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A Perestroika - Resumo

Perestroika



            A Perestroika (do russo: reconstrução, reestruturação) foi um conjunto de reformas radicais iniciadas em 1985 pelo então secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, Mikail Gorbachev.
            O Gosplan (Comitê de planejamento) era o órgão estatal centralizador responsável por toda e qualquer decisão sobre a cadeia produtiva da URSS. Embora esta prática tenha dado bons resultados durante as primeiras décadas da URSS, permanecendo competitivo até os anos 70, o modelo aplicado de utilização da mão-de-obra e matérias primas, que acarretaram um desperdício de tempo e recursos, foi ultrapassado pelas novas práticas técnico-administrativos (Japáo – toyotismo), mais flexíveis e produtivas, surgidas sob o signo da Terceira Revolução Industrial, e adotada principalmente pelos EUA.
            O fraco desenvolvimento tecnológico, em comparação com os números do ocidente, ocasionou uma preocupante desaceleração econômica na URSS, que nos anos 80, se transformou em estagnação econômica. Gorbachev dá início a perestroika objetivando tirar a URSS da estagnação produtiva. Podemos classificar a reestruturação em quatro fases distintas; nas quais Gorbachev nem sempre esteve a frente do processo. A primeira fase vai de 1985 à 1987, e é tida como a fase de descentralização socialista. A Segunda, o ano de 1988, é a fase de transição da economia estatal para a economia de mercado. A terceira, de 1989 ao início de 1990, a economia de mercado se aprofunda, sendo que a fase final, 1991, tem como palco a desintegração a URSS e restauração capitalista.
            De 1985 a 1991, a perestroika foi responsável por transformações como a liberação gradual do trabalho individual assalariado, a desestatização das terras e privatização de suas grandes indústrias estatais; bem como, a regulamentação das atividades capitalistas no país. Gorbachev, pró abertura, fomentou o aparecimento de novas idéias dentro do próprio PCUS. Esperava com a Glasnost uma maior seriedade (transparência) nas práticas políticas, bem como maior coesão entorno de si. Deve-se destacar que Gorbachev, não tinha o intuito de acabar com o socialismo soviético, mas sim, ocasionar mudanças econômicas que reativassem o crescimento econômico e competitividade da URSS no mercado internacional. O PCUS, dividido, desentendia-se entre levar as reformas até o ponto em que os preceitos socialistas não fossem ameaçados, ou ir fundo na reforma em direção a economia de mercado. Dentre os últimos, estava Yeltsin, que assumindo a posição de Democrata, levou as reformas a tal ponto que o retorno ao socialismo fez-se impossível.
            A Glasnost, além de propiciar o desenvolvimento e o debate de novas idéias entre a população, trouxe nas eleições de 1989, um parlamento com muitos políticos partidários do aprofundamento da perestroika. Neste mesmo ano, grandes greves e conflitos étnicos -que serviam como válvula de escape para a crise econômica que introduzira no cotidiano soviético a inflação, a carestia e o desemprego- explodem em todo território soviético.
            A divisão dentro do PCUS a essa altura é inevitável, e em 13 de maio de 1990, uma lei determinava o fim do monopartidarismo. Gorbachev e Yeltsin radicalizaram a disputa pelo poder. Várias repúblicas declaram-se, unilateralmente, independentes.
            Em março de 1991, Yeltsin é eleito presidente da República russa. Depois de muitas propostas rejeitadas pelas repúblicas, é costurado um tratado que cria “A União dos Estados Soberanos” que seria assinado no dia 20 de agosto de 1991. Seria; se na véspera da assinatura não tivesse ocorrido o putsch (tentativa de golpe), arquitetado por alguns dos membros mais próximos a Gorbachev, como o seu vice-presidente e o chefe da KGB. Os golpistas -através do Comitê Estatal do Estado de Emergência (GKChP), que assumiu o governo- diziam não ser contra as mudanças, mas queriam melhorá-las colocando em pauta reformas sociais. Contudo, enquanto Gorbachev era mantido em cárcere privado, Yeltsin entrincheirou-se no parlamento com seus aliados, conclamando a população a boicotar o putsch. Atendendo ao pedido, a população cercou a sede do Soviete Supremo em vigília, colocando o GKChP, sob um dilema: continuar com o putsch e derramar o sangue civil ou desitir da empreitada. O golpe esvaziou-se em apenas três dias. Gorbachev voltou no dia 22 de agosto para retomar as atividades presidenciais, porém foi compelido a dar explicações ao parlamento: Como poderia manter tão perto, elementos que poderiam colocar em risco as reformas? Yeltsin, saindo da tentativa de golpe como herói, ganha ainda mais poder e, com a ajuda do parlamento, obriga Gorbachev a aceitar em seu novo gabinete, pessoas ligadas a ele. Gorbachev perde prestígio e demite-se do cargo de Secretáio-geral do CC, enquanto seu tratado com as repúblicas, perdia força. Várias repúblicas declaram-se independentes. Yeltsin, agora à frente da perestroika, mediante à ‘epidemia’ separatista que varria a URSS, reúne-se com os chefes de Estado da Bielo-rússia e da Ucrânia secretamente, acertando um novo acordo que, mais tarde, seria seguido por todas as Repúblicas. Gorbachev apresenta sua renúncia ao cargo de presidente da URSS no dia 25 de dezembro de 1991. No dia seguinte, 26, nasce a Comunidade dos Estados Independentes enquanto um pequeno grupo de deputados vota oficialmente pelo fim da URSS. Estava virada, uma das mais importantes páginas da história do século XX.

Fábio Souza e André Maciel – Graduandos de história pela Universidade Federal Fluminense.


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