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Os principais Personagens da Revolução Mexicana

A menção dos protagonistas da história da revolução mexicana apreciada aqui, tem por aspiração também ressaltar brevemente fatos e características destes momentos conturbados que viveram o povo mexicano:

            Porfírio Diaz Mori (1830-1915): Presidente do México nos anos de 1876-1880 e 1884-1991. Militar e político, não pode se reeleger no primeiro mandato, já que a Constituição mexicana não admitia. Posteriormente conseguiu alterar a Constituição e ficar no poder mais tempo. Engendrou um governo ditatorial, de linha dura, porém com um significativo desenvolvimento econômico-industrial para o país em diversas áreas, como a de extração mineral e na indústria têxtil, construiu também muitas linhas férreas e linhas telegráficas, e aumentou o comércio exterior em cerca de 300%. Contudo, ao se tornar ciente dos malefícios do capital monopolista estadunidense, Porfírio convida os capitalistas ingleses à investir no país, causando grande descontentamento aos EUA, o que lhe custaria caro no futuro. “Pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos[1].
             Mas apesar do crescimento econômico, a riqueza do país teve sua concentração de renda ainda mais acentuada, crescendo também o índice de pobreza e analfabetismo. Muitos protestos foram feitos pelos mexicanos, todos respondidos extrema violência. O grau de insatisfação como o governo ditatorial porfilista aumentou muito nos últimos anos e a população já dava os primeiros suspiros de busca por uma demoracia. Porfírio Diaz Mori é deposto na revolução de 1911, que encabeçada por Francisco Madero. Ele abandona o país e morre no exílio –Paris– em 1915.

            Francisco Idalecio Madero.(1873-1913): Madero apresenta-se como um apostulo da democracia, suas campanhas são feitas ente 1909 e 1910. Apesar de progressista, é ferrenho defensor das antigas tradições nacionais –um revolucionário nacionalista, contrapondo a política porfirista, voltada ao exterior. Prega o rompimento com a política econômica de Porfírio Diaz e o atendimento às reivindicações dos camponeses, através de seu “Plano San Potosi”. É uma figura nacional, aceito pelos grupos que combatem Porfírio. Como líder, consegue aglutinar ao seu propósito até alguns setores das elites.
            Após a revolução de 1911, assume o poder. Seu governo é conturbado, pois ele se utiliza dos mesmos expedientes de Porfírio para manter o que considera a ‘ordem social’. Seu governo não consegue atingir os anseios populares. “Esse negócio de dividir as terras é um despropósito[2]. Desta forma, perde apoio dos trabalhadores, que começam a demonstrar suas insatisfações. Pelo seu caráter nacionalista é mal visto pelos EUA, tendo o embaixador estadunidense, incitado até uma revolta contra ele em 09 de fevereiro 1912. Seu governo sustenta-se apenas até 1912. Madero é assassinado em 1913, eliminando quaisquer esperança de democratização para o povo mexicano.

            Emiliano Sálazar Zapata (1882-1915): Zapata, líder do grupo armado do sul –cidade de Morellos–, participou da revolução de 1911 ao lado de Madero. Contudo, Madero o vê como um bandoleiro sem controle, mantendo pouca confiança no parceiro de revolução. Como foi supracitado, Madero não consegue implementar mudanças efetivas e Zapata começa a exercer uma oposição sistemática ao seu governo. Todo interesse de Zapata era o de realizar a Reforma Agrária, onde a distribuição de terras iria aplacar a miséria existente no sul do México. Emiliano cria uma plano simples, que consistia na distribuição de terras aos camponeses, o “Plano Ayala”. Contudo, Madero lhe envia o exército oficial liderado pelo Victoriano Morelos, e o movimento de Zapata recua.
            A eleição de Wilson é decisiva para a deposição de Madero. Os grupos que ajudaram Madero, agora se perfilam contra ele. Depois que Madero é deposto, Huerta assume com apoio dos EUA. Zapata, comandando o exército libertador do sul, agora adere a Carranza, até a “revolução constitucionalista”. Mas mesmo depois de Carranza no poder, as aspirações de Zapata não são atendidas e ele se une na facção política dos convencionistas, novamente pleiteando a reforma agrária, e também a autonomia comunal e uma menor burocracia na relação entre o povo e o poder.
            Zapata morre em abril de 1919, sem conseguir atingir seus pleitos. Um agente de Carranza o assassina em uma emboscada, traindo-o com uma promessa de conversa amigável.

            Pascual Orozco (1882-1915): Orozco, foi um agricultor e liderou as forças rurais do Estado de Chihuahua, filiou-se ao movimento anti-reelecionista contra Porfírio, ficando ao lado de Madero. Participou junto a Villa, no assalto a Cidade de Juárez, recebendo então armas dos EUA. Contudo, pelos mesmos motivos de Zapata e Villa, se sublevou contra o governo de Madera, sendo derrotado pelo General Huerta. Quando Huerta chega ao poder, Orozco “mexicaniou[3]” os seus companheiros Zapata e Villa e uniu-se a Huerta, sendo promovido a general em 1914. Foi assassinado no Texas, em 1915, quando Carranza estava no poder.

            Francisco Villa Doroteo Arango (1878-1923): Pancho Villa, meeiro, bandoleiro, filho natural da vida comunitária, armada e ao ar livre, líder do grupo armado de Chihuahua, detinha pleitos muito parecidos com Zapata, o que o pôs diversas vezes ao seu lado em lutas contra os governos que consideravam ditatoriais. Contudo, Villa ainda tinha como sonho a criação de ‘República de colônias militares’, onde as pessoas trabalhariam três dias por semana e em três outros receberiam treinamento militar e de combate, podendo responder assim a qualquer ameaça que o México sofresse. Villa foi combatente Maderista, mas depois se virou contra ele. Já durante a administração de Huerta, foi preso em uma campanha de Orozco e condenado a morte por fuzilamento. Madera o salvou da morte, porém depois Madera foi assassinado. Francisco Villa volta do exílio sedento por vingança, “sem saber que estava começando, assim, a formação de um dos mais eficazes exércitos populares dos tempos modernos.[4] Invadiu uma cidade estadunidense de Columbus para provocar a entrada dos EUA na guerra contra Huerta. Em outubro de 1914, quando se reunem todas forças revolucionárias, após tirar Huerta do poder, é informado que deveria deixar o comando do exército. Adere a facção convencionista com Zapata, opondo-se a Carranza enquanto esse mantinha uma política apenas de reformas constitucionais, porém sem reformas sociais.
“Com las barbas de Carranza
Voy a hacer una toquilla,
Pa’ponérsela al sombrero
Del Señor Francisco Villa.[5]
            Após a queda de Carranza, Villa adere a uma acordo com o então presidente Obregón, entrega as armas, recebe uma escolta de cinquenta homens –afinal um revolucionário não poder andar sozinho–, tem seu exército incorporado as forças oficiais (aquele que quisessem) e recebe uma fazenda no norte do México para tentar realizar sua utopia da ‘República de colônias militares’. Morre em 1923, vítima de uma emboscada.

            Vitoriano Huerta (1845-1916): Huerta, participou do governo Porfírio Diaz, sendo exaltado a General de Brigada. Mais tarde, depois da deposição de outro presidente, Madero, assume o cargo de Secretário do Governo, sendo que no mesmo dia, o então presidente Lascuraín renuncia e, ele próprio assume o poder (1913-1914). Como já foi citado, o apoio dos EUA foi imprescindível para que chegasse ao seu intento, contudo, pelo acordo feito com os estadunidenses, Huerta deveria nas próximas eleições abrir espaço para a vitória de Félix Diaz, homem de confiança estadunidense e parente do antigo ditador Porfírio Diaz. Huerta, trai os amigos estadunidenses, dissolve o congresso, instaura uma política agressiva e se elege presidente. Novamente os lideres de grupos para-militares como o de Zapata e Villa, se unem para combater o governo, desta vez, contando com um Carranza, o governador da cidade de Coahuila, que se julga o único governante a continuar respeitando a constituição de 1857.
            A política de Huerta desagrada até o exército federal, muitos desertam e Huerta se enfraquece. Wilson é eleito nos EUA e na antipatia pelo governo Huerta, o incidente em Tampico é utilizado como pretexto para ocupação armada do porto de Vera Cruz. O único dos antigos líderes de grupos ao seu lado, é Orozco, mas ele não é o suficiente para evitar sua queda. Huerta perde o poder em julho de 1914, na chamada “revolução constitucionalista”, em que Carranza assum o comando do pais. Huerta vai para a Europa e depois para os EUA, onde é detido por duas vezes, por supostos contatos com agentes alemães, morre em 1916, no Texas, vítima de uma grave doença.



            Venustiano Carranza (1859-1920): Carranza aparece com maior destaque durante o governo agressivo de Huerta, onde se arvora como único governado “não golpista” –que respeita a constituição de 1957. É chamado de “Primeiro Chefe” e diz ser líder de uma nova revolução, a “Revolução Constitucionalista”, que visa tirar Huerta do poder, assumindo ele próprio os destinos do país.
            Villa e Zapata o aceitam como líder, unindo suas forças contra Huerta. Inicialmente, as forças de Carranza, originadas de Coahuila, sofrem derrotas e ele se refugia na sua fazenda Guadalupe, onde cria o “Plano Guadalupe”, que visa respeito o constituição, mas que não atende as reivindicações sociais.
            Huerta tendo seu governo enfraquecido, foge para o exílio. Carranza assume o poder e acaba de esfacelar o exército oficial, já que os exércitos para –militares do norte e do sul o respaldavam.
            Em outubro de 1914, são reunidas todas as forças revolucionárias. Nesta reunião é decidido que Villa deve deixar o comando do exército e Carranza, as pretensões de ser presidente. Surgem duas facções e Carranza encabeça o grupo ‘constitucionalista’, que detém poucas idéias de reformas sociais, mas que porém, exortam mudanças constitucionais. Zapata e Villa opõem-se dentro da facção Convencionista, que prevê distribuição de terras que atingissem a todos. Quando aprovada a nova Constituição, em 1917, Carranza se faz presidente. Neste momento Carranza controla os principais centros de produção de recursos no norte e no sul, porém há uma resistente estagnação na extração de prata e outros recurso de mineração. O país se endivida através de empréstimos e o setor de transportes se desestrutura, ajudando a estagnar a comercialização de açúcar e algodão. O único setor a sofrer alguma melhora é o petrolífero, aumentando cerca de dez vezes, porém este, está nas mãos de senhores locais.
            Carranza controla Yucatan, o Estado Nacional, as Oligarquias e pretende se reeleger. Enquanto isso, as forças anti-reelecionistas, comandadas por Villa e Zapata ocupam regiões do norte e dos sul e, contam também com novas personagens, Plutaco, Elias Calle e Álvaro Obregón, este último com franca simpatia das forças opositoras e dos operários. Obregón é que assume o poder após a deposição de Carranza. Os conflitos se sucedem no México até que Carranza perde apoio militar e na fuga para o exílio em 1920, é assassinado. Obregón assume o poder e até Calles chegar a presidência, as relativamente vão se acalmando no México.



[1] Frase de Porfírio Diaz.
[2] AGUILAR Camín, Héctor e MEYER, Lorenzo. “À sombra da Revolução Mexicana. História Mexicana Contemporânea, 1910-1989”. São Paulo, Edusp, 2000. p. 68.
[3] Gíria utilizada na Espanha que denota Traição. Anotação da aula de Norberto Ferreras.
[4] AGUILAR Camín, Héctor e MEYER, Lorenzo. “À sombra da Revolução Mexicana. História Mexicana Contemporânea, 1910-1989”. São Paulo, Edusp, 2000. p. 62.
[5] Música: La cucaracha. Folha avulsa entregue aos alunos no dia 11 de novembro de 2003. Universidade Federal Fluminense.

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