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domingo, 14 de outubro de 2012


Marx Reloaded evoca trama de Matrix para enaltecer o marxismo


Karl Marx não descansa em paz. O pensador do século passado foi arrastado com toda força para o novo milênio. O mundo editorial anglo-saxão que o diga! Em 2011 saíram, entre outros, How to Change the World: Tales of Marx and Marxism, de Eric Hobsbawm e Why Marx Was Right, de Terry Eagleton. 


Na onda vermelha, a saga de Matrix, dos irmãos Wachowski, ganhou nova roupagem com o documentário alemão, dirigido pelo britânico Jason Barker e produzido por Arte e ZDF, intitulado Marx Reloaded. Na nova versão, Marx assume o papel de Neo, protagonista de Matrix, e o capitalismo é a matriz que envolve a vida dos seres humanos.



Em menos

de uma hora evidencia-se a atualidade das ideias de Karl Marx no cenário da recente crise econômica mundial. As entrevistas com Michael Hardt, Toni Negri, Jacques Rancière, Slavoj Žižek passam em resenha, através de revistas e jornais, porque os conceitos de Marx permanecem mais atuais do que nunca. 

No sistema atual, cujo motor é a circulação de bens imateriais, o proletariado é dificilmente identificável ou isolável e as lutas de classe estão tornan-se a cada dia mais globais. 

O desemprego generalizado derrubou de forma irônica o sentido de alguns conflitos sociais no mundo ocidental. Segundo Žižek, aquilo que hoje com frequência se reivindica é ter um trabalho para ser “explorado de maneira digna”.

O fetichismo da mercadoria

Mas de onde vem a “força mística” que o sistema exerce sobre quem faz parte dele? Retorna à mente a reflexão sobre o fetichismo da mercadoria, considerada uma das instuições mais brilhantes do pensamento marxista. Como já foi dito, os bens materiais em sua forma tradicional perderam sua centralidade: a questão do fetichismo parece investir não tanto em mercadorias, mas no funcionamento da ideologia. 

Esta não é uma “falsa consciência” que impede o acesso a algo mais verdadeiro: o engano tem raízes profundas e dele não se pode escapar, pois é a estrutura da “realidade”. É aqui que entra a metáfora da matrix, utilizada no documentário para mostrar os limites do sistema. 

Žižek afirma que a consciência é o bem anticapitalista por excelência, dada a sua propensão à partilha. Logo depois, mesmo ela é enquadrada enquanto autógrafa: os livros se tornam como que celebridades, afinal, trata-se de uma mercadoria.

Duplo olhar de Marx

Também emerge no filme o duplo olhar de Marx: aquele analítico do “detetive” e aquele a longo prazo do “libertador”, como o definiu Ernst Bloch. Contudo, observando a parte final de Marx Reloaded – um velho debate sobre as possibilidades de um comunismo hoje – o elegante exegeta parece mais atual que o agitador político. 

De fato, Marx parece ter compreendido alguma coisa sobre o “funcionamento oculto do capitalismo” que nem seus defensores entenderam, como sugere o título de uma antologia de seus escritos publicada em 2007 – ano da crise dos subprimes. 

A frenética sucessão de falências bancárias, resgates, recessões, reformas, vértices internacionais, lembra o espetáculo de uma equipe médica que não sabe o que está afligindo o paciente e procede às apalpadelas. O caráter intrinsecamente irracional do capital, do modo em que se reproduz, foi focalizado por Marx bem antes do alcance tão difuso do sistema financeiro.

A crise: começo do fim?

Parece cada vez mais claro que a crise não assinalará o começo da fim, mas, sobretudo, uma ocasião para reconcentrar novamente o capital. 

"O paradoxo é que conseguimos imaginar mais facilmente o fim do mundo do que o fim do capitalismo", lembra-nos Nina Power em Marx Reloaded. O legado de Marx, então, não seria o espectro do comunismo que vagueia pela Europa, mas o fantasma do capitalismo. 

Fato é que Marx nos deu uma primeira descrição influente daquela fantasia que estrutura as trocas entre os sujeitos e seus desejos, daquele suporte fantasmático da ideologia sem a qual o mundo, assim como o conhecemos, perderia consistência. Matrix Reloaded, entre outras coisas, quer evidenciar isto: quer que acordemos e nos rebelemos contra a matrix capitalista.

Fonte: Da redação, com informações de Valerio Coladonato, da Agência Imediata/ 
http://www.vermelho.org.br/tvvermelho/noticia.php?id_noticia=195388&id_secao=29

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