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O homem que virou suco e a Filosofia


Dados Básicos do filme:
            O homem que virou suco, Brasil, 1981 - 97 minutos - Direção: João Batista de Andrade.
Sinopse: Um poeta popular do Nordeste chega a São Paulo, sobrevivendo apenas de suas poesias e folhetos. Tudo vai muito bem até ele ser confundido com um operário de uma multinacional que matou o patrão em uma festa onde recebeu o título de operário símbolo.
                                                                                                          www.cineparadiso.com.br

Tema: Filosofia: útil ou inútil?
            Em pequenos grupos, por meio de questionamentos retóricos, levar os alunos a discutir entre eles sobre o pensamento e os atos do protagonista. Buscar atraí-los para fora do senso comum em direção ao senso crítico, ou, como aponta Paulo Freire, mostrar as portas[1] que os levarão da curiosidade ingênua à curiosidade epistemológica[2].

Num mundo onde a serventia de um saber –ou mesmo de uma coisa ou entidade– é pautada apenas por aquilo que ela é capaz de produzir em termos financeiros, qual é utilidade da filosofia? A personagem principal, Deraldo, um nordestino pobre que tem apenas as suas poesias e o seu pensamento inquisidor, sofre por ser considerado apenas um instrumento de produção de riqueza para outros, por não ter as suas palavras reconhecidas e o seu talento intelectual valorizado. O que a nossa sociedade realmente valoriza, o conhecimento ou a capacidade de produzir e consumir?

Platão definiu a filosofia como um saber verdadeiro que deve ser usado em benefício dos seres humanos para que vivam numa sociedade justa e feliz.
A capacidade de Deraldo de enxergar a frente de seus conterrâneos analfabetos da obra civil, que pareciam relegados à miséria e a resignação, o levara a mudar a sociedade ou a ser perseguido por ela? Porque?
            Deraldo é um homem ingênuo, quando comparado aos outros trabalhadores?
            É submisso as idéias das classes dominantes como Lampião deveria ser?
            Os acontecimentos a sua volta passam sem serem percebidos?
            É Deraldo um amante da arte, da expressão dos sentimentos?
            Buscava justiça? Apenas para si?
            Ele estava interessado em levar os outros a ver as coisas como ele vê?

            Se vemos em Deraldo um homem que abandona a ingenuidade e os preconceitos, bom, então o seu pensamento crítico, a sua filosofia, parecem úteis. Se ele é insurgente contra a exploração e busca a justiça para si e para as pessoas que estão próximas a ele, então seu pensamento expressava um saber verdadeiro. Se a sua visão era mais aguçada por conta de seu estudo, sua vivência e vontade de compreender o mundo, então a filosofia é útil. Se a arte é capaz de gerar prazer e se tem algum valor além de cifras, compreendê-la e útil. E se Deraldo, no texto que promete escrever sobre toda sua aventura, está preocupado em levar a consciência do que aquelas pessoas realmente são, levando-as até a liberdade e a felicidade, então a filosofia é a mais útil de todos os saberes.



Fontes:
CHAUÍ, M. Convite à filosofia. Ed. Ática. São Paulo, 2006.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. Saberes necessários à prática educativa. Ed. Paz e Terra. São Paulo, 2007.
Matrix, EUA, 1999. Direção: Andy Wachowski e Larry Wachowski
O homem que virou suco, Brasil, 1981. Direção: João Batista de Andrade.



[1] Metáfora para o papel do professor (Morfeu) no filme Matrix.
[2] FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. Saberes necessários à prática educativa. Ed. Paz e Terra. São Paulo, 2007.

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