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Resenha A crise de paradigmas na sociologia, de Otávio Ianni, 1990

IANNI, Otávio. A crise de paradigmas na sociologia.

Otávio Ianni aponta para revisitação dos clássicos. Seu trabalho é um verdadeiro inventário dos autores, dos modelos e das teorias propostas dentro da área da sociologia. A partir daí, ele entra em um processo de diferenciação entre os autores clássicos, quanto a sua visão mais macro, mais abrangente, do fato social e a visão dos novos autores, com uma perspectiva mais preocupada com o indivíduo ou o grupo social que anteriormente não era contemplado.
Ianni então começa a estudar o que foi chamado de obsolescência das teorias antigas. Tal proposta leva em consideração a perspectiva de que tais teorias não dão conta da necessidade de estudar a pluralidade de uma nova sociedade e de suas produções culturais. Para o autor, as teorias clássicas — notadamente a teoria marxista e a evolucionista — concentram-se nos fatores econômicos, por conta da época em que os autores viveram e produziram. O problema é que o efeito dessa grande ‘evolução’ econômica gerou uma mudança não apenas na estrutura social que antes ainda se pautava sobre o modelo do antigo regime, mas também uma pluralidade de produção cultural que não tinha espaço de pesquisa nas primeiras teorias sociais.
O novo sentimento de pertencimento não cabe mais as famílias. A noção de nação sofreu uma distensão suficiente para abarcar um grupo maior que agora se identifica com o Estado-Nação. A integração social do novo modelo costura agora as diferenças étnicas e as diferenças culturais sob a construção de novas tradições ou através do que o historiador inglês Eric Hobsbawm chamou de Invenção das Tradições.
Para Otávio Ianni, apenas as novas teorias conseguem dar conta dessas mudanças. As novas produções culturais só poderiam ser acompanhadas por uma nova razão científica.  A ciência do século XX deu autonomia ao indivíduo, pois passou a estudar os grandes grupos ficou mais difícil depois da grande pulverização de pensamentos.

Contudo, Ianni não abandona os clássicos, mas pelo contrário, ele reafirma que há necessidade de retomá-los para entender como se principiam tais transformações na sociedade. Por mais que as transformações exijam o uso das novas teorias ou o aprofundamento de seus estudos também exijam a volta aos antigos teóricos, a ideia de sociologia como autoconsciência científica da realidade social, deve manter os estudiosos atentos a emergência de novas teorias, mas ainda com os pés nos clássicos do século XIX.

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