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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Operários demitidos recebem homenagem de índios no Maracanã


14/01/2013 15h52 - Atualizado em 14/01/2013 16h00

Operários demitidos recebem



 homenagem de índios no 



Maracanã

Dupla foi aplaudida e ganhou presentes dos indígenas.
Carpinteiros pularam o muro para ajudar os índios no último sábado (12).

Janaína CarvalhoDo G1 Rio
Operários receberam homenagem dos índios do Museu do Maracanã (Foto: Janaína Carvalho)Operários receberam homenagem dos índios que moram no museu (Foto: Janaína Carvalho/G1)
Os dois funcionários que pularam o muro que separa as obras do Maracanã do antigo Museu do Índio, na Zona Norte do Rio, foram surpreendidos com uma homenagem dos indígenas na tarde desta segunda-feira (14).
Sob aplausos e palavras de agradecimento, eles receberam presentes em retribuição à ajuda que deram no último sábado (12), quando o Batalhão de Choque da Polícia Militar cercou o local para realizar a desapropriação do espaço.
Francisco pulou o muro do canteiro de obras para ajudar os índios (Foto: Janaína Carvalho)Francisco pulou o muro do canteiro de obras para
ajudar os índios (Foto: Janaína Carvalho/G1)
Solidários com a causa dos índios, os carpinteiros José Antônio dos Santos Cezar, de 47 anos, e Francisco de Souza Batista, de 33, pularam o muro que separa o canteiro de obras da reforma do Maracanã e o antigo museu, para ajudar os índios no caso de a polícia invadir o local. Quando pularam o muro para retornar ao canteiro de obras, o chefe dos operários pediu o crachá de ambos e mandou que eles fossem para casa.
“Isso aqui é um patrimônio histórico. Reforma a gente aceite e entende, mas destruir não. Eles não estão reformando o Maracanã? Por que não podem fazer a mesma coisa com o museu?”, questionou o José Antônio.
Para o carpinteiro Francisco, que afirma ter sido um funcionário exemplar durante um ano e meio que trabalhou na reforma do Maracanã, não há do que se arrepender. “Poderia me arrepender se tivesse pulado o muro para pegar alguma coisa de alguém, algo que não me pertence. Não foi isso que eu fui fazer. Fui ajudar uma questão que acho justa”, disse Francisco.
José sé brincou com ex-colegas de trabalho ao sair do museu (Foto: Janaína Carvalho)José sé brincou com ex-colegas de trabalho ao sair
do museu (Foto: Janaína Carvalho/G1)
De acordo com os operários, no sábado (12), quando foram obrigados a entregar os crachás, já imaginavam que seriam punidos.
“Hoje quando chegamos não conseguimos passar pela roleta, pois não tínhamos crachá. Foram chamar o chefe e ele disse que teríamos três opções, ou seríamos advertidos, ou seríamos demitidos por justa causa, ou transferidos. Disse que não aceitaria nenhuma das três, que só aceitava ser demitido com todos os meus direitos. Não fiz nada que considere errado”, concluiu o carpinteiro, destacando que sua mãe é de Reriutaba, cidade que fica no interior do Ceará, onde existia muito índio.
Ao deixar o museu, os operários se depararam com os colegas de trabalho do outro lado do muro e aproveitaram para brincar. “Olha, se vocês fizerem como a gente, vão parar do lado de cá”, disse José Antônio.
Índios se pintam para receber visita do público (Foto: Janaína Carvalho)Índios se pintam para receber visita do público (Foto: Janaína Carvalho/G1)
'Luta pela história'
Segundo o grupo, a luta para que o terreno não seja desapropriado tem a ver com a cultura indígena. “Qual vai ser nosso destino se nos tirarem daqui? Vai ser mais uma memória apagada? Não estamos brigando pelo prédio, estamos brigando pela nossa história. Isso aqui é um ponto de cultura”, afirmou Kamayura Pataxó.
Kamayura vende artesanato indígena no terreno do museu (Foto: Janaína Carvalho)Kamayura vende artesanato indígena no terreno do museu (Foto: Janaína Carvalho/G1)
O local é aberto para visitação do público quinzenalmente, onde as pessoas conhecem não só os instrumentos que os índios utilizavam para caçar e pescar, como arco e flecha, mas também se familiarizam com cânticos, danças e hábitos das comunidades. “O que estão querendo fazer é um processo de invisibilidade da cultura indígena. Isso aqui é um espaço sagrado e que precisa ser mantido e respeitado”, alegou o contador de histórias Tauá Puri.

Polêmica começou há três meses
A polêmica sobre o destino do imóvel começou em outubro do ano passado, quando o governo do estado anunciou possíveis mudanças no entorno do Maracanã, para que o estádio pudesse receber a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Pelo projeto da Casa Civil, o Maracanã seria transferido para iniciativa privada, que deveria construir um estacionamento, um centro comercial e áreas para saída do público.
Para isso, alguns prédios ao redor do estádio deveriam ser demolidos, entre eles o casarão do antigo Museu do Índio. A construção abrigou o museu até 1978, quando foi desativado. Há seis anos, cerca de 60 índios passaram a ocupar o local.
No último sábado, o Batalhão de Choque cercou o local por mais de nove horas. No fim da tarde deste sábado, o defensor público federal Daniel Macedo disse que foi informado que os representantes do governo decidiram fazer o pedido de imissão de posse apenas a partir de segunda-feira (14). A decisão teria sido tomada em reunião realizada no Palácio Guanabara.

Licitação para derrubar museu
O Estado informou que fez uma licitação para derrubar o antigo Museu do Índio, orçada em R$ 586 mil.
"Já houve licitação para demolição do Museu do Índio. Estou em fase administrativa, a parte de recursos, empenho, liberação. Acredito que antes da Copa das Confederações, nós vamos fazer isso", disse o presidente da Emop, Ícaro Moreno
.

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