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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A EDUCAÇÃO ROMANA



A EDUCAÇÃO ROMANA
PILETTI, C. E PILLETTI, N. Filosofia e História da Educação. Cap. 9. Editora ática, São Paulo, 2008.

Os romanos tinham uma mentalidade prática; procuravam alcançar resultados concretos adaptando os meios aos fins. Enquanto os gregos julgavam e mediam todas as coisas pelo padrão da racionalidade, da harmonia ou da proporção, os romanos julgavam tudo pelo critério da utilidade ou da eficácia. "Por isso os romanos sempre consideraram os gregos como um povo visionário e ineficiente, enquanto os gregos consideravam os romanos como bárbaros sórdidos, com força de caráter e valor militar, mas incapazes de apreciar os aspectos superiores da vida." (monroe, P. Op. cit., p. 77.)
O Ideal Romano De Educação
O ideal romano de educação decorre, principalmente, da concepção de direitos e deveres. O cidadão romano tinha os seguintes direitos:
• o direito do pai sobre os filhos (pátria potestas),
• o direito do marido sobre a esposa (manus),:
• o direito do senhor sobre os. escravos (potestas dominica);
• o direito de um homem livre sobre o outro que a lei lhe dava por contrato ou por condenação judiciária (manus capere);
• o direito sobre a propriedade (dominium). .
A tais direitos correspondiam os deveres. E para cumprir seus deveres o cidadão romano precisava possuir uma série de aptidões e virtudes. Desenvolver tais,aptidões, era o papel da educação.
E quais eram essas aptidões e virtudes? As principais eram as seguintes:
• a piedade ou a obediência, que incluía tanto a ideia religiosa de reverência como a noção de respeito à autoridade paterna;
• a varonilidade ou firmeza, que atualmente chamamos de caráter (constantia); era uma virtude muito valorizada entre os romanos;
• a bravura ou a coragem, que impelia o romano a nunca abandonar voluntariamente uma luta antes de ter vencido;
• a prudência, que devia ser utilizada principalmente na direção dos negócios particulares;
• a honestidade, que consistia principalmente na perfeita conduta em todas as relações económicas;
• a seriedade (gravitas), que incluía a sobriedade na conduta, a compostura.
Para o indivíduo, todas essas virtudes estavam reunidas no ideal do dever; para o Estado, no ideal de justiça.
A FAMÍLIA COMO CENTRO DA EDUCAÇÃO ROMANA
Numa educação centralizada na formação do caráter moral das pessoas, é evidente que a família desempenha papel muito importante.O pai é o principal responsável pela educação dos filhos, mas o carater Pratico do povo romano atribui especial importância à mulher nessa tarefa e em outras relacionadas com o lar. A situação da mülher em Roma era mais elevada do que no restante dos impérios da Antiguidade.
Embora não chegasse a participar da vida pública, a mulher exercia grande autoridade dentro da família. Era comum, na educação de crianças e jovens, serem apresentados Exemplos concretos da virilidade romana. Nenhum outro povo utilizou Tãoeficazmente as personalidades de importância de sua própria história E o modelo ideal era em primeiro lugar, o ancestral da família,depois o da comunidade.
A IMITAÇÃO COMO MÉTODO DE EDUCAÇÃO
Enquanto os heróis gregos eram semideuses que dificilmente poderiam ser imitados, os heróis romanos, ao contrário, podiam ser imitados por todo menino romano. Por isso a característica fundamental do método da educação romana era a imitação.O jovem romano tinha de tornar-se piedoso, respeitoso, corajoso,varonil, prudente, honesto pela imitação de seu pai e de outros romanos cujo heroísmo merecera ser consagrado pelas lendas e histórias do país.Esses heróis, convém ressaltar, eram homens reais que andavam nas ruas de Roma e se reuniam no Fórum.
Com relação ao método, outro aspecto que se destaca é que osromanos rejeitavam como sinais de afeminação, o treino ginástico,a dança, a música, a literatura, enfim todos os meios educativos utilizados pelos gregos. "Entre os romanos não havia ginásios. Promovia-se o desenvolvimento físico nos campos marciais e no acampamento, e por meio de exercicios militares completados pela prática real da participação na vida rural. De qualquer forma a educação dos meninos era feita ou por um aprendizado dos ofícios de soldado, de agricultor, de estadista, ou pela participação direta nas atividades que lhes seriam requeridas como cidadãos. O método romano era, pois, o método característico da educação prática – Aprendia-se fazendo a coisa que se tinha_de_fazer." (Id., ibid., p. 81-2
A PRIMITIVA EDUCAÇÃO ROMANA (753-250 A.C.)
Durante esse período predominaram de maneira especial os aspectos que acabamos de mencionar sobre a educação romana. O lar era praticamente a única escola. Bem cedo, porém, o menino tornava-seo companheiro de seu pai nos negócios públicos e privados, na rua,no Fórum e no acampamento.Dava-se especial importância à educação moral. A disciplina era severa e os ideais eram_seguidos rigorosamente.
Durante a ultima parte desse período surgiram as escolas elementares que passaram a ministrar os rudimentos das artes de ler, escrever e contar; Estas escolas eram conhecidas como ludi, palavra latina que significa jogo, divertimento ou brinquedo.Receberam esse nome por que a instrução nas artes de ler e calcular representava uma "diversão"quando comparada com a educação no lar. O mestre dessas escolastinha o nome de ludi-magister
A INTRODUÇÃO DAS ESCOLAS GREGAS (250-50 A.C.)
Através de suas vitórias militares, os romanos estenderam seu domínio pela Itália e fora dela. A Grécia, ao ser transformada em província romana (146 a.C.), passou a influir decisivamente sobre a culturado conquistador.O contato seguido com outros povos fez com que a educação romana deixasse de ser estritamente nacional e passasse a receber grande influência de outros elementos culturais.
"Os militares, comerciantes e diplomatas necessitavam do conhecimento da língua grega para melhor desempenho de seus empreendimentos; a guerra e a política se tornaram cada vez mais complexas e difíceis; a jurisprudência foi se convertendo numa disciplina que exigia certos conhecimentos não mais suscetíveis de serem aprendidos pela audição das dissertações públicas; por fim, a arte oratória chegou a ser o meio mais eficaz para ocupar as magistraturas ou influir poderosamente na vida social.Como se pode compreender, a velha escola do ludi-masisteja nao podiasatisfazer por si mesma .as novas exigências; junto dela se foi gerando um novo tipo de instituições." (larroyo, F. Op. cit.,p. 207-8.)
Podemos citar como exemplos de tais instituições as escolas gregasde gramática e de retórica. Posteriormente, a escola de retórica latina abriu campo mais vasto para_esse tipo de educação, atingindo maiorparcela da população.
O INÍCIO DO PERÍODO IMPERIAL (27 A.C.-200 D.C.)
Sob o Império, que teve início em 27 a.C., após o término daRepública, ocorreram importantes acontecimentos históricos que precisamos ter presentes para entender as transformações da educaçãoromana. Graças à prosperidade material, surgiram o luxo e uma aguda visão de classes sociais. Muitos ex-escravos, libertos, chegam a ser poderosos. Os que exercem profissão produtiva, como os mestres, os artistas e os artesãos, vivem à custa dos ricos, aos quais rendem honras.Com as mudanças históricas a cultura grega continua se impondo nos mais diversos aspectos da vida romana. O tipo de saber que tinha maior aceitação no período imperial era a retórica'. E os gregos eram os grandes mestres nessa arte.
A escola do retórico em Roma, a exemplo da escola dos sofistas ou da dos últimos retóricos gregos, ministrava um treino completo em oratória as escolas de retórica eram frequentadas por aqueles que pretendiam dedicar-se a uma carreira pública. Para o romano a oratória era o meio através do qual ele podia tornar o seu saber útil para os seus semelhantes. Os grandes guerreiros da época eram também grandes oradores. E, muitas vezes, eles eram grandes líderes porque eram grandes oradores:"O orador era maior que o filósofo, porque o orador incluía o filósofo. As funções desempenhadas na sociedade moderna pelo púlpito, imprensa, tribuna pública e judiciária, debate legislativo,mesmo pela universidade, eram naqueles tempos desempenhadas pelo orador”.(MONROE, P. Op. cit., p. 87.)
Com o tempo a educacâo retorica se transformou num simples treino para aquisição de habilidades de falar em público, sem se preocupar com o conteúdo do discurso. Por esse motivo muitos pensadores passaram a censurar tais escolas. Para preencher essas deficiências surgiram o estudo da ciência do Direito e da Filologia. Assim, passou a se tornar indispensável uma formação sistemática do jurista e magistrado.Surgiram também os professores de Direito. Roma e Constantinopla tiveram os melhores centros docentes desse genero, junto aos quais floresceram as escolas de filósofos e os institutos helenísticos, onde se desenvolviam as ciências particulares.Tais instituições, por sua vez, tornaram possível o surgimento das universidades em Roma. A fundação do Ateneu - centro de cultura no qual retóricos e poetas instruíam a juventude - pelo imperador Adriano foi o primeiro passo para a organização das universidades. As universidades romanas surgiram não apenas para reunir diversas disciplinas, mas principalmente_para reunir professores e alunos que a elas se consagravam.Na época imperial o sistema de ensino romano compreendia os seguintes graus:
1°) as escolas dos ludi-magister, que ministravam a educação elementar;
2°) as escolas do gramático, que ensinavam grego e latim e que correspondem ao que hoje chamamos de curso secundário;
3°) os estabelecimentos de educação terciária, que se iniciaram com a escola do retórico e que, acolhendo o ensino de Direito
e de Filosofia, converteram-se numa espécie de universidade.
O DECLÍNIO DA EDUCAÇÃO ROMANA
O que mais caracteriza a decadência da educação romana é o fato de ela ter passado a se limitar à classe mais elevada. “A educação já não se destina a ser a educação prática de todo o povo, mas o ornamento de uma sociedade oca, superficial e geralmente corrupta já nao é um estádio de desenvolvimento possível para um povo inteiro, ou para indivíduos de dada categoria, mas a simples obtenção ou mesmo mera insígnia de distinção de uma classe favorecida. Quando o antigo vigor político e as oportunidades para as atividades políticas desapareceram, quando o governo municipal se tornou mera máquina para coletar impostos, quando o exército se encheu de bárbaros, a classe superior,agora mais numerosa do que nunca, voltou-se para o único traço remanescente da primitiva Roma imperial — sua cultura." (Id., ibid., p. 91.)
Assim, a educação ministrada pela primitiva Igreja Cristã veio,gradualmente, substituir a decadente educação romana. Esta, mesmo mantendo sua estrutura apôs os bárbaros terem conquistado o Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., perdeu a sua importância social.

PILETTI, C. E PILLETTI, N. Filosofia e História da Educação. Cap. 9. Editora ática, São Paulo, 2008.

4 comentários:

  1. otimo muito bom! Minha professora de historia utilizou esse texto na universidade.

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  2. ótimo, faço formação de professores e usamos esse livro para a matéria de História e Filosofia da educação.

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  3. gostei deste trabanho porque o minha tia foi muito logem por est trabalho

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  4. Amei o trabalho, explica tudo !

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