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segunda-feira, 22 de abril de 2013


Carreira de professor não atrai estudantesSalários baixos comparados aos da iniciativa privada, falta de estímulo e poucas oportunidades de ascensão espantam candidatos ao magistério

Publicação: 07/04/2013 08:00 Atualização: 07/04/2013 09:07
Grasielle Castro
Estudante de matemática, Leandro prefere fazer carreira na pesquisa   ((Edilson Rodrigues/CB/D.A PRESS))
Estudante de matemática, Leandro prefere fazer carreira na pesquisa
Brasília – O sonho de ser professor tem sido sufocado pela realidade do mercado nas universidades brasileiras. As políticas de valorização dos docentes não avançam. As empresas, por sua vez, disputam especialistas com salários estimulantes e boas condições de trabalho. Quem entra no ensino superior acalentando o plano de dar aulas, acaba desistindo. Em números absolutos, os que mais abandonam o caminho do magistério são os candidatos a professor de português ou matemática. Só em 2011, foram quase 40 mil desistências, segundo dados do último Censo do Ensino Superior. O curso de física é o que tem o maior percentual de alunos desvinculados em comparação com o número de matrículas: 31%. 

Todas as disciplinas citadas são obrigatórias nos currículos das escolas brasileiras. Mesmo assim, o desempenho dos estudantes nessas cadeiras deixa muito a desejar, segundo pesquisas oficiais de avaliação, como a Prova Brasil. Especialistas ouvidos pelo Estado de Minas acreditam que, para mudar esse quadro, são necessárias políticas capazes de aliar a educação ao crescimento do país.

O alto índice de desistência, segundo a diretora-executiva do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, pode, por outro lado, mostrar que existem mais estudantes que optam pelo bacharelado em vez do curso de licenciatura. Na opinião dela, o principal chamariz para a mudança é a possibilidade de o profissional conseguir um emprego mais bem remunerado. “No caso das ciências exatas, por exemplo, como há poucos profissionais na área e uma demanda maior por profissionais como engenheiros e matemáticos, eles acabam trocando de ramo. Em uma economia aquecida, de pleno emprego, muitas empresas absorvem esses profissionais”, avalia. Quem perde é a educação.

A trajetória de Leandro Chiarini, de 20 anos, estudante do 5º semestre de matemática, reflete essa tese. Ele iniciou a graduação com a intenção de fazer dupla habilitação (bacharelado e licenciatura), mas, ao longo do curso, descobriu que o campo da matemática era bem mais amplo. “São opções diferentes. É bom ensinar, mas vi que gosto mais de aprender”, destaca. “A quantidade de coisas para fazer na área é grande e há espaço para quem quer seguir a carreira na pesquisa”, completa. Apesar de considerar a área fascinante, ele destaca que é fácil perceber que muita gente desiste com facilidade do curso. “Quando entrei na universidade éramos uns 40 calouros. No segundo semestre, só oito permaneceram”, lamenta.

Na física, também é fácil topar com histórias como a de Leandro. O estudante do 9º semestre do curso de física Diego Veloso, de 24, nem chegou a cogitar a licenciatura. “Optei pelo bacharelado para poder me dedicar com exclusividade à pesquisa. A área ainda não é muito financiada, mas tem avançado bastante”, argumenta. Diego, porém, aponta a falta de estímulo para o exercício da docência como o principal motivo de desistência da licenciatura. “Os profissionais da educação básica não são valorizados, principalmente na rede pública”, ressalta.

Pesquisa O retrato do desestímulo para seguir carreira no magistério também aparece em uma pesquisa feita em 2010 pela Universidade de São Paulo (USP) dentro da instituição, a maior do país. O estudo apontou que dar aulas é apenas a quarta razão para escolha da licenciatura. 

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Claudio, assegura que o Ministério da Educação tem acompanhado o problema, mas destaca que o quadro está mudando. Segundo ele, a criação do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) tem dados bons resultados, assim como o Exame Nacional do Ensino Médio e o fortalecimento do programa de assistência estudantil. “O Pibid tem feito com que o estudante se motive, fique no curso. E, com o Enem, a concorrência para os cursos de formação de professor aumentou e tem atraído estudantes com notas mais altas, que permanecem no curso”. As mudanças, segundo ele, devem se refletir nos próximos censos do ensino superior. 

A política do piso nacional para os professores e as ações do Plano Nacional de Educação, que tramita no Senado Federal, também são apontados pelo órgão como políticas eficientes. 

Rede pública  não consegue formar quadros
A carência de professores se reflete diretamente na má formação dos estudantes. Recentemente, um relatório sobre as metas da educação, divulgado pelo Movimento Todos pela Educação, mostrou que apenas três em cada 10 alunos terminam o ensino médio com conhecimentos de língua portuguesa adequados à série. Em matemática, a situação é bem pior: só um em 10. “Alagoas e Maranhão, por exemplo, fizeram concurso para professor e não conseguiram contratar nenhum no estado inteiro. Isso ajuda a explicar porque os resultados dos estudantes são ruins. Há um déficit de profissionais no Norte e no Norte, principalmente”, pontua a diretora executiva da ONG, Priscila Cruz.

Outro problema apontado pela diretora do movimento é o ciclo vicioso gerado pela má formação dos estudantes e pela falta de atração da carreira. Alunos mal formados desistem da carreira e, sem professores de qualidade, as escolas seguem formando mal seus estudantes. “O professor de escola pública ganha 40% menos que um profissional com o mesmo nível de escolaridade. Quando o aluno se dá conta disso, ele escolhe outra carreira, e não a docência. Com poucos professores, há casos de estados que reduzem as exigências para conseguir contratar”, afirma.

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