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Resenha de A identidade das pesquisas qualitativas: construção de um quadro analítico, 2001

BRITO, Angela Xavier de. & LEONARDOS, Ana Cristina. A identidade das pesquisas qualitativas: construção de um quadro analítico...

Angela Xavier Brito e Ana Cristina Leonardos propõe em seu artigo a análise das práticas de pesquisa qualitativa. Seus trabalhos de problematização deste assunto, levam em consideração que tentar impor as suas próprias verdades sobre um tema que ainda está em maturação, seria como se fosse imposto um novo paradigma. Por isso, elas apontam que ainda é cedo para formular um novo modelo de análise da realidade a ser seguido pelo meio científico.
Para as autoras, a busca de quebra das dos paradigmas científicos pode levar as buscas teóricas a ter um viés de relativismo absoluto, isto é, de negação da possibilidade de determinação, de negação da postulação de uma verdade ou de negação de um caminho a ser seguido. A ciência, neste ponto, perde seus paradigmas e em nossa perspectiva, como perder os contornos de um conhecimento racional para tornar-se excessivamente parecido com um conhecimento revelado, baseado na fé.
Dentro do que avaliamos, o texto preocupa-se pouco e até subestima o conhecimento revelado, o conhecimento dado, normalmente ligado as fontes religiosas. Como resultado, tivemos um rigor cientificista positivista que se envergou de forma diametralmente oposta ao saber-revelado da fé, apostando na quantificação e qualificação da realidade racional.
Além disso, há de se lembrar que foi justamente neste momento em que a ciência se arvorou veementemente a única fonte do saber Verdadeiro, tornando-se nos dias de hoje o que ela mais criticava: uma fé cheia de paradigmas e, por vezes, com as dogmáticas opiniões dos autores consagrados de cada uma de suas áreas de atuação.
A teoria da envergadura da vara, de Lenin, parece nos ajudar a entender esse radicalismo para ambos os lados: seja na antiguidade, com o surgimento das ciências, oriundas da filosofia, que surgia com a força de poder contradizer empiricamente as Verdades absolutas dos sacerdotes;  ou seja no renascimento, quando as novas ciências brotaram da necessidade das transformações sociais que culminaram nos séculos XVIII e XIX.
Brito e Leonardos ainda colocam como proposta que
(...) ao invés de negar a sua objetividade, o pesquisador deve procurar ter consciência dela durante o processo de pesquisa, analisando-a como mais um dado desse processo (...) (BRITO, Angela Xavier de. & LEONARDOS, p.19, 2001)


Não obstante, apesar dos relativos que ganham força, as autoras defendem algum grau de subjetividade, sem, contudo, que tal impregnação possa deturpar a visão da realidade a volta do pesquisador. A compreensão do mundo dos cientistas deve mostra-se sem prejuízo da retratação da realidade, entendemos com a proposta delas. Por fim, para nós, controlar a subjetividade para o fazer da ciência, aparece como proposta para uma nova ciência.

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