bonde turístico especial faz três viagens — às 14h, 16h e 18h — com tarifa de R$ 6. O órgão afirma ainda que o bonde turístico era público e a única forma de fazer uma viagem exclusiva era comprando todos os bilhetes.
Mas quem mora no bairro conta outra versão. O aposentado Jorge Mertins, 67, vice-presidente da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa, revelou que há 4 meses foi impedido de embarcar numa terça-feira à tarde: “Quando fui subir o motorneiro falou que a viagem era exclusiva. Eu me indignei e subi. O bonde é do povo”. 
No vídeo na Internet, um dos passageiros afirma que o passeio — em um bonde reformado — era só para hóspedes do Hotel Santa Teresa. O estabelecimento negou.
Foto: Reprodução de vídeo
Morador do bairro registra com câmera o flagrante de uso privado do transporte público: bonde estaria a serviço exclusivo de hóspedes de hotel | Foto: Reprodução de vídeo
Outro bonde sem freio provocou um acidente
Oito dias antes da tragédia, outro bonde sem freio provocou um acidente em Santa Teresa. Dia 19, o bonde 3 desceu desgovernado de ré na ladeira da Rua Pascoal Carlos Magno, no Largo das Neves, e destruiu a frente do táxi Corsa LSH-2004, conduzido por Ademir José da Silva, 58 anos. Ninguém se feriu.
“O bonde tinha parado para dar passagem a um micro-ônibus, quando desceu de repente. Só não morri por milagre”, contou o taxista. No Boletim de Registro de Acidente de Trânsito 248557, do 5º BPM (Harmonia), o maquinista Nilston da Silva disse que a colisão aconteceu porque o veículo perdeu o freio “por causa de sujeira nos trilhos”. Ademir não voltou a trabalhar: o orçamento para conserto é de R$ 6.700.
Nesta quinta-feira, quatro mecânicos da Central Logística, contaram em depoimento na 7ª DP (Santa Teresa) e afirmaram que era comum tirar peças de um bonde para repô-la em outro devido à escassez de material.
De luto, manifestantes pedem saída de secretário
De manhã e à noite centenas de moradores de Santa Teresa se reuniram para protestar contra o abandono dos bondes e pedir a exoneração do secretário estadual de Transportes Júlio Lopes. Vestidos de preto, os manifestantes gritavam “Um, dois, três, Júlio Lopes no xadrez” e carregavam faixas e cartazes com escrito “Fora Júlio Lopes” de manhã, na Estação Carioca do bondinho, onde também homenagearam o motorneiro Nelson Correia da Silva, um dos 5 mortos. À noite, o protesto — no 115º aniversário do bonde — foi no Largo das Neves.
O grupo foi até a Alerj, onde, dia 15, às 10h, haverá audiência pública sobre os bondes. Lopes é esperado para se explicar. “Espero tratar com outro secretário e não com esse bandido. A covardia dele é proporcional à coragem de Nelson”, atacou o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Lopes não respondeu às críticas.
Inquérito contra Lopes
O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, está na mira do Ministério Público (MP). Ontem o Procurador-Geral de Justiça, Cláudio Soares Lopes, instaurou inquérito criminal para investigar a responsabilidade do secretário no acidente em Santa Teresa.
Lopes acumula a secretaria com a presidência da Central Logística, empresa que controla os bondinhos. No início da semana, ele disse que não tinha “responsabilidade direta” no acidente.
Reportagem de Fernanda Alves, Francisco Edson Alves e Mahomed Saigg

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