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Resenha de Raça e História - Claude Lévi-Strauss

Rio de janeiro, 24 de junho de 2002.

Fábio Souza C. Lima
fichamento
Raça e História, Autor: Claude Lévi-Strauss
"A diversidade da raças e o questionamento sobre o maior desenvolvimento de uma sobre a outra."
pp. 328-330 Cap. 1 Raça e Cultura A humanidade não se desenvolve sob o regime de uma monotonia uniforme, mas através de modos extraordinariamente diversificados de sociedades e civilizações; esta diversidade intelectual, estética e sociológica não está unida por nenhuma relação de caso e efeito à que existe, no plano biológico, entre certos aspectos observáveis dos agrupamentos humanos: ela lhe é apenas paralela em outro terreno. Mas ao mesmo tempo distingue-se desta por dois caracteres importantes. Primeiro: Há muito mais culturas humanas do que raças humanas. 
" O que faz com que uma sociedade se defina, é exatament a sua comparação com uma outra"
pp. 330-333 Cap. 2 Disversidade das culturas Jamais as sociedades humanas estão sós; quando parecem mais separadas aindao é sob forma de grupos ou feixes. Muitos costumes nasceram, não de alguma necessidade interna ou acidente favorável, mas apenas da vontade de não permanecer atrasado em relação ao grupo vizinho, que submetia a normas presisas um domínio de pensamento ou atividade,  cujas regras ainda não se havia pensado em editar. Por conseguinte, a diversidade das culturas humanas não nos deve a uma observação fragmentadora ou fragmentada. Ela é menos função do isolamento dos grupos que das relações que os unem.
" A discriminação do desconhecido -intrínseca ao homem- e a caracterização evolucionista da sociedade humana "
pp. 333-337 Cap. 3 O Etnocentrismo A atitude mais antiga, e que se baseia indiscutivelmente em fundamentos psicológicos sólidos, consiste em repudiar pura e simplesmente as formas de culturas: morais, religiosas, sociais e estéticas, que são as mais afastadas daquelas com as quais nos identificamos. "Habitos selvagens", "Na minha terra é diferente", "Não se deveria permitir isso" etc. Preferimos lançar fora da cultura, na natureza, tudo o que não se conforma à norma sob a qual se vive. Ao se tratar os diferentes estágio de evolução das sociedades humanas, tanto antigas quanto longínguas, como estágio ou etapas de um desenvolvimento único que, partindo do mesmo ponto, deve fazê-los convergir para mesma meta, vê-se bem que a diversidade é apenas aparente. A humanidade se torna única e idêntica a si mesma; só que essa unidade e identidade se podem realizar progressivamente, e a variedade das culturas ilustra os momentos de um progressso que dissimula uma realidade mais profunda ou atrasa sua manifestação.
" A divisão da sociedades em categorias, a comparação das civilizações e a cumulação de invenções através dos tempos "
pp. 337-341 Cap. 4 Culturas arcaicas e culturas primitivas É sugerido pelo autor, que cada sociedade pode, segundo seu ponto de vista próprio, repartir as culturas em três categorias: as que são suas contemporâneas, mas situadas em outra parte do globo; as que manifestaram aproximadamente no mesmo espaço, mas que a precederam no tempo; enfim, as que existiram simultâneamente num tempo anterior ao seu e num espaço diferente daquele onde se situa. O autor cita a impossibilidade de comparar as civilizações antigas desaparecidas com as contemporâneas, pois os aspectos conhecidos desta última, são muio poucos devido a escassez de achados arqueológicos. Poder-se-ia, sem dúvida, dizer que as sociedades humanas utilizaram desigualmente um tempo passado que, para algumas, teria sido, mesmo, tempo perdido; que umas apertavam o passo, enquanto outras gazeteavam pelo caminho. Chegar-se-ia, assim, adistinguir entre duas espécies de história: uma progressiva aquisitiva, que acumula os achados e invenções para construir grandes civilizações, e uma outra história, talvez igualmente ativa e utilizando não menor talento, mas à qual faltaria o dom sintético, que é privilégio da primeira.
Cada inovação, ao invés de vir juntar-se às inovações anteriores, orientadas no mesmo sentido, se dissolveria numa espécie de fluxo ondulante, que não chegaria nunca a se afastar duravelmente da direção primitiva.
" A coexistência das tecnologias; o progreso como saltos e não, como era idealizado; uma escada "
pp. 341-344 Cap. 5   A idéia do progresso Para um melhor análise, devemos considerar inicialmente as culturas pertencentes ao segundo grupo que destinguimos: as que precederam historicamente a cultura –qualquer que seja- sob cujo ponto de vista nos colocamos. É preciso ressaltar a coexistência das culturas, como por exemplo as indústria de “laminulas”, de “lascas” e de “lâminas”. O progresso (se é que que este termo ainda convém para designar uma realidade bem diferente a qual se dedicaram inicialmente) não é nem necessário, nem contínuo; procede por vário saltos, pulos, ou, como diriam os biólogos, por mutações. Esses saltos e pulos não consistem em ir sempre além na mesma direção; acompanham-se de mudanças de orientação, um pouco à moda do cavalo do xadrez, que tem sempre diversas progressos à sua disposição, mas nunca no mesmo sentido. A humanidade em progresso em nada se parece com um personagem subindo um escada, acrescentando por cada um de seus movimentos um novo degrau a todos os outros que já tivesse conquistado.
" Interpretar tal sociedade como estacionária ou cumulativa? Tudo depende da ótica e educação que temos "
pp. 344-349 Cap. 6 História estacionária e História cumulativa A interpretação de qual cultura é estacionária ou cumulativa, depende muito dos olhos com que a vemos, da educação que tivemos, e mais, da proximidade com a nossa cultura.  As culturas parecem tanto mais ativas quanto mais se deslocam no sentido da nossa, estacionárias quando sua orientação diverge. Cada vez que somos levados a qualificar uma cultura humana de inerte ou estacionária, devemos portanto, nos perguntar se este imobilismo aparente não resulta da ignorância que temos de seus interesses verdadeiros, conscientes ou inconscientes , e se, tendo critérios diferentes dos nossos, esta cultura naõ é, a nosso respeito, vítima da mesma ilusão. Ou seja, apareceríamos um ao lado do outro como desprovidos de interesse, muito simplesmente porque não nos parecemos. 
" A civilização ocidental e p seu lugar na história "
pp. 349-352 Cap. 7 Lugar da civilização ocidental O consentimento da maioria –da própria civilização ocidental-, atesta a superioridade da civilização ocidental sobre a oriental, seja ela caracterizada pela industrialização, cultura ou tecnologia. É verdade que certos espíritos  têm uma desagradável tendência para reservar o privilégio do esforço, da inteligência e da imaginação às descobertas recentes, ao passo que as que foram realizadas pela humanidade no seu período “bárbaro” seriam obra do acaso, - havendo aí, em suma, apenas um pequeno mérito. Esta aberração nos parece tão grave e divulgada, e se presta tão profundamente a impedir um visão exata da relação entre as culturas, que o autor acredita ser indispensável dissipá-la completamente.
" O progresso alienado a maior cumulação de conhecimento. Toda história é cumulativa, com diferenças de grau "
pp. 352-358 Cap. 8  Acaso e civilização Lê-se nos tratados de Etnologia, que o homem deve o conhecimento do fogo ao acaso do raio ou um incêndio na mata; que o achado de uma caça acidentalmente assada nestas condições lhe revelou a cocção dos alimentos. Esta visão ingênua é resultado de uma total ignorância da complexidade e da diversidade das operações implicadas nas técnicas mais elementares. Do mesmo modo, os incêndios naturais podem as vezes tostar ou assar; mas é dificilmente concebível que façam ferver ou cozinhar no vapor. Ora, estes métodos de cocção não são menos universais que os outros. Portanto, não há razão de excluir o ato inventivo, que foi certamente requerido para esses últimos métodos, quando se quer explicar o primeiro. Cada etapa da invenção, tomada isoladamente, nada significa, e o que permite seu sucesso é sua combinação imaginada, desejada, pesquisada e experimentada. Deve-se destinguir a transmissão de uma técnica de uma geração à outra, sempre com uma facilidade relativa graças à observação e ao exercício quotidiano, e a criação e a melhoria das técnicas no interior de cada geração. 
Esta supõem sempre a mesma potência imaginativa e os mesmos esforços encarniçados por parte de certos indivíduos. Não é menos verdadeiro –e cremos ser a formulação definitiva que podemos dar ao nosso problema(diz o autor)- que, sob a relação de invenções técnicas (e da reflexão científica que as torna possíveis), a civilização ocidental se mostrou mais cumulativa que as outras: que após Ter disposto do mesmo capital neolítico inicial, soube acrescentar-lhe melhorias. Por conseguinte, dias vezes em sua história e com um intervalo de aproximadamente dez mil anos, soube a humanidade acumular uma multiplicidade de invenções orientadas no mesmo sentido. Portanto, a diferença é entre história cumulativa e não cumulativa; toda história é cumulativa, com diferenças de grau. Também quando estamos interessados num certo tipo de progresso, reservamos-lhe o mérito para as culturas eu o realizam em seu mais alto grau, e ficamos indiferentes diante das outras. Assim, o progresso só é máximo de progresso num sentido pré-determinado pelo gosto de cada um.
" O intercâmbio das culturas e a colaboração de cada uma delas para o progresso"
pp. 358-363 Cap. 9    A colaboração das culturas Como fora possível a humanidade ter permanecido estacionária durante nove décimos da sua história? Uma civilização da cumulação de conhecimentos e mesmo de suas outras tentativas, não mantinham contato umas com as outras, não perpetuando o conhecimento. Há culturas que chegaram a realizar as formas mais cumulativas de história. Essas formas extremas, jamais foram obra de culturas isoladas, mas sim culturas de combinação voluntária ou involuntária, através de meios variados domo as migrações, os empréstimos, as trocas comerciais e as guerras. A sociedade cumulativa resulta resulta de suas conduta mais que de sua natureza, exprime um certa modalidade de existência das culturas que é apenas sua maneira de ser conjunta. Nesse sentido, pode-se dizer que a história cumulativa é a forma de história cumulativa característica desses super-organismos sociais que constituem os grupos de sociedades, ao passo que a história estacionária –se é que ela existe verdadeiramente- seria a marca desse gênero de vida inferior, que é o das sociedades solitárias. 
O autor considera a noção de civilização mundial como uma espécie de conceito limite. Não há, não pode haver uma civilização mundial no sentido absoluto que geralmente se atribui a esse termo, porque a civilização implica a coexistência de culturas oferecendo entre si o máximo de diversidade, e consiste mesmo nesta coexistência. A civilização mundial só poderia ser coligação, em escala mundial, de culturas, preservando cada qual a sua originalidade.
" As melhorias, as dificuldades e as mazelas advindas das revoluções que deram ao homem as maiores evoluções culturais "
pp. 363-366 Cap. 10   O duplo sentido do progresso As grandes revoluções como a neolítica e a industrial, se acompanham não apenas da diversificação social, como muito também da instauração de status diferenciais entre os grupos. O surgimento do proletário e ligado a ele, as mais extremadas formas de exploração do homem através do trabalho, o surgimento de castas sociais na Índia, etc. Outro fator é o “alargamento faz coligações” das maiores potências, através de novas parcerias, seja de bom grado ou à força. O auto cita a expansão colonial imperialista européia sobre os países afro-asiáticos, no século XIX. De qualquer modo, é difícil imaginar, senão sobre forma contraditória, um processo que se pode resumir assim: para progredir, é preciso que os homens colaborem; e, no decorrer dessa colaboração, eles vêem identificar-se gradualmente as contribuições, cuja a diferença inicial era precisamente o que tornava sua colaboração fecunda e necessária. A humanidade está constantemente às voltas com dois processos contraditórios, dos quais um tende a instaurar a unificação, ao passo que outro visa a manter ou restabelecer a diversificação.

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