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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Quadrinhos e História/ Influência sobre as crianças/ Super-homem e a crise de 1929

Quase de verdade
Larissa Jansson
As revistas em quadrinhos também são veículos de comunicação que possuem um poder ideológico. Além de entreter, buscam pregar idéias e valores aos seus leitores. Desde o nascimento do gênero de aventura nos quadrinhos a partir da década de 1920, os heróis e contextos deste universo foram influenciados pelos acontecimentos no mundo real. A história secular recente serve muitas vezes de pano de fundo para que heróis, anti-heróis e vilões interajam e vivam suas histórias.
Os Estados Unidos é o país que mais se destaca em unir elementos reais e de ficção a fim de pregar idéias e valores, não influenciando apenas os seus cidadãos, mas também boa parte do mundo ocidental. Momentos de crise econômica, participação nas guerras mundiais, a subseqüente guerra fria e a atual fase pós 11 de setembro e outros acontecimentos de ordem política e social influenciaram as histórias em quadrinhos.
“Sentinelas da Liberdade”Um claro exemplo foi o nascimento do Super-homem. A crise econômica de 1929 - ou a Grande Depressão - baixou o moral dos estadunidenses que sentiam pairar no ar uma atmosfera de incerteza quanto ao futuro. O inconsciente coletivo necessitava de algo que aliviasse a pressão do período difícil do qual se recuperavam. A crise produziu a necessidade de um herói, real ou não.
Foi neste cenário que o último kryptoniano surgiu nos quadrinhos em 1938: com a missão de manter a ordem e justiça, fortalecer as idéias e valores dos ianques além de reerguer a indústria dos quadrinhos. E foi o que aconteceu.
Com o começo da Segunda Guerra Mundial, as páginas das HQ's (História em Quadrinhos) americanas tornaram-se verdadeiros palanques para a difusão de idéias antifascistas. Nas histórias o presidente Franklin Delano Roosevelt convocava os soldados e super-heróis para defenderem o país. E esta ordem fez até com que antigos inimigos, como o Tocha Humana se unissem “em defesa da liberdade”.
Esta época marcou o início da carreira do talvez mais ideológico super-herói: O Capitão América. “O Sentinela da Liberdade” era a princípio Steve Rogers, um soldado que se submeteu a uma experiência do governo americano com objetivo de criar super soldados para lutarem no conflito. O projeto deu certo e a partir daí América venceu várias batalhas ao lado dos estadunidenses. Na capa da sua primeira edição em março de 1941 ele socava ninguém menos que Adolf Hitler
Guerra Fria e raios cósmicosO fim da Guerra dividiu o mundo nos blocos capitalista e comunista. Então se iniciou a guerra fria entre Estados Unidos e URSS, trouxe o medo de uma guerra nuclear e iniciou a corrida espacial.
Os soviéticos saíram na frente enviando o primeiro homem ao espaço em 12 de abril de 1961 e agravando a histeria anticomunista que dominava os EUA. Se no mundo real os americanos se apressavam para pisar primeiro na lua, nos quadrinhos um grupo de quatro amigos se preparava para uma viagem arriscada ao espaço com objetivos científicos.
O cientista Reed Richards, um jovem chamado Johnny Storm, sua Irmã Sue e Ben Grimm – veterano da Segunda Guerra – vão ao espaço e ao retornarem começam a desenvolver poderes estranhos após pousarem numa região contaminada por radiação cósmica. Nascia então o Quarteto Fantástico e seus membros adotaram novos nomes: Homem Elástico, Tocha Humana, Mulher Invisível e Coisa.
Na primeira edição da revista a personagem Sue Storm diz a Bem Grimm, relutante em pilotar a nave: “ Ben, nós temos que aproveitar esta chance! A menos que desejemos que os comunistas nos superem!” A revista foi um sucesso e os leitores puderam identificar na gênese deste novo grupo de super-heróis o desejo e a necessidade de chegar na frente dos rivais soviéticos.
Questões raciaisTemas sobre o ódio e preconceito contra as minorias, a discriminação dos que são tidos como “diferentes” e a terrível incapacidade que a humanidade tem de aprender com sua própria história foram causas de agitações sociais nos EUA nos anos de 1960 e 1970. Martin Luther King e Malcom X foram dois ícones de uma época conturbada em que os negros americanos protestavam contra a opressão e lutavam pela igualdade. Um contexto muito parecido é claramente reconhecido nas páginas dos X-Men, que debutaram no mundo dos quadrinhos em 1973.
O desenhista Stan Lee criou um grupo conhecido como mutantes - que na verdade são humanos evoluídos - e que por isso apresentam capacidades especiais. Este grupo de originalmente cinco personagens - Scott Summers (Ciclope), Warren Worthington III (Anjo), Jean Gray (Miss Marvel), Bobby Drake (Homem-de-Gelo) e Hank MacCoy (Fera) - foram reunidos pelo professor Charles Xavier, também mutante com forte poder de telepatia. Xavier explica a razão das características peculiares do grupo, ensinando-os a conquistar seu espaço no mundo e utilizar seus poderes em benefício da humanidade que os teme e odeia.
Com o tempo o grupo sofreu muitas alterações diminuindo, aumentando e criando subgrupos. Os Fabulosos X-Men foram um grande sucesso e garantia de aumento de vendas da Marvel. Os filhos do átomo também já protagonizaram duas aventuras nas telonas em 2000 e 2003 conquistando crítica e público. O terceiro filme: X-Men 3 – O Confronto Final estréia em maio deste ano.
Ao criar os X-Man, Stan Lee tinha um objetivo. “Queria criar histórias que lidassem com a inumanidade do homem com o próprio homem, o ódio racial, coisas a que me oponho, de maneira ativa. Então veio a idéia: sabemos que na natureza há mudanças, que plantas sofrem mutações, animais sofrem mutações. E se o homem sofresse mutações e, claro, porque os mutantes seriam diferentes eles seriam perseguidos, odiados pelo resto da humanidade. E, de alguma forma, poderíamos traçar um paralelo da relação entre mutantes e o resto da população, minorias e o resto da população. Acho que deu certo, pois se tornaram nossa série mais popular e tem uma ligação muito forte com o gosto da humanidade em geral.”
Esses fatores somados à exploração mais aprofundada do universo de alguns personagens fizeram com que muitos leitores se identificassem com eles. O resultado não foi apenas o sucesso das idéias de desenhistas e roteiristas, mas uma aproximação e quase fusão da fantasia com o real na mente dos apaixonados pelos quadrinhos.

Fonte: 
http://www.canaldaimprensa.com.br/canalant/59edicao/alem_fatos1.htm

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