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terça-feira, 6 de setembro de 2011

De Lula a Che Guevara, arquivos descobertos em Santos detalham espionagem do Dops


De Lula a Che Guevara, arquivos descobertos
em Santos detalham espionagem do Dops

Documentos achados por acaso mostram que 45 mil pessoas foram investigadas
Wanderley Preite Sobrinho, do R7
dops_arquivos_700_jcJulia Chequer/R7
Arquivos do Dops concentram informações sobre 45 mil pessoas, que foram compiladas em 11.600 prontuários

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Descobertos por acaso depois de 25 anos esquecidos nos fundos do Palácio da Polícia da cidade de Santos (SP), os arquivos do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) revelam a história de espionagem contra 45 mil pessoas - principalmente durante o regime militar - que, enquanto estiveram pelo litoral de São Paulo, tiveram seus passos datilografados em 11.600 prontuários.

O historiador e coordenador do Arquivo Público do Estado, Carlos Bacellar, falou ao R7 do trabalho de recuperar esse material, encontrado nos fundos do Palácio da Polícia santista.

- Os documentos foram tratados no último ano. Tiramos toda a sujeira acumulada ao longo de décadas, tirarmos os vestígios de inseto para não contaminar o resto do acervo e estamos colocando uma parte dele à disposição da população.

As fichas contam parte da história de investigação de desconhecidos e ilustres opositores da ditadura militar (1964-1985), como o relato mensal sobre Carlos Lamarca, um dos líderes da luta armada no país, entre 1969 e 1971.

No relatório do dia 1º de setembro de 1969, os policiais falam em como seu grupo conseguiu roubar R$ 4,2 milhões (US$ 2,5 milhões) que pertenciam ao ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros, mas que ficaram com sua secretária após sua morte.

Os militares dizem que a ação foi descrita assim pelo próprio Lamarca: “... após demorada investigação, apuramos o lugar em que se encontrava a caixinha do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros”.

Já o relatório 353 do dia 15 de outubro de 1969 de outro ilustre comunista e líder da luta armada, Carlos Menezes Marighella, diz que “pessoa ligada ao comunismo comenta que o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick [em 1969] não teve a total aprovação de Carlos Marighella e já está havendo divergência no seio de seu próprio grupo”.

O texto de nove linhas diz que ele estaria tentando unir as alas dissidentes do PCB desde que iniciasse “desde logo a verdadeira luta revolucionária”.

Mas o maior arquivo foi reservado ao lendário Luís Carlos Prestes: duas páginas que contam até como a polícia seguiu seu “auto marca Fiat, cor branca, placa EQ 2607, de Goiás, ano de fabricação 1980” pelas ruas de Santos.

A ficha do então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva traz uma novidade, segundo a cientista política da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), Maria do Socorro: os policiais transcreveram um discurso do petista dizendo que barrou a entrada de Prestes no PT.

- Não havia histórico de declaração de Prestes dizendo que ele queria entrar no PT. A tendência de quem foi do Partidão [o PCB] era ficar dentro do PMDB para chegar ao poder utilizando sua estrutura partidária, já espalhada por todo o Brasil.

Até o ex-jogador Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, e o guerrilheiro argentino Che Guevara tinham suas pastas. Na de Pelé, recortes de jornal relatam o disparo de revólver que estilhaçou a janela de sua sala de troféus às 19h15 do dia 8 de dezembro de 1973. Na do revolucionário, há o seguinte texto do dia 9 de agosto de 1966:

“Consta que Che Guevara estaria para entrar no Brasil e que foi visto em países limítrofes na faixa entre Uruguai e Paraguai. Se realmente identificado, solicita-se a prisão imediata.”
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O ex-presidente Lula, que ganhou projeção política como líder sindical em São Bernardo do Campo (SP), também foi monitorado pelas autoridades - Foto: Julia Chequer/R7

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