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Resenha de As regras do método sociológico, de Émile Durkheim, 2012

DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. Edipro. São Paulo, 2012.
“As regras do método sociológico” surge como uma resposta à necessidade de entender melhor a sociedade que eclodiu da revolução industrial que se disseminou pela Europa dos séculos XVIII e XIX. O sentimento de que a tecnologia e a ciência poderiam oferecer todas as respostas, duas novas classes que reorganizaram a vida em sociedade, e, as relações de trabalho, quase sempre conflituosas entre tais classes, eram algumas das grandes novidades. Tudo aparecia confuso diante dos cientistas da época. Contudo, o método unificado de Durkheim pretendia entender de uma forma circunspecta aquilo que as outras ciências mostravam não dar conta, aquilo que era o novo, o fato social de que o mundo não era mais o mesmo.
O prefácio à segunda edição traz uma perspectiva inicial de entendimento do método sociológico que é da separação da filosofia e das ciências. Uma diferenciação para demonstrar a necessidade e a autenticidade da sociologia. Quanto a filosofia, contrário a uma proposta ontológica, a sociologia emprega seu estado de espírito empírico, como a dos químicos, físicos e psicólogos. Aliás, quanto a biologia ou a psicologia, as discussões sobre se os fenômenos sociais se mantém dentro ou fora do corpo rateiam até o entendimento de que a mentalidade dos indivíduos não é a mesma mentalidade dos grupos sociais que os próprios indivíduos frequentam. O indivíduo está suscetível a uma coerção exterior, grita a nova conclusão. Uma coerção externa que o faz pensar como coletivo. E é assim que Durkheim começa a delimitar o campo de estudo da sociologia.
No primeiro capítulo de sua obra, Émile Durkheim desenvolve o conceito de fato social através de exemplos.
Em se tratando de máximas puramente morais, a consciência pública reprime todo ato que as ofenda através da vigilância que exerce sobre a conduta dos cidadãos e das penas especiais que se dispõe. [...] Eis portanto uma ordem de fatos que apresentam características muito especiais: consistem em maneiras de agir, pensar e de sentir, exteriores ao indivíduo que são dotadas de um poder de coerção em virtude do qual esses fatos se impõe a ele (DURKHEIM, 2012).

No que pesa a construção de tais fatos sociais, a educação é o ponto dileto para demonstração do autor da capacidade da escola de construção coercitiva de um pensamento coletivo. A coisa a ser estudada, portanto, é oriunda de uma vontade individual por imposição, tornando-se um fenômeno ou um fato social quando se torna geral, de todos, permeando as ações e pensamentos da maior parte dos membros daquele grupo.


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