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Parecer Técnico de Projeto de Tese A formação ética dos professores do Ensino Fundamental da Escola Bahia - Novas possibilidades de inclusão, Rodrigo Magalhães, 2015



Parecer Técnico – Projeto de Tese

MAGALHÃES, Rodrigo. A formação ética dos professores do Ensino Fundamental da Escola Bahia – Novas possibilidades de Inclusão. Projeto de Tese, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2015.


1.         Analisar o título.
O título de Rodrigo Magalhães (2015) apresenta um trabalho que parece ter o perfil de estudo de caso atual. Entretanto, acreditamos que deveria ser apontado uma periodização. Outra questão envolvendo o título é que no decorrer da apresentação, notamos que a escola a ser analisada é uma escola da Rede Municipal do Rio de Janeiro, localizada no complexo da Maré, suas informações que acreditamos serem interessantes também serem apontadas ali.
Outro problema que acreditamos identificar no título é a questão da “inclusão”, que não aparece na apresentação do trabalho, nos parágrafos seguintes. Neste caso, acreditamos que as partes “A formação ética dos professores do Ensino Fundamental da Escola Bahia” E “Novas possibilidades de Inclusão” (MAGALHÃES, 2015) mostram-se desconectadas umas das outras e da apresentação.


2.         Identificar o tema, o problema, questões e objetivos do estudo, verificando clareza.
Quanto ao tema, não conseguimos identificar com clareza o foco na análise da ética dos professores ou em questões envolvendo o tema de inclusão. Ao escrever sobre ética, Magalhães (2015) comenta sobre tomar por base a ética universalista, mas não cita especificamente qualquer autor de filosofia no qual pretende se basear.

3.         Identificar a justificativa e analisar se contempla os critérios de qualidade discutidos em aula.
Seguindo sob os mesmos aspectos citados anteriormente, Kappel (2015) na justificativa novamente cita com mais força os intelectuais mineiros:

Há algum tempo, percebe-se o interesse da historiografia da educação brasileira por sujeitos que pensaram a educação e/ou que fizeram dela parte de um projeto político e educacional. Também se levantam questões sobre a atuação dos intelectuais e, até mesmo, o silêncio dos mesmos diante das transformações do espaço público e da participação político-educacional nas últimas décadas, como verificado nos trabalhos de Novaes (2006), Chauí (2006), Wolff (2006), entre outros (KAPPEL, 2015, p. 7).

Ademais, Kappel poderia apontar neste item, termos que indicassem melhor a importância de sua obra como, por exemplo, “Justifica-se por”, “Há uma lacuna na história da Educação”, “justifica-se pela importância para o campo da história da educação...”.
A autora também poderia justifica o seu trabalho descrevendo os efeitos da sua publicação na região onde foi fundada academia mineira de letras, seja para os intelectuais seja para a comunidade.


4.         Identificar o referencial teórico e categorias
O referencial teórico descrito por Marília Kappel (2015) para definitivamente pela História Cultural, uma vez que é importante para o seu trabalho o estudo dos intelectuais.

A produção intelectual da França, sobretudo após a criação da Revista dos Annales, é produto de um pequeno grupo denominado a “Escola dos Annales”. Esse grupo é o responsável pela maioria da produção historiográfica da chamada “Nova História”. Com a difusão dessa nova perspectiva histórica, a História dos Intelectuais sofre um profundo abalo, pois as críticas à História tradicional acabaram desvalorizando as bases de sustentação da História Intelectual, deixando o intelectual no “ângulo morto da pesquisa (KAPPEL, 2015, p. 7).

Quanto as categorias, parece bem evidente que Kappel estudará a trajetória dos intelectuais que fundaram a academia mineira de letras. Assim, trajetória, embora não esteja descrito, parece uma categoria. Outra categoria, base de seu estudo, será “intelectuais”.


5.         Identificar a metodologia (tipo de estudo, campo empírico, sujeitos, técnicas de coleta de dados), verificando se há triangulação e se há clareza e coerência com o problema.
No presente projeto a metodologia ainda está em desenvolvimento.
Quanto ao campo empírico, a autora deverá ainda descrever como realizará as pesquisas em Minas Gerais, sendo estudante do curso de doutorado no Rio de Janeiro. Além disso, torna-se necessário uma melhor explanação sobre como será feita a triangulação das fontes uma vez que como aponta a própria autora, o uso de jornais requer cuidados.

Capelato (1988) afirma que até a metade do século XX, os historiadores brasileiros assumiam duas posturas distintas em relação ao documento-jornal, uma de desprezo por considerá-lo fonte suspeita, outra de enaltecimento encarando-o como o repositório da verdade. As duas posturas são contestáveis, se considerar que o jornal não é um transmissor imparcial e neutro dos fatos e tampouco uma fonte desprezível.




6. Apreciação geral.
A escrita de Kappel (2015) é acadêmica, seguindo o modelo proposto por ECO (1985), que é escrever com clareza, pensando em para quem estamos nos dirigindo.



Bibliografia:

ALVES, Rubem. Conversas com quem gosta de ensinar. Papirus Editora, 2004.

ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith & GEWANDSZNAJDER, Fernando. O método nas ciências naturais e sociais: Pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo, Editora Pioneira, 1998.

CANEN, A. Metodologia da pesquisa: abordagem quantitativa, Coleção Veredas, módulo 4, V. 1, p. 215-240. Belo Horizonte, Secretaria de Estado da Educação Minas Gerais, 2003.

CANEN, A. A pesquisa multicultural como eixo na formação docente: potenciais para a discussão da diversidade e das diferenças. Aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v. 16, n. 59, p. 297-308, abr./jun. 2008.

ECO, Umberto. Como se faz uma tese. S.P.: Perspectiva, 1985.

SANTOS, A. R. Metodologia científica: a construção do conhecimento. 3ª Ed. Rio de Janeiro: D&A, 2000.





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