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Estrutura agrária da Alta Idade Média Ocidental

Como se caracteriza a estrutura agrária da Alta Idade Média Ocidental, considerando o nível de desenvolvimento das forças produtivas, as formas de produtividade e as relações de produção.


         A economia medieval é considerada natural, alheia a circulação, pré-capitalista. As atividades comerciais eram voltadas para o consumo próprio por fatores que adornam a estrutura agrária da época. A estrutura agrária da alta idade média, tentava avançar no sentido de transformar a natureza, adequando-a as necessidades do homem. Para tanto, era preciso um contínuo avanço tecnológico e da técnica humana que era caracterizada como principal fator de produção.
         A variação densidade demográfica era muito suscetível à problemas climáticos, assim como também, a produção agrária. Durante os séculos II a VI, período úmido, há um aumento da produção agrária e consequentemente da densidade demográfica humana. Nos séculos que vão de VII a X, ocorre um período quente e seco, em que a fome e as pestes atingem o homem. Mas é apenas na nova fase chuvosa, do século XI ao XIV que o homem consegue grandes avanços no sentido de dominar a natureza. Portanto, havia uma grande oscilação da quantidade de mão de obra que poderia ser utilizada nessa época. Séculos em que era alta a precipitação de chuvas, propiciavam uma melhor colheita e por conseqüência, aumento demográfico não só humano como também dos animais. A relação de produção que envolve o clima, afetava diretamente os camponeses, mas não a aristocracia, essa classe, também compreendida pelo clero católico, gozava da capitação de tributos e impostos como a corvéia. É na aristocracia que encontram-se as grandes concentrações de terra e o poder de decisão da Igreja, podia ser medido pelos bispos, que em determinadas localidades, sobrepunham-se até aos senhores latifundiários laicos, devido a grande concentração de terra da instituição. Esses latifúndios, eram por muitas vezes distribuídos em pequenos lotes, em que os camponeses mediante um trabalho servil, produziam para si mesmos e também para o senhor daquelas terras. Em todas as sociedades, muitas das necessidades que regulam a atividade econômica são, por natureza, imateriais. Provém da necessidade de respeitar e cumprir certos ritos, que trazem consigo não só um consumo proveitoso, mas também a aparentemente inútil destruição da riqueza conseguida. O trabalho feito nas terras dos grandes latifundiários, funcionava também como tributo (corvéia), preparavam e aravam a terra, construíam cercas, pontes e entregavam pilhas de lenha, utilizando-se de suas próprias ferramentas, denegrindo-as e logo, sem mais lucro aos senhores de terra.
A expectativa de vida era muito baixa e a mortalidade infantil era enorme, ambas ainda acentuadas por invasões, guerras, desordens e pestes que assolavam os subnutridos camponeses. Eles ainda casavam-se muito cedo, muitas vezes para garantir uma prole que os ajudasse na lida. Por outro lado, também era praticado por muitas vezes o infanticídio, com o intuito de assegurar a alimentação dos filhos mais velhos (estes porque já trabalhavam nas hortas) e também dos pais.
         A agricultura dos “séculos obscuros” era portanto uma agricultura extensiva, mal equipada e mal associada aos animais. A depreciação tecnológica e a fraquíssima produção explicavam a preservação da carestia aos alimentos e as ferramentas. Um machado, por exemplo, que possuía apenas a sua porta afiada constituída de ferro (que aliás vinha de fora), tinha a sua manutenção dificilmente feita, quebrava-se facilmente e a fabricação de um novo, tinha alto custo, pois os metais eram escassos.

As florestas, ainda bem constituídas na Europa medieval, foram causa de muitas disputas. Delas eram retiradas as madeiras para construção das casas, carroças e ferramentas. Das árvores eram retiradas também as suas folhas e raízes para serem dadas aos animais e eventualmente a madeira era queimada para produção de carvão. A aristocracia (detentora obviamente dessas terras) lucravam também com o aluguel dessas áreas, cobrando tributos dos camponeses por levar os suínos para se alimentar das bolotas de carvalho. Estas eram chamadas de reservas comunais. Além disso, analisando as crônicas, os diplomas, as polípticas ou a capitular De Villus, pode-se pelo menos supor que a partir do século VII e sobretudo VIII as florestas foram atacadas, sendo desmatadas, tanto por laicos como por clérigos, esses ataques tinha por finalidade a prática do arroteamento, que é obtenção de uma área livre, transformando áreas como as florestas em áreas cultiváveis.

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