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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Café Filosófico - O Mito da Raça "Em Busca da Pureza" com Demétrio Magnoli



História do 1º de Maio - Dia do Trabalho

Olá colegas, conheçam a história do dia do Trabalho. Leiam o texto abaixo:

Profº Fábio Souza.

História
Fundação Lauro Campos   
Dom, 04 de Maio de 2008 16:50
Um dia de rebelião, não de descanso! Um dia não ordenado pelos indignos porta-vozes das instituições, que trazem os trabalhadores encadeados! Um dia no qual o trabalhador faça suas próprias leis e tenha o poder de executá-las! Tudo sem o consentimento nem a aprovação dos que oprimem e governam. Um dia no qual com tremenda força o exército unido dos trabalhadores se mobilize contra os que hoje dominam o destino dos povos de todas as nações.
Um día de protesto contra a opressão e a tirania, contra a ignorância e as guerras de todo tipo. Um día para começar a desfrutar de oito horas de trabalho, oito horas de descanso e oito horas para o que nos der gana.
(Panfleto que circulava em Chicago em 1885)
4 de maio de 1886, Praça de Haymarket, Chicago
4 de maio de 1886,
Praça de Haymarket, Chicago
A cada ano, o 1o de Maio rememora o assassinato de cinco sindicalistas norte-americanos, em 1886, numa das maiores mobilizações operárias celebradas naquele país, reivindicando a jornada laboral de oito horas.

Em julho de 1889, o I Congresso da II Internacional acordou celebrar o 1o de Maio como jornada de luta do proletariado de todo o mundo e adotou a seguinte resolução histórica: “Deve organizar-se uma grande manifestação internacional numa mesma data de tal maneira que os trabalhadores de cada um dos países e de cada uma das cidades exijam simultaneamente das autoridades públicas limitar a jornada laboral a oito horas e cumprir as demais resoluções deste Congresso Internacional de Paris”.

Como em outras partes do mundo, a situação dos trabalhadores nos Estados Unidos no final do século XIX era muito difícil. Sem embargo, emigrantes de diversos países europeus iam para lá em busca de uma melhor situação econômica. Em 1886, um escritor estrangeiro retratou Chicago assim: “Um manto abrumador de fumo; ruas cheias de gente ocupada, em rápido movimento; um grande conglomerado de vias ferroviárias, barcos e tráfico de todo tipo; una dedicação primordial ao Dólar Todo-poderoso”. Era uma cidade com um proletariado de imigrantes, arrastado pelo capitalismo para a periferia duma cidade industrial. A grande maioria dos proletários, especialmente em cidades como Chicago, eram da Alemanha, da Irlanda, da Boêmia, da França, da Polônia ou da Rússia. Ondas de operários lançados uns contra os outros, comprimidos em tugúrios e açodados por guerras étnicas. Muitos eram camponeses analfabetos, mas outros já estavam temperados pelas lutas de classes.

No inverno de 1872, um ano depois da Comuna de Paris, em Chicago, milhares de operários sem lar e famintos por causa do grande incêndio, fizeram manifestações pedindo ajuda. Muitos levavam cartazes nos quais estava inscrita a consigna “Pão ou sangue”. Receberam sangue. A repressão policial os obrigou a refugiar-se no túnel sob o rio Chicago, onde foram tiroteados e golpeados.

Em 1877, outra grande onda de greves se estendeu pelas redes ferroviárias e desatou greves gerais nos centros ferroviários, entre eles Chicago, onde as balas da polícia dispersaram as enormes concentrações de grevistas daquele ano.

Daquelas lutas nasceu uma nova direção sindical, especialmente de imigrantes alemães, conectados com a I Internacional de Marx e Engels. O proletariado alemão tinha uma contagiosa consciência de classe: aprendida, moldada por uma experiência complexa, profundamente hostil ao capitalismo mundial. Como todos os revolucionários, eram odiados, temidos e difamados ao mesmo tempo. A seu lado estava um lutador oriundo dos Estados Unidos, Albert Parsons. Assim se deu uma fusão da experiência política de dois continentes, do tumulto da Europa e do movimento contra a escravidão dos Estados Unidos. Nos agitados anos da emancipação dos escravos, Parsons fora um republicano radical que havia desafiado a sociedade texana burguesa casando-se con uma escrava mestiça liberta, Lucy Parsons, que chegou a ser uma figura política por si mesma. Albert Parsons militou muito tempo na Liga das Oito Horas, mas até dezembro de 1885 escrevera em seu jornal Alarma: “A nós, da Internacional [fazia referência à anarquista IWPACOR] nos perguntam com frequência por que não apoiamos ativamente o movimento da proposta de oito horas. Coloquemos a mão naquilo que podemos conseguir, dizem nossos amigos das oito horas, por que se pedimos demais poderíamos não receber nada. Contestamos: porque não fazemos compromissos. Ou nossa posição de que os capitalistas não têm nenhum direito à posse exclusiva dos meios de vida é verdade ou não é. Se temos razão, reconhecer que os capitalistas têm direito a oito horas de nosso trabalho é mais que um compromisso; é uma virtual concessão de que o sistema de salários é justo”. A imprensa anarquista sustentava: “Ainda que o sistema de oito horas se estabelecesse nesta tardia data, os trabalhadores assalariados... seguiriam sendo os escravos de seus amos”.

Após recuperar-se dos acontecimentos de 1877, o movimento operário se propagou como um incêndio incontrolável, especialmente quando se concentrou na demanda da jornada de oito horas.

Naquela época, havia duas grandes organizações de trabalhadores nos Estados Unidos. A Nobre Orden dos Cavalheiros do Trabalho (The Noble Orden of the Knights of Labor), majoritária, e a Federação de Grêmios Organizados e Trade-uniões (Federation of Organized Traders and Labor Union). No IV Congresso desta última, celebrado em 1884, Gabriel Edmonston apresentou uma moção sobre a duração da jornada de trabalho, que dizia: “Que a duração legal da jornada de trabalho seja de oito horas diárias a partir do 1o de Maio de 1886”. A moção foi aprovada e se converteu numa reivindicação também para outras organizações não afiliadas ao sindicato.

No 1o de Maio de 1886, os trabalhadores deviam impor a jornada de oito horas e fechar as portas de qualquer fábrica que não a aceitasse. A demanda de oito horas se transformaria, de uma reivindicação econômica dos trabalhadores contra seus patrões imediatos, na reivindicação política duma classe contra outra.

O plano recebeu uma tremenda e entusiástica acolhida. Um historiador escreve: “Foi pouco mais que um gesto que, devido às novas condições de 1886, se converteu numa ameaça revolucionária. A efervescência se estendeu por todo o país. Por exemplo, o número de membros da Nobre Ordem dos Cavalheiros do Trabalho subiu de 100.000 no verão de 1885 para 700.000 no ano seguinte”.

O movimento das oito horas recebeu um apoio tão caloroso porque a jornada de trabalho típica era de 18 horas. Os trabalhadores deviam entrar na fábrica às 5 da manhã e retornavam às 8 ou 9 da noite; assim, muitos trabalhadores não viam sua mulher e seus filhos à luz do dia. Os operários, literalmente, trabalhavam até morrer; sua vida era conformada pelo trabalho, por um pequeno descanso e pela fome. Antes que os trabalhadores como classe pudessem levantar a cabeça em direção a horizontes mais distantes, necessitavam momentos livres para pensar e formar-se.

Nas ruas, trabalhadores rebeldes cantavam:

Nós propomos refazer as coisas.
Estamos fartos de trabalhar para nada,
escassamente para viver,
jamais uma hora para pensar.

Antes da primavera de 1886 começou uma onda de greves em escala nacional. “Dois meses antes do 1o de Maio”, escreve um historiador, “ocorreram repetidos distúrbios [em Chicago] e se viam com frequência veículos cheios de policiais armados que corriam pela cidade”. O diretor do Chicago Daily News escreveu: “Se predizia uma repetição dos motins da Comuna de Paris”.

Em fevereiro de 1886, a empresa McCormick, de Chicago, despediu 1.400 trabalhadores, em represália a uma greve que os trabalhadores da empresa, dedicada a fabricar máquinas agrícolas, haviam realizado no ano anterior. Os Pinkertons, uma espécie de polícia privada empresarial, vigiavam todos os passos dos grevistas, foram contratados muitos espiões, mas a greve durou até o 1o de Maio. Ao manter-se a greve e aproximar-se a data chave que o IV Congresso havia sinalizado, ia-se associando a idéia de coordenar essas duas ações.

Nesse dia, 20.000 trabalhadores paralisaram em distintos Estados, reivindicando a jornada de oito horas de trabalho. Os trabalhadores em greve da empresa McCormick também se uniram ao protesto.

O 1o de Maio era o dia chave para exigir o novo horário; todos os comentários e expectativas estavam centralizadas naquela data, e se aproveitou mais ainda o descontentamento dos trabalhadores e a greve de Chicago.

Naquele dia os operários dos maiores complexos industriais dos Estados Unidos declararam uma greve geral. Exigiam a jornada laboral de oito horas e melhores condições de trabalho.

A imprensa burguesa reagiu contra os protestos dos trabalhadores; por exemplo, nesse mesmo dia o jornal New York Times dizia: “As greves para obrigar o cumprimento da jornada de oito horas podem fazer muito para paralisar a indústria, diminuir o comércio e frear a renascente prosperidade do país, mas não poderão lograr seu objetivo”. Outro jornal, o Philadelphia Telegram disse: “O elemento laboral foi picado por uma espécie de tarântula universal, ficou louco de remate. Pensar nestes momentos precisamente em iniciar uma greve para conquistar o sistema de oito horas...”.

Esse Primeiro de Maio de 1886 foi tão agitado como se havia prognosticado. Realizou-se uma greve geral em Wilkawee, onde a polícia matou 9 trabalhadores. Em Louisville, Filadelfia, San Luis, Baltimore e Chicago, produziram-se enfrentamentos entre policiais e trabalhadores, sendo o ato desta última cidade o de maior repercussão. Chicago, onde também estava a greve dos trabalhadores da empresa McCormick, foi o símbolo da luta e do sacrifício dos trabalhadores. Ali os acontecimentos foram especialmente trágicos. Para reprimir os grevistas, a burguesía urdiu uma provocação: em 4 de maio, na praça de Haymarket, onde se celebrava uma maciça assembléia operária, explodiu uma bomba. Era a senha para que os policiais da cidade e os soldados da guarnição local abrissem fogo contra os grevistas.

Os acontecimentos ocorridos nos Estados Unidos em maio de 1886 tiveram uma imensa repercussão mundial. No ano seguinte, em muitos países os operários se declararam em greve simultaneamente, símbolo de sua unidade e fraternidade, passando por cima de fronteiras e nações, em defesa de uma mesma causa.

Como resultado da greve, os patrões fecharam as fábricas. Mais de 40.000 trabalhadores se puseram em pé de guerra. Começou una repressão maciça não só em Chicago, principal centro do movimento grevista, senão que também por todo os Estados Unidos. A burguesia desatou uma de suas típicas campanhas de propaganda de ódio contra a classe operária e os sindicatos. Aos operários, os encarceravam às centenas.

Em 21 de junho de 1886, teve início o processo contra 31 responsáveis, que logo foram reduzidos a 8.

O sistema judicial fez o resto: passou por cima de sua própria legalidade e, sem prova nenhuma de que os acusados tivessem algo a ver com a explosão em Haymarket, ditou uma sentença cruel e infame: prisão e morte.

Prisão

• Samuel Fielden, inglês, 39 anos, pastor metodista e operário têxtil, condenado à cadeia perpétua.

• Oscar Neebe, estadunidense, 36 anos, vendedor, condenado a 15 anos de trabalhos forçados.

• Michael Swabb, alemão, 33 anos, tipógrafo, condenado à cadeia perpétua.

Morte na forca
Mártires de Chicago
Mártires de Chicago: Parsons,
Engel, Spies e Fischer foram
enforcados, Lingg (ao centro)
suicidou-se na prisão.
Em 11 de novembro de 1887, consumou-se a execução de:

• Georg Engel, alemão, 50 anos, tipógrafo.

• Adolf Fischer, alemão, 30 anos, jornalista.

• Albert Parsons, estadunidense, 39 anos, jornalista, esposo da mexicana Lucy González Parsons, ainda que se tenha provado que não esteve presente no lugar, entregou-se para estar com seus companheiros e foi igualmente condenado.

• Hessois Auguste Spies, alemão, 31 anos, jornalista.

• Louis Linng, alemão, 22 anos, carpinteiro, para não ser executado suicidou-se em sua própria cela.

Aquele crime legal tinha um só objetivo: não permitir que se extendessem os protestos operários e atemorizar os operários por muito tempo. Um capitalista de Chicago reconheceu: “Não considero que essa gente seja culpada de delito algum, mas deve ser enforcada. Não temo a anarquía em absoluto, posto que se trata de um esquema utópico de uns poucos, muito poucos loucos filosofantes e, ademais, inofensivos; mas considero que o movimento operário deve ser destruído”.


Principais declarações dos processados
Albert Parsons (1845-1887):
Albert Parsons (1845-1887),
estadunidense, jornalista
“Nos Estados do sul meus inimigos eram os que exploravam os escravos negros; nos do norte, os que querem perpetuar a escravidão dos operários”.

August Spies (1855 -1887)
August Spies (1855 -1887),
alemão, jornalista
  “Neste tribunal eu falo em nome duma classe e contra outra."
George Engel (1836-1887)
George Engel (1836-1887),
alemão, tipógrafo
“Todos os trabalhadores devem preparar-se para uma última guerra que porá fim a todas as guerras”.
Adolph Fischer (1858 -1887)
Adolph Fischer (1858-1887),
alemão, jornalista
“Sei que é impossível convencer os que mentem por oficio: os mercenários diretores da imprensa capitalista, que cobram por suas mentiras”.
Luis Lingg (1864-1887)
Luis Lingg (1864-1887),
alemão, carpinteiro
“Os Estados Unidos são um país de tirania capitalista e do mais cruel despotismo policialesco”.
Michael Schwab (1853 -1898)
Michael Schwab (1853-1898),
alemão, tipógrafo
"Milhões de trabalhadores passam fome e vivem como vagabundos. Inclusive os mais ignorantes escravos do salário se põem a pensar. Sua desgraça comum os move a compreender que necessitam unir-se e o fazem".
Samuel Fielden (1847-1922)
Samuel Fielden (1847-1922),
inglês, pastor metodista e
operário têxtil
“Os operários nada podem esperar da legislação. A lei é somente um biombo para aqueles que os escravizam”.
Óscar Neebe (1850-1916)
Óscar Neebe (1850-1916),
estadunidense, vendedor
“Fiz o quanto pude para fundar a Central Operária e engrossar suas fileiras; agora é a melhor organização operária de Chicago; tem 10.000 afiliados. É o que posso dizer de minha vida operária”.
http://socialismo.org.br/portal/historia/149-artigo/366-historia-do-1o-de-maio


Acréscimo sugerido pela amiga filósofa Nádia Maria: a importância da mulher em nossas conquistas...



Quando os pobres chamaram atenção na Alemanha

Rosa Luxemburgo - Revolucionária Alemã

Em toda a História muito pouca importância tem-se dado as mulheres, até mesmo na História do Comunismo no Brasil os sujeitos históricos que aparecem em nossa mente são Luis Carlos Prestes, Lamarca, Marighella entre outros. Na história do mundo então nem se fala, as mulheres são quase esquecidas. Poucos se lembram que o Dia do Trabalho surgiu para lembrar o dia do massacre das operárias grevistas americanas, que foram trancadas numa fábrica e queimadas por seus patrões e pela polícia, que colocou fogo no prédio. Também poucos se lembram que a Revolução de Fevereiro, que derrubou o Czar na Rússia em 1917, começou com um protesto de mulheres que pediam leite para seus filhos. A revolucionária alemã Rosa Luxemburgo também é pouco conhecida para a maioria das pessoas. Ela foi uma das primeiras a prever que a Rússia corria o risco de não se transformar numa sociedade socialista, mas numa ditadura governada por uma casta de burocratas privilegiados. Mesmo assim nunca deixou de acreditar na Revolução e foi assassinada porque continuava a insuflar o povo alemão contra os capitalistas. O texto que reproduzo se chama No Albergue, nele Rosa Luxemburgo nos faz refletir sobre os indigentes, os extremamente pobres, que muitas das vezes são tratados como invisíveis por todas as outras classes sociais.

NO ALBERGUE
O clima de festa em que se encontrava a capital do Reich foi cruelmente abalado. Mal as almas piedosas acabaram de entoar o velho e belo cântico, oh! Feliz Natal, bem-aventurado e cheio de graça, espalhou-se a notícia de que no albergue dos sem-teto ocorrera uma intoxicação em massa. As vítimas foram velhos e moços: o comerciante Joseph Geihe, 21 anos; o operário Karl Melchior, 47anos; Lucian Szczyptierowski, 65 anos – a casa dia chegavam novas listas de sem-teto intoxicados. A morte foi ao seu encontro por toda parte: no albergue, na prisão, no pavilhão de aquecimento público, simplesmente na rua ou agachados em algum celeiro. Antes que o toque dos sinos anunciasse o novo ano 150 sem-teto agonizavam, 70 haviam morrido.

sábado, 28 de abril de 2012

Obra de prefeito do DEM cria Hollywood fantasma no interior de SP

27 DE ABRIL DE 2012 - 0H00 

Obra de prefeito do DEM cria Hollywood fantasma no interior de SP


O empresário e ex-prefeito de Paulínia, Edson Moura (DEM), gastou R$ 490 milhões para criar um dos complexos mais luxuosos de cinema do Brasil, também chamado de Pauliwood, localizado no interior de São Paulo. Embora a iniciativa tenha proporcionado um respiro para o cinema nacional, o atual prefeito, José Pavan Junior (PSB), decidiu investir os recursos destinados à manutenção do complexo em obras sociais. A decisão não agradou a repórter e nem o crítico de cinema no vídeo da TV Folha.  




Habitação, saúde, educação, emprego e segurança. Para o atual prefeito essas áreas deveriam ter recebido grande parte dos R$ 490 milhões gastos, desde os anos 1990, no desenvolvimento do polo de cinema local.

No último dia 13 de abril, ele despertou a ira do setor cultural ao suspender o festival de cinema de Paulínia neste ano, um dos principais do país. A justificativa: os R$ 10 milhões que seriam gastos foram transferidos para programas sociais prioritários. 

"Foi uma decisão difícil, mas vou entregar duas escolas de 900 alunos cada uma, vamos zerar o déficit de creches. Há 20 mil pessoas que dependem da prefeitura."

Apesar de o prefeito dizer que manterá os investimentos no polo, a estrutura já se mostra abandonada: cursos foram cancelados, não há editais de fomento a filmes desde 2010 e um dos estúdios é usado hoje como depósito de materiais. 

Da Redação, com informações da Folha de S. Paulo

http://www.vermelho.org.br/tvvermelho/noticia.php?id_noticia=181472&id_secao=29

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ioschpe: aumentar salário de professor não melhora o ensino

Ioschpe: aumentar salário de professor não melhora o ensino
27 de abril de 2012  08h46  atualizado às 08h47

Enquanto professores saem às ruas de diversas partes do País para cobrar o cumprimento da lei que definiu o piso nacional do magistério, o especialista em educação Gustavo Ioschpe defende que reajustar os salários não significa que a educação no País vá melhorar. "Há centenas de estudos empíricos, publicados em revistas acadêmicas, estimando a relação entre salário de professores e aprendizado de alunos. A esmagadora maioria desses estudos não demonstra existir essa relação. Aumentar salário de professores não é um caminho para a melhoria da qualidade da educação", afirma.
O economista classifica a discussão em torno do piso salarial como algo sem fundamento. "É surpreendente e decepcionante que o País perca tanto tempo com uma discussão que toda a experiência internacional e brasileira já demonstrou ser infrutífera", completa.
Mas o panorama do ensino brasileiro tem despertado opiniões adversas. "Entre os componentes da qualidade de ensino no mundo todo, é indispensável a ideia de garantir uma boa remuneração para os professores, capaz de dar segurança para trabalhar", diz o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Rubens Barbosa de Camargo, que acredita na lei do piso do magistério como uma garantia para os profissionais.
Acompanhadas de mobilizações da categoria, as discussões em torno do salário dos professores têm lançado luz à relação entre qualidade do ensino e condições de trabalho. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), até 2 de abril, 17 Estados não pagavam o piso anunciado pelo Ministério da Educção (CNTE), de R$ 1.451,00. Entre as maiores reivindicações dos professores, o piso foi reajustado em 22,2%, de acordo com lei de 2008 e corresponde a pouco mais de dois salários mínimos, mas não deve entrar em vigor em todos os Estados. O valor é valido para profissionais com carga horária de 40 horas semanais.
Na opinião de Camargo, que é especialista em gestão de sistemas e escolas, análise de políticas educacionais e financiamento público da educação, o aumento dos salários é um dos primeiros passos para melhorar a qualidade do ensino brasileiro. Entre as medidas que buscam garantir vencimentos mais altos, está o Plano Nacional da Educação, atualmente em discussão no Congresso Nacional, que visa a garantir salários equivalentes a outros trabalhadores com mesmo nível de formação. "O próprio governo reconhece essa defasagem. Professores da rede pública ganham cerca de 60% do que ganham outros profissionais com mesmo nível de informação", afirma.
Educação no Brasil melhorou
Para Ioschpe, a educação no Brasil tem melhorado. No entanto, ele faz ressalvas. "No primeiro Pisa, o mais respeitado teste internacional de qualidade da educação, o Brasil ficou em último lugar. Saindo de uma base tão baixa, era de se esperar uma melhora. Mas a comparação do Brasil consigo mesmo é pouco relevante. O que importa é como o Brasil está em relação ao resto do mundo, porque o fundamental para a competitividade do País não é o esforço que ele está fazendo, e sim o resultado que está alcançando", diz. O especialista garante que debates a respeito de salário dos professores e porcentagem de investimento do PIB são infrutíferos. "Dado o erro estratégico da maioria da discussão sobre educação no Brasil, não há nada que sugira que teremos luz no fim do túnel. Devemos continuar patinando", enfatiza.
No lado oposto, o professor da USP aponta o aumento no investimento em educação como a saída para a melhora na qualidade de ensino. Para Camargo, é equivocada a visão de que o único problema são os recursos mal administrados. Na opinião do professor, as lacunas existem em todos os níveis - desde a creche até a pós-graduação. A solução estaria em dobrar os investimentos de 5% para 10% do PIB, garantindo menor número de alunos por classe, processos de formação permanente aos professores e valorização social da profissão por meio de condições de trabalhos mais adequadas.
"Ainda que de maneira muito incipiente, a situação vem melhorando. A implantação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e da lei do piso dão uma espécie de garantia para que Estados e municípios tenham melhores condições para o pagamento de professores. Além de começar a implantar o piso, algumas redes públicas também já pensam em melhorar a infraestrutura das escolas com reformas e compra de equipamentos" explica. Para o professor, as mudanças são reflexo de programas criados ao longo de diversos governos e que, mesmo que ainda timidamente, começam a surtir efeito sobre a educação básica no Brasil.
Professores vêm buscando se qualificar, dizem especialistas
A formação dos professores brasileiros também estaria se expandindo. É o que acredita Camargo, professor da USP, que indica os cursos de especialização como uma das alternativas para a melhora na qualidade de ensino. "Tem crescido o número dos professores das redes públicas que se titularam. Em várias redes, esse é um pré-requisito para evolução na carreira. A geração mais nova também quer se qualificar cada vez mais", diz.
O número de matriculados em faculdades para docência, de acordo com Ioschpe, também tem crescido. "Segundo a sinopse estatística do ensino superior brasileiro 2010, do Inep, há 923 mil alunos em cursos de graduação na área de educação nas universidades brasileiras, quase um quinto do total de alunos no nosso ensino superior. É o curso com mais matriculados no País", afirma. "Isso é quase oito vezes o total de matriculados em todas as disciplinas de humanidades, mais do que direito, mais do que administração, cinco vezes mais do que todas as engenharias, mais do que todas as áreas de saúde juntas", calcula.
A situação faria coro ao contentamento dos docentes com a profissão. "Essa imagem que se criou do professor brasileiro como o cara que trabalha no setor por falta de opção, que ganha salário de fome, que precisa trabalhar em muitas escolas e que é vítima da violência representa a minoria da minoria. As pesquisas mostram que os professores estão satisfeitos com suas carreiras, optaram por ela, não gostariam de trocar de profissão, trabalham em uma escola cumprindo carga horária inferior à maioria das profissões e com férias mais longas, e ganha aquilo que é de se esperar para o seu nível de formação e carga horária. Enquanto não superarmos esses estereótipos e mistificações, a discussão nacional não vai pra frente. Estamos discutindo falsos problemas", enfatiza.
Na contramão de Ioschpe, Camargo acredita que o interesse pelos cursos de licenciatura e pedagogia vem diminuindo. "Acho que o grande fator é a questão das carreiras e dos salários depois que saem da faculdade. Isso torna a carreira e a profissão pouco atrativas e faz com que os jovens procurem outras profissões, com atrativos mais interessantes. Conforme essas políticas de valorização docente se consolidem no País por meio do Fundeb, do piso e de outras a serem implementadas, quem sabe essa tendência seja revertida", diz.

Hidrelétrica pode inviabilizar localização de corpos no Araguaia

Hidrelétrica pode inviabilizar localização de corpos no Araguaia



SÃO PAULO - A construção de uma usina hidrelétrica na região do Araguaia pode dar fim à esperança de localizar corpos de guerrilheiros e camponeses desaparecidos durante a guerrilha. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) recebeu no último dia 27 de março o novo EIA/Rima da Usina Hidrelétrica de Santa Isabel, que deverá alagar uma área de 234 quilômetros quadrados em oito municípios, três deles no Pará (Palestina do Pará, São Geraldo do Araguaia e Piçarra) e cinco no Tocantins (Ananás, Riachinho, Xambioá, Araguanã e Aragominas). O grupo de trabalho do Ministério Público Federal (MPF) que investiga os crimes cometidos na ditadura informou ao GLOBO que vai analisar os novos documentos para decidir quais medidas tomar para preservar as áreas de escavação do Araguaia em busca de corpos de guerrilheiros e camponeses assassinados nos anos 70.


- Se houver inundação, será um grande prejuízo para o trabalho de investigação, de busca da verdade e desses corpos; porque as famílias tem o direito não só de saber o que aconteceu como de enterrar seus familiares para completar o processo de luto. Vamos analisar os documentos para saber qual área será inundada e tomar as medidas cabíveis - disse o procurador da República Andrey Borges, que integra o grupo de trabalho do MPF.
A Guerrilha do Araguaia ocorreu em fins dos anos 60 e início dos anos 70 e reuniu mais de 80 guerrilheiros na região. Mais de 50 corpos ainda não foram encontrados.
No EIA-RIMA, o consórcio Gesai, formado por cinco empresas (Alcoa Alumínio; Billiton Metais, Vale, Camargo Correia e Votorantim Cimentos), admite a importância histórica da Guerrilha do Araguaia, mas não descarta a possibilidade de cemitérios clandestinos ficarem submersos. O documento diz apenas que as buscas por corpos feitas até agora conduz a locais "aparentemente fora da área" a ser ocupada pelo reservatório.
Segundo Borges, a própria Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) pode ser acionada por medidas cautelares que preservem a área. Em dezembro de 2010, a Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos, o grupo Tortura Nunca Mais, do Rio, e o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil) conseguiram da Corte a condenação do Brasil pela não-investigação das mortes no Araguaia.
Nove anos atrás, um primeiro projeto de construção havia sido apresentado, mas acabou descartado. Naquela época, a área a ser alagada chegava a 2.944 km² e incluía a região da guerrilha. Em Xambioá, foram encontrados em 2009 os restos mortais dos guerrilheiros Bergson Gurjão Farias e Maria Lúcia Petit. O corpo de Farias foi identificado por exame de DNA.
- Pela decisão da Corte Interamericana, o Brasil não pode interromper as escavações porque ainda não cumpriu a determinação de localizar os corpos dos guerrilheiros - afirmou Crimeia de Almeida, ex-guerrilheira e integrante da Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos.
Crimeia diz temer uma decisão favorável do governo para a construção da usina:
- No Brasil, energia tem sido mais importante que direitos humanos. E já tivemos um caso parecido, quando inundaram Canudos (BA). Espero que o Ibama não faça isso (aprovar o projeto da Santa Isabel), mas o fato é que o governo tem tomado uma posição de muito descaso em relação ao Araguaia. Já são 40 anos que a gente busca Justiça e ela não acontece.
O Ibama informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os estudos foram aceitos "sem análise de mérito" e que o consórcio deverá agora disponibilizar os relatórios para a população antes de serem agendadas as audiências públicas. “Ainda não é possível fazer comentários sobre os estudos uma vez que as análises técnicas ocorrem após acrescidas as contribuições das audiências públicas” informou o órgão.
Em resposta encaminhada ao GLOBO por email, o consórcio afirma que respondeu a todas essas perguntas no relatório do EIA-RIMA. "Em relação à guerrilha do Araguaia, pelas investigações conduzidas pelo governo até o momento, todos os indícios de possíveis locais de sepultamento estão localizados fora da área diretamente afetada pelo reservatório".
Segundo a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, o Grupo de Trabalho do Araguaia, que reúne também os ministérios da Justiça e Defesa, vai discutir o assunto em reunião na próxima quinta-feira.
O consórcio se propõe a financiar um projeto de "Identificação, Resgate e Socialização dos Testemunhos Materiais e Orais da História da Guerrilha do Araguaia", de forma a "contribuir com o esforço de outros agentes e organizações, governamentais e não governamentais, empenhados em esclarecer e resgatar os fatos ainda obscuros da Guerrilha do Araguaia".
Além da polêmica em torno dos corpos dos guerrilheiros, o Ibama deverá analisar as questões ambientais. No total, estudo identificou 175 sítios arqueológicos na região, dos quais 57 são considerados dentro da área de alagamento (ADA). Pelo menos um importante sítio arqueológico, a Ilha dos Martírios, no município de São Geraldo do Araguaia, repleta de pinturas rupestres, está na área prevista de alagamento. Também ficarão submersas, de acordo com o EIA/Rima, 18 das 20 cavernas existentes na ADA.


quarta-feira, 25 de abril de 2012

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A televisão

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Série de curtas da TVE sobre a vida e obra de Sócrates, Platão e Aristóteles




O todo e a parte - O dia do livro e as mudanças do tempo em que vivemos

O todo e a parte

Por Amarílis Lage | De São Paulo
Paulo Fehlauer/Folhapress / Paulo Fehlauer/FolhapressO mundo das livrarias tradicionais: de acordo com Chartier, a mesma obra pode adquirir vários sentidos em diferentes formas de publicação, sem que uma exclua a outra
Corremos o risco de desaprender a ler os livros? A pergunta pode soar maliciosa, quase uma provocação aos drops de literatura que se lê no Twitter: uma frase de Clarice Lispector aqui, 30 caracteres de Caio Fernando Abreu acolá. Também pode despertar uma preocupação social: metade dos brasileiros não leu sequer parcialmente um livro nos últimos três meses, segundo dados recentes do Instituto Pró-Livro. Mas, à medida que a conversa com o historiador francês Roger Chartier avança, fica claro que a pergunta que ele faz é um pouco mais complexa. Para o pesquisador, o mundo digital estabelece um tipo de leitura que põe em xeque conceitos importantes para a interpretação de obras tradicionais.
Acostumados à leitura fragmentada na tela do computador, podemos perder a noção da totalidade da obra, o conceito de autoria e, nesse processo, acabar perdendo também a chave que permite acessar textos artísticos e teóricos que foram criados dentro de uma lógica que se apoia nesses dois elementos.
Pessimista? Não. Chartier, diretor de pesquisas da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e professor de escrita e cultura da Europa moderna no Collège de France, não acha que a imagem vá matar o texto no mundo virtual (prevê uma "evolução paralela") e associa a inovação tecnológica a "possibilidades extraordinárias". Também vê como uma conquista interessante a atual flexibilidade em relação ao conceito de propriedade intelectual. Mas, alerta, seria prejudicial deixar que a tecnologia imponha um modelo único de leitura a textos que são fundamentalmente diferentes.
Em maio, Chartier estará em São Paulo para participar do 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital. O evento contará ainda com especialistas como Juergen Boos, presidente da Feira do Livro de Frankfurt; Young Chi, presidente da IPA (International Publishers Association); e Henrique Mota, presidente do Conselho Técnico para a Internacionalização da Associação Portuguesa dos Editores de Livros (Apel).
Chartier conversou com o Valor por telefone, da Filadélfia - ele é professor da Universidade da Pensilvânia, além de membro do Centro de Estudos Europeus da Universidade Harvard. Na entrevista a seguir, fala também sobre o papel das editoras no mundo digital e a importância das livrarias.
"Ler poucos livros não significa que uma população não leia, porque há outros tipos de produção: as revistas, os jornais, a tela do computador"
Valor: Alguns autores têm usado ferramentas digitais em busca de novas propostas para o livro; há tentativas de unir o texto com sons, fazer um produto híbrido. Ao mesmo tempo, há escritores que parecem responder a essa fragmentação e hibridismo com livros ainda mais densos, como Jonathan Franzen com "Liberdade" [Franzen já fez várias críticas ao livro digital e declarou que o livro impresso passa uma sensação de permanência que integra a experiência da leitura]. Como o senhor

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