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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Vídeo rebate novela de globais contra Belo Monte

29 DE NOVEMBRO DE 2011 - 15H00 

Vídeo rebate novela de globais contra Belo Monte


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Um vídeo produzido por alunos do curso de Engenharia Civil e de Economia, da Universidade de Campinas (Unicamp), rebate o Movimento Gota D’Água, promovido por atores globais contra a construção da Usina de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará. O vídeo dos estudantes faz parte do Movimento Tempestade em Copo D’água?, que é possível acompanhar pela internet.



Com informação e argumentos bastante claros, jovens se revezam para explicar sua construção e suas conseqüências, abrindo um debate amplo e transparente sobre o tema. “Você provavelmente já ouviu falar de Belo Monte. Desenvolvimento Sustentável e energia limpa”, assim começa o vídeo, usando uma linguagem similar a do vídeo feito pelos atores da Rede Globo.

Os estudantes de engenharia desmentem alguns argumentos contra Belo Monte como o de que a usina produzirá somente um terço de sua capacidade. “Belo monte é a terceira maior em potencial energético (do mundo), não em área alagada. Nenhuma usina do mundo produz 100% de sua capacidade instalada. Nem Itaipu ou Três Gargantas, que são as duas maiores do mundo produzem(sua capacidade total)”, afirmam os jovens.

Outro ponto bastante esclarecedor do material é o quanto será investido e de onde sairão os recursos. Segundo fontes utilizadas pelos globais, R$ 30 bilhões de reais serão gastos na construção da usina, sendo 80% vindos da arrecadação de impostos. No entanto, segundo engenheiros da Eletronorte, que desde os anos 1970 estudam a questão, estimam R$ 19 bilhões para sua construção. Os estudantes lembram que R$ 19 bilhões é o valor, por exemplo, da dívida que Banco Central "perdoou" quatro banqueiros recentemente.

O fato da maior parte do investimento sair do bolso do brasileiro, outro ponto bastante repetido pelo vídeo dos atores, os estudantes afirmam: ”Realmente, somos nós que pagaremos o dinheiro da usina, o povo brasileiro, do tesouro nacional. Como poderia ser diferente? Com dinheiro de bancos privados nacionais, ou estrangeiros? Felizmente, graças à recuperação do Brasil nos últimos anos, a gente tem dinheiro para bancar essa obra. Sem precisar de financiamentos estrangeiros ou de submeter nosso patrimônio ao FMI (Fundo Monetário Internacional) ou Banco Mundial. Se usarmos o dinheiro da iniciativa privada, eles entram com a grana, mas acabam ficando com a usina”, afirma o elenco de engenheiros da Unicamp.

Mais informações no site do Movimento aqui 

Confira o vídeo abaixo:




Conheça os números de Belo Monte: 



da redação do Vermelho



http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=169758&id_secao=8

Facebook admite erros e faz acordo sobre privacidade com EUA

Facebook admite erros e faz acordo sobre privacidade com EUA

Rede social ficará sob vigilância do governo americano pelos próximos 20 anos

Claudia Tozetto, iG São Paulo 29/11/2011 18:05 - Atualizada às 20:13

O Facebook e a Federal Trade Commission (FTC), órgão do governo americano, anunciaram nesta tarde que chegaram a um acordo para que o Facebook solucione as acusações sobre violações à privacidade dos usuários da rede social. Com o acordo publicado no site da FTC, o Facebook aceitou que auditorias independentes tenham acesso a todos os bancos de dados dos usuários e registros do sistema por 20 anos. Assim, será possível que as auditorias verifiquem se a empresa respeita as políticas de privacidade publicadas em seu site.
Em uma mensagem no blog oficial, Zuckerberg admitiu que o Facebook cometeu erros em relação a privacidade de seus usuários. "Sou o primeiro a admitir que cometemos vários erros. Em particular, acho que um pequeno número de erros muito divulgados, como o projeto Beacon e nossas mudanças de privacidade de dois anos atrás, acabaram escondendo o bom trabalho que fizemos", disse o executivo.



Foto: Getty ImagesAmpliar
Zuckerberg aceita acordo com FTC que colocará Facebook sob vigilância por 20 anos
O acordo também proíbe o Facebook de fazer declarações falsas sobre a privacidade ou segurança dos dados informados pelos internautas que usam a rede social; solicita que o site peça consentimento dos usuários antes de compartilhar qualquer informação ou antes de alterar a política de privacidade vigente; obriga o Facebook a prevenir que qualquer pessoa acesse os dados de um usuário após 30 dias da exclusão de uma conta; obriga a rede social a criar um programa interno para assegurar a execução de suas políticas de privacidade; e estabelece que a primeira auditoria externa será realizada em 180 dias.
O acordo foi anunciado após anos de negociação entre o Facebook e a FTC, que começou em dezembro de 2009, quando o Facebook modificou sua política de privacidade sem o consentimento dos usuários e diversas informações que foram primariamente classificadas como privadas se tornaram públicas. Depois disso, a FTC também notificou o Facebook por permitir que sites de terceiros acessassem informações pessoais dos usuários.
No anúncio sobre o acordo, a FTC frisa que o Facebook não cumpriu as promessas sobre privacidade que fez aos usuários. Entre elas, a rede social afirmou que ao classificar um conteúdo como "Só para amigos", ele não seria compartilhado com outros usuários, o que não era verdade. Outra "mentira", segundo a FTC, tem a ver com a segurança de alguns aplicativos usados na rede social que, na verdade, o Facebook nunca assegurou.
"O Facebook será obrigado a cumprir suas promessas sobre privacidade que faz a milhões de usuários. A inovação do Facebook não precisa acontecer às custas da privacidade dos consumidores", diz Jon Leibowitz, presidente do conselho da FTC. A FTC colocará o acordo em consulta pública pelos próximos 30 dias. Caso o Facebook não cumpra o acordo, a FTC cobrará uma multa de US$ 16 mil por dia. Além do Facebook, o Twitter já fez um acordo semelhante com a FTCsobre a privacidade dos usuários.
Zuckerberg fala sobre a privacidade no Facebook
Em uma mensagem no blog do Facebook, Mark Zuckerberg, CEO da rede social, falou sobre os valores do Facebook em relação a privacidade dos usuários. "A ideia de garantir que as pessoas tenham completo controle das informações que publicam fazem parte do núcleo do Facebook desde o primeiro dia", disse o executivo. Ele frisou que a equipe do Facebook liberou mais de 20 novas ferramentas de controle de privacidade nos últimos 18 meses.
SAIBA MAIS:Facebook facilita acesso a configurações de privacidade
Confira os principais ataques a segurança do Twitter em cinco anos
Em defesa do Facebook, Zuckerberg disse que a equipe já atendeu diversas solicitações da FTC, mesmo antes de firmar o acordo. Para atender o acordo, a rede social se submeterá a duas auditorias independentes por ano - no anúncio oficial, a FTC não estabeleceu quantas auditorias teriam que ser realizadas por ano.
Além disso, Zuckerberg nomeou dois novos executivos para cuidar dos assuntos relativos à privacidade dos usuários. Erin Egan e Michael Richter serão chamados de CPOs (diretores de privacidade, na sigla em inglês). Enquanto Erin criará as políticas internas de privacidade e negociará com órgãos reguladores, Richter será responsável por assegurar que as políticas sejam integradas aos produtos durante a fase de desenvolvimento.
Europa também define políticas
Na Europa, o Facebook também terá que se ajustar a uma nova lei de privacidade, que deve entrar em vigor em janeiro de 2012. De acordo com a nova regulação, a rede social não poderá vender informações pessoais dos usuários do Facebook  para terceiros, como empresas de publicidade, para direcionar anúncios. Segundo a Comissão Europeia, apesar de o Facebook armazenar os dados dos usuários nos EUA, terá que cumprir a legislação local, caso contrário será processado.
Opine sobre o assunto também em nossa área para comentários no fim desta página

Entenda a "Primavera Árabe".


Indicação do Prof. Arnaldo Henrique

Privatização do Maracanã

O governador Sérgio Cabral anunciou que o Maracanã será entregue à iniciativa privada em 2013, antes mesmo da realização da Copa das Confederações.
Depois de destruir um patrimônio histórico e cultural desrespeitando totalmente o projeto original do Maraca, depois de gastar um bilhão de reais do nosso dinheiro, o governador pretende dá-lo de mão beijada à iniciativa privada.
Ele afirmou que o modelo será o mesmo do Engenhão, que não é um estádio e sim um estúdio de televisão e pelo qual o Botafogo paga um aluguel equivalente a 88 anos para cobrir as despesas  de sua construção.
A Secretária de Esportes e Lazer, Márcia Lins, afirmou ao jornal O Globo (edição de 22/11/2011) que o Maracanã tem que ser privatizado porque vai quadruplicar a sua receita.
Ou seja: os contribuintes pagam o investimento e a iniciativa privada fica com o lucro.
Contra mais este descalabro, o Comitê Popular da Copa e da Olimpíada está convocando todos a participarem de um abraço em defesa do Maracanã contra a privatização:

Campanha O Maraca é Nosso
Sábado, 3 de dezembro, 10 horas

Pontos de encontro:
- No Bellini: americanos, rubro-negros e tricolores
- Na entrada da UERJ: botafoguenses e vascaínos

Debate sobre a educação

SOU GAY, E DAÍ? - GNT

GNT - SOU GAY, E DAÍ?


O documentário aborda a polêmica questão da homossexualidade inata ou adquirida. Há entrevistas com cientistas americanos contemporâneos que alegam ter descoberto o "gene gay" e com famílias homossexuais que temem ter influenciado os filhos, também gays. O documentário deixa claro que a discussão é sensível e independe das questões políticas sobre a igualdade de direitos para todos..

Canal: GNT (Brasil)
Duração: 45 minutos
Idioma: português (portuguese no subtitles)
Codec: Dvix
Formato do Vídeo: 16:9
Qualidade: PDTV-RIP (Qualidade equiparada ao DVD)

Read more: http://tabernadahistoria.blogspot.com/2011/11/gnt-sou-gay-e-dai.html#ixzz1fBdqGkXJ

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Provas de HFE - 4º Bimestre

           
Turma 3008: Tipo A
Turma 3001: Tipo B
Turma 3002: Tipo C
Turma 3003: Tipo D
Turma 3004: Tipo E

Golpe de Estado

Charge

Maringoni

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Militares ainda temem Comissão da Verdade

Militares ainda temem Comissão da Verdade

Para eles, objetivo é criar bases legais para um processo de mudança na Lei da Anistia

27 de novembro de 2011 | 3h 04

ROLDÃO ARRUDA - O Estado de S.Paulo
Não deram certo as longas negociações e concessões do governo para acalmar os militares em relação à Comissão da Verdade. Desde que foi aprovada pela presidente Dilma Rousseff, nove dias atrás, observa-se uma crescente inquietação nesse meio quanto aos rumos da comissão. Teme-se, sobretudo, a possibilidade de caminhar para um processo de judicialização.
Com os militares da ativa legalmente impedidos de se manifestar sobre questões políticas, a reação ocorre por meio de oficiais da reserva. Fala-se até na formação de uma frente para impedir ações da comissão.
Na semana passada, o capitão da reserva José Geraldo Pimentel divulgou em seu site uma carta na qual afirma que o primeiro passo da comissão será criar bases legais para um processo de mudança na Lei da Anistia. Em seguida, continua, os agentes das Forças Armadas serão levados a tribunais.
"Condenar os militares e agentes do Estado que lutaram contra os ex-terroristas e ex-guerrilheiros é o grande objetivo", diz. Para evitar que isso ocorra, o autor recomenda aos militares que ainda mantêm documentos sobre aquele período que não os apresentem.
"Se vocês tiverem em seu poder registros dos acontecimentos da luta travada contra os comunistas, desfaçam-se dos documentos, ou os guardem em lugar seguro", assinala. "Só a posteriori, quando o rancor da vingança desaparecer, é que poderão torná-los públicos."
Manifestações semelhantes partiram de vários outros pontos na internet. O Clube Militar do Rio criou um link em seu site para abrigar manifestações sobre a comissão. Um dos artigos, assinado pelo general da reserva Maynard Marques de Santa Rosa, qualificou-a de "estratagema de um grupo de vingadores obstinados, dirigida aos que lhes frustraram o projeto de aqui implantar a tirania contraditória".
ROLDÃO ARRUDA - O Estado de S.Paulo
Críticas. Entre familiares de mortos e desaparecidos no período da ditadura, assim como no meio de partidos à esquerda do espectro político, o movimento ocorre é contrário: critica-se o governo pelas concessões.
Segundo o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), esses militares da reserva ainda acreditam que têm força para criar uma crise institucional e política no País tentam intimidar o governo. "Mas isso não existe. Eles não têm projeto para o País nem representam a nova geração de oficiais, que não devem carregar a canga daquele passado", diz o deputado. "O melhor para a nova geração seria apoiar a apuração dos fatos."
Nesse cenário, segundo o deputado, o pior papel é o do governo, que cede às pressões. "Foi vergonhosa a decisão de impedir que um representantes dos familiares falasse na cerimônia de instalação da comissão", lembra.
Nos dois lados do debate as atenções estão voltadas agora a escolha das sete personalidades públicas que farão parte da comissão. As manifestações dos militares destinam-se em grande parte a influir na decisão da presidente Dilma.

Poder público perde controle e obras da Copa já estão R$ 2 bilhões mais caras

Poder público perde controle e obras da Copa já estão R$ 2 bilhões mais caras

Pressão política que levou à alteração de parecer no Ministério das Cidades é exemplo da elevação

27 de novembro de 2011 | 23h 45
Rafael Moraes Moura, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - A fraude no Ministério das Cidades que abriu caminho para a aprovação do projeto de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá, R$ 700 milhões mais caro que o original, é apenas um dos exemplos de como o custo das obras da Copa do Mundo escapou do controle público. No que diz respeito à mobilidade urbana, os gastos totais aumentaram R$ 760 milhões, quando comparada a atual estimativa à previsão inicial de janeiro de 2010. O caso de Cuiabá foi revelado pelo Estado na última quinta-feira.
Levando-se em conta a alteração orçamentária dos estádios, o aumento total das obras da Copa supera R$ 2 bilhões.
A mudança de planos em Cuiabá atendeu aos apelos do governador de Mato Grosso, Sinval Barbosa (PMDB). Além de Cuiabá, houve aumento de preço nas obras de mobilidade urbana em outras cinco cidades: Belo Horizonte, Manaus, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro.
Em Belo Horizonte, o BRT da avenida Cristiano Machado saltou de R$ 51,2 milhões para R$ 135,3 milhões, acréscimo de 164,3%. Em Manaus, o valor global das duas obras previstas - um monotrilho, já criticado pela Controladoria-Geral da União (CGU), e uma linha rápida de ônibus - aumentou 20%.
O prolongamento da Avenida Severo Dullius, em Porto Alegre, ficou 70% mais caro. Todas as cinco obras de mobilidade urbana programadas para Recife encareceram - entre elas, o BRT Leste/Oeste - Ramal Cidade da Copa, que aumentou de R$ 99 milhões para R$ 182,6 milhões (84,40% de diferença). O Corredor Caxangá (Leste/Oeste), por sua vez, agora custa R$ 133,6 milhões, ou 80,54% a mais.
Exceção. Em São Paulo, por outro lado, a obra do monotrilho despencou de R$ 2,8 bilhões para R$ 1,8 bilhão, o que, no conjunto, reduziu o impacto do aumento de preço em outros Estados. Já em Fortaleza não houve mudança nos investimentos. Em Brasília, a variação foi mínima: 4,48%.

domingo, 27 de novembro de 2011

José Cláudio Alves - Rocinha: uma favela conveniente à classe média

José Cláudio Alves - Rocinha: uma favela conveniente à classe média
O Rio de Janeiro permite tiro de fuzil em favela, mas não permite mais tiros de fuzil nas ruas da Zona Sul”, declara José Cláudio Alves à IHU On-Line, referindo-se à ocupação da Rocinha nos últimos dias. Para ele, a ocupação anunciada aconteceu porque a “Rocinha é uma das favelas de grande expressão no cenário do Rio de Janeiro, porque está na fronteira entre a área da Zona Sul e a área que vai para a Zona Oeste, para a Barra da Tijuca, para São Conrado. Atrás da Rocinha também tem a Gávea, então, a favela fica localizada numa das áreas mais ricas da cidade. Portanto, jamais seria feita uma ocupação usando a mesma lógica que se utilizou no Alemão”.

Na avaliação do sociólogo, a Rocinha é diferente das demais favelas do Rio de Janeiro porque é formada por uma população nordestina que tem presença muito forte em toda a área da Zona Sul. “A Rocinha expressa o interesse racial da classe dominante daquela região, que tem preferência por ter, dentro de seus prédios, pessoas brancas”, aponta.

Para o sociólogo, a prisão do traficante Nem é estratégica, mas ele continuará controlando o tráfico de dentro do presídio. “Ele vai ser penalizado e sabe disso, mas, por outro lado, ele também sabe que a sua liderança será preservada até porque, para que a estrutura que está montada na Rocinha se mantenha, é preciso realizar um acordo com ele. A intenção da polícia agora é ocultar o tráfico de droga, de armas sob um manto de uma pacificação da polícia”, avalia.

Na entrevista a seguir, concedida por telefone para a IHU On-LineAlves questiona a estrutura policial, fala dos desafios das UPPs e dos acordos estabelecidos entre os traficantes e os policiais. E questiona: “O que mudou nesse país desde 1960? Uma juíza foi assassinada recentemente e um deputado estadual tem que sair do país para poder sobreviver”. E responde: “Hoje nós temos uma estrutura democrática, legítima, eleita, fazendo algo muito mais grave, muito mais intrincado e percolado do que a ditadura foi capaz de fazer”.

José Cláudio Souza Alves é graduado em Estudos Sociais pela Fundação Educacional de Brusque. É mestre em sociologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio e doutor na mesma área pela Universidade de São Paulo – USP. Atualmente é professor na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como o senhor analisa a anunciada ocupação da Rocinha e a forma como a favela foi ocupada? A ocupação foi anunciada pelo fato de a Rocinha estar localizada entre bairros de classe média?

José Claudio Alves –
 Naquela época, quando houve a invasão do Complexo Alemão, a polícia já havia anunciado a possibilidade de ocupar a Rocinha. Naquele momento eu disse que a ocupação não aconteceria da mesma forma que aconteceu no Alemão, ou seja, como uma construção político-midiática, com o uso de armamento de guerra, com tanques passando por cima de carros, com o Exército entrando nas ruas, etc.

A Rocinha é uma das favelas de grande expressão no cenário do Rio de Janeiro, porque está na fronteira entre a área da Zona Sul e a área que vai para a Zona Oeste, para a Barra da Tijuca, para São Conrado.Atrás da Rocinha também tem a Gávea, então, a favela fica localizada numa das áreas mais ricas da cidade. Portanto, jamais seria feita uma ocupação usando a mesma lógica utilizada no Alemão. Não é possível fazer o mesmo tipo de ocupação porque a classe média não permite. Além disso, o Estado e os grupos políticos não possuem interesse em promover tal tipo de ação, porque isso assustaria os moradores da Zona Sul. Lembre-se que o Rio de Janeiro permite tiro de fuzil em favela, mas não permite mais tiros de fuzil nas ruas da Zona Sul.

Segurança pública diferenciada

A questão da segurança pública tem tratamento diferenciado para cada segmento social, e a Rocinha expõe demais a Zona Sul para que se possa fazer a mesma coisa que se fez no Alemão. Por isso a ocupação da favela foi anunciada e não houve confrontos, tiroteios. A ocupação está sendo negociada há muito tempo. Há um acordo progressivo de reestruturação do crime naquela comunidade para viabilizar os interesses do tráfico, que vai continuar. A favela permite o acesso às drogas por parte da classe média da Zona Sul, de São Conrado, da Barra. Artistas e músicos consomem drogas dentro da Rocinha, e a favela é uma das áreas mais seguras para consumo de drogas no Rio de Janeiro, porque ninguém importuna a Rocinha. Há muitos anos se estabeleceu o turismo dentro da favela e lá também existem mais de 200 ONGs que têm um histórico de relação com a Zona Sul, com a sociedade, com a classe média, com a classe artística.

Apesar de a favela ter sido ocupada, isto não significa que a comunidade mais pobre da Rocinha não vá sofrer as mesmas consequências que a comunidade do Alemão sofreu. Depois da ocupação da favela, foram encontradas inúmeras armas que haviam sido enterradas pelos traficantes. É claro que a polícia sabia onde estava esse material, porque isso faz parte do acordo entre a polícia e os traficantes. O problema é que as armas, como aconteceu no Alemão, podem vir a ser comercializadas.

IHU On-Line – Pode nos contar a história da Rocinha, que é considerada por muitos pesquisadores a maior favela da América Latina? Como a favela surgiu e se modificou ao longo dos anos? E o que diferencia a Rocinha das demais favelas?

José Claudio Alves – 
Rocinha é uma favela muito específica. Ela não tem, como na maioria das comunidades do Rio de Janeiro, muitos habitantes negros. Há uma maciça presença de nordestinos brancos, principalmente cearenses. Essa população nordestina tem uma presença muito forte em toda a área da Zona Sul, porque eles trabalham para a classe média. A Rocinha expressa o interesse racial da classe dominante daquela região, que tem preferência por ter, dentro de seus prédios, pessoas brancas. Isso está expresso na composição étnica da comunidade da Rocinha. Os moradores da favela trabalham como garçons, atuam na construção civil, prestam serviços de jardinagem, etc. Há uma relação direta dessa população com a mão-de-obra local. No Alemão, a maioria da população é negra e trabalha na periferia, nos lugares em que a classe média não vê problema nenhum em deixar o negro e o pobre trabalhando.

Dentro da Rocinha se constituiu um grande comércio em termos de restaurantes, lojas, prestação de serviços. A população da Zona Sul tem acesso também a tais espaços. Ao longo do tempo, a Rocinha também foi se constituindo uma área de interesse de várias ONGs para implantar seus projetos. Atuam na comunidade ONGs sérias, que tem de fato uma relação com a população, mas inúmeras delas estão vinculadas a outros interesses políticos e econômicos. A família Andrea Gouvêa tem sua base dentro da Rocinha por causa de interesses políticos. Existe um livro chamado Sorria, você está na Rocinha, do JulioLudemir, que retrata essa situação. Ele morou na Rocinha e teve que sair da favela porque, se não saísse, seria morto pelas ONGs. No livro ele retrata todo este universo de interesses de grupos não governamentais.

No início dos anos 2000 aconteceu um confronto aberto entre policiais e traficantes dentro da Rocinha e a mídia toda do Rio de Janeiro veiculou isso. A Rocinha foi mencionada na mídia internacional. O confronto se estendeu para a autoestrada da Lagoa/Barra, onde circula a classe média com poder aquisitivo elevado. Depois disso, não houve mais confrontos porque a população rica da região não pode se sentir ameaçada. Afinal de contas, matar pobre favelado no Alemão não tem problema nenhum. Agora, atingir o interesse privado, a individualidade blindada que está circulando livremente, é inaceitável.

Depois desse acontecimento, retomou-se o debate sobre a remoção de favelas, e eu fui para a Rocinha conhecer a história daquela comunidade. É uma história surreal. Dois grupos estavam em confronto. De um lado, estava o Comando Vermelho, que anteriormente dominava a comunidade e, de outro, os Amigos dos Amigos, que hoje controla o crime organizado na região. Na época, o traficante líder na Rocinha havia saído da prisão e, na ocasião, o Bope entrou na comunidade obrigando os traficantes que estavam lá a entrarem em confronto com a polícia. Toda a atenção dos traficantes se voltou para o confronto com esta operação militar. Enquanto isso, por trás da favela, pela estrada da Gávea, entrava na Rocinha um comboio do traficante que havia sido libertado. Esse comboio passou por inúmeros carros do aparato policial e ocupou a favela pelo outro lado. A partir disso, percebe-se que essa foi uma operação casada para garantir a reestruturação do tráfico dentro da favela, de acordo com os interesses do aparato policial que esteve vinculado a isso.

Os moradores contam essa história e dizem que, na favela, ocorrem inúmeras negociações e “jogadas” que envolvem muito dinheiro, e afirmam que há uma relação direta da comunidade com a Zona Sul e a Zona Oeste rica da cidade. Essa situação precisa ser compreendida para entender o que está acontecendo na Rocinha neste momento. Essa facção, que em função de um acordo entrou na Rocinha no início dos anos 2000 para controlar a favela, permanece fazendo acordos e negociando a sua continuidade na comunidade, sem ferir os interesses dos vários grupos envolvidos, sobretudo, os interesses do próprio aparato policial que está ali comprometido.

IHU On-Line – Quem é o traficante Nem? O que a prisão dele significa e como o senhor avalia a exibição do traficante como troféu por parte da polícia?

José Claudio Alves –
 Há alguns meses Nem estava retornando do Vidigal com um comboio de traficantes – ele ia com frequência para o Vidigal participar de festas –, quando aconteceu um confronto entre policiais militares e traficantes. Os traficantes se alojaram dentro de um Hotel próximo à Barra da Tijuca, e a classe média ficou em pânico. A mídia veiculou a notícia de que um número grande de traficantes participou da operação, mas um jornalista do jornal O Globo investigou o caso e descobriu que a operação dos policiais não tinha sido autorizada pelos superiores. A partir dessa situação, percebemos que os policiais foram ao encontro do Nem para obter mais dinheiro. Há uma prática muito comum no Rio de Janeiro em que policiais sequestram traficantes e depois pedem resgate por eles. A meu ver, era essa a operação que iria ocorrer ali. Esse fato já revela que havia um acordo entre a polícia e os traficantes.

Nem tem peso no Rio de Janeiro porque ele está em uma favela estratégica, que consome muita droga e gera bastante dinheiro. Ele nunca vai expor toda a estrutura do tráfico, porque isso faz parte do jogo. Ele vai ser penalizado e sabe disso, mas, por outro lado, ele também sabe que a sua liderança será preservada até porque, para que a estrutura que está montada na Rocinha se mantenha, é preciso realizar um acordo com ele. A intenção da polícia agora é ocultar o tráfico de drogas, de armas sob um manto de uma pacificação da polícia. A polícia tem interesse em preservá-lo, em expor somente o necessário para que todos o vejam como o grande criminoso. Ele é o cara que vai, de dentro da estrutura penitenciária do estado do Rio de Janeiro, comandar o tráfico na Rocinha para que acordos construídos anteriormente sejam mantidos.

O Nem é mais um refém dessa estrutura, assim como os policiais envolvidos em interesses de banqueiros, empresários, artistas que querem ter acesso às drogas. Os policiais e os traficantes são meros vigilantes dos interesses desse imenso comércio do tráfico de drogas. A manutenção desse sistema gera dividendos para os interessados. O Nem e esse aparato policial que faz essa operação ficcional geram um simbolismo que convence a população e faz com que a sociedade acredite que, de fato, a Rocinha será algo melhor e diferente. Não é isso que vai acontecer. A Rocinha viverá agora uma nova fase, a qual não irá alterar a situação de pobreza, sofrimento e de dependência do tráfico.

IHU On-Line – Como acontece esse acordo entre traficantes e a polícia para a ocupação da Rocinha? E que acordos acontecerão daqui para frente?

José Claudio Alves –
 Ninguém faz ata desses acordos. Eles são verbais e aqueles que estão na ponta do sistema fazem com que eles vigorem. As lideranças das comunidades é que têm peso nessas negociações, além de representantes de políticos. Não sei dizer quem são as pessoas que atualmente estão negociando. Por enquanto não é possível saber essas informações. Só será possível ir à Rocinha mais tarde, quando a “poeira baixar”.

Quem está dando as ordens na Rocinha agora é o aparato policial. É claro que inicialmente a comunidade fica aliviada, porque sabe que não irão acontecer confrontos nos próximos meses, mas isso não resolve a situação.

IHU On-Line – Quais serão os desafios das UPPs na Rocinha e no Vidigal?

José Claudio Alves –
 O primeiro desafio é superar a questão da policização, entender que essa polícia não é o principal agente identificado nessas comunidades. Precisaria se estabelecer um diálogo com a comunidade, assim como compreender a história dessas favelas. Seria fundamental dar voz para as lideranças da comunidade para que elas possam ser atores de sua própria transformação, da sua própria realidade política. Tinha que alterar essa dependência que a comunidade tem com o tráfico de drogas e de tudo que está associado ao tráfico.

Para mudar essa realidade, é preciso implementar várias políticas articuladas entre si, especialmente na área da educação. As famílias precisam receber acompanhamento psicológico e social. Seria fundamental gerar renda nessas comunidades para não fazê-las depender do dinheiro do tráfico. Além de oferecer acesso a transporte, seria necessário urbanizar urbanizar as favelas para que elas não sejam um ambiente degradado.

Na Rocinha e no Alemão existem áreas ambientais extremamente degradadas e não há nenhum projeto de recuperação ambiental para essas áreas. A transformação de tais comunidades demandaria um investimento muito alto por parte do Estado. Entretanto, o Estado quer ganhar dinheiro, não investir. Os governos têm interesse nos megaeventos que vão ocorrer no Rio de Janeiro e, portanto, não deixaram de investir no Porto Maravilha, que é uma área estratégica que envolve todo o setor financeiro e imobiliário do Rio de Janeiro, para investir recursos na Rocinha.

As UPPs são insignificantes porque ocupam apenas 70 das mil comunidades existentes no Rio de Janeiro. As UPPs entram em áreas estratégicas para o Estado. A zona oeste é distante de tudo, e é o local mais degrado do Rio de Janeiro. Campo Grande, Santa Cruz, Bangu, Realengo, Padre Miguel são as áreas mais violentas, juntamente com o subúrbio. Para investir em segurança, é fundamental repensar a cidade.

IHU On-Line – Como o senhor avalia a recente saída de Marcelo Freixo do Brasil por causa de ameaças de morte?

José Claudio Alves –
 Marcelo levou à condenação vários envolvidos com o crime e com as milícias. Ele tem poder para interferir, assim como a juíza Patrícia Acioli tinha. A mídia disse que Patrícia Acioli tinha a mão pesada, mas não é nada disso. Ela apenas cumpria sua função como juíza: condenava e julgava as pessoas de acordo com os seus crimes. O que o Marcelo está fazendo é dever de todo deputado estadual do Rio de Janeiro. A saída dele do país foi determinante para ele sobreviver. É deplorável que uma sociedade como a do Rio de Janeiro tenha que assistir a isso.

rede é tão complexa e tão grande, que quem mexe numa ponta dessa rede poderá ser atingido e morto por outro grupo. Quando entrevistei a promotora pública Tânia Maria de Sales Moreira, que já faleceu, ela estava investigando o caso das mães de Acari, que estavam tentando descobrir o paradeiro dos corpos de onze filhos que desapareceram de uma festa. Ela descobriu que um dos envolvidos no assassinato dos jovens tinha envolvimento com roubo de carga, e que um grupo de extermínio chamado Cavalos Corredores também estava envolvido nos assaltos. Ora, esse grupo cometeu a chacina de Vigário Geralalguns anos depois, em 1993. Tânia me disse que, se eles tivessem avançado na investigação das mães de Acari, Vigário Geral não teria acontecido, porque os Cavalos Corredores teriam sido desarticulados. No Rio de Janeiro há uma rede complexa do crime. Marcelo puxou uma ponta dessa rede, assim como aPatrícia Acioli puxou outra. Só que ao mexer em alguma ponta desta teia, mexe-se com a rede inteira, e a exposição de quem faz isso é imensa. As pessoas não sabem por quem serão atingidas.

Ele agiu corretamente ao sair do país por alguns dias. Marcel Freixo hoje é uma das pessoas que mais luta pelos direitos humanos no Brasil, mas, infelizmente não podemos contar com a estrutura do poderes Judiciário, Legislativo e Executivo. É mais fácil para o Marcelo fazer denúncias internacionais, porque elas geram uma repercussão dentro do país e levam a população e as autoridades a fazerem modificações.

O que mudou nesse país desde 1960? Uma juíza foi assassinada recentemente e um deputado estadual tem que sair do país para poder sobreviver. Hoje nós temos uma estrutura democrática, legítima, eleita, fazendo algo muito mais grave, muito mais intrincado e percolado do que a ditadura foi capaz de fazer. Ao longo desses 40 e poucos anos transformamos uma estrutura ilegal e criminosa numa estrutura legal, criminosa, com um interferente muito mais profundo. Conseguimos derrubar a ditadura e agora, como derrubar uma estrutura como essa, instalada no Rio de Janeiro?

Assim como o Nem é chave para o acordo da permanência do tráfico na Rocinha, o Marcelo é uma peça-chave para outro grupo dentro dessa cidade. O acordo do Nem é muito mais poderoso e muito mais articulado do que o acordo que rege a permanência do Freixo no Brasil. Os dois representam espaços e projetos da cidade, espaços sociais, concepções políticas, concepções econômicas distintas dentro dessa realidade. Como a situação será organizada daqui para a frente é, ao meu ver, o nosso grande dilema.

(Por Patricia Fachin, Stéfanie Telles e Rafaela Kley)