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Resumo do texto Ideologia Alemã, de Karl Marx, 1987


Resumo do texto Ideologia Alemã



INTRODUÇÃO
Com a leitura do texto, percebemos ser possível e interessante dividi-lo em três partes. Na primeira parte, buscamos trazer algumas citações que são mais elucidativas para o entendimento de Ideologia Alemã. Tais citações serão acompanhadas de comentários pertinentes ao seu entendimento, sempre auxiliadas pelo conteúdo das aulas ministradas pelo professor Jardim. Na segunda parte, trouxemos citações que buscam definir o conceito de Ideologia. Trouxemos também para trabalhar com este conceito, a partir das indicações do professor, o conteúdo do livro O que é ideologia? de Marilena Chauí e de Adorno, em Temas básicos de sociologia e Indústria Cultural.
Com o desenvolvimento de nosso trabalho, na terceira parte, traremos uma conclusão baseada em nosso entendimento do livro de Marx e Engels.



1ª PARTE – ALGUNS PONTOS INTERESSANTES

1ª citação:
(...) e seus limites são produtos se sua consciência, os jovens hegelianos, [...] propõem aos homens este postulado moral: trocar sua consciência atual pela consciência humana, crítica ou egoísta, removendo com isso seus limites[1].

Marx e Engels, propõem a mudança do postulado moral utilizado, que então permitia considerações contemplativas e irreais. Essa mudança se daria em nome da consciência empírica, materialista.

2ª citação:
(...) a “história da humanidade” deve sempre ser estudada e elaborada em conexão com a história da indústria e das trocas[2].

Segundo Marx e Engels, a relação de cooperação entre os homens, visa a produção. Portanto, o desenvolvimento de tal produção, a própria produção industrial, ressalta a fase social em que esses indivíduos vivem.



2ª PARTE - O QUE É IDEOLOGIA?

“(...) o mundo real é o produto do mundo ideal[3]

Marx e Engels criticam Feuerbach em suas proposições que por vezes abordam não apenas o real, mas também todo o possível, separando assim, segundo os autores, a história do materialismo.
Enquanto os idealistas (neo-hegelianos) atestam que a consciência produz o materialismo, os autores de ideologia alemã, caminham em sentido contrário, elucidando que é o materialismo que produz as condições de surgimento da consciência. O atual estado de mazela da sociedade em geral, por exemplo, faz com que a classe dominante, detentores dos criadores de idéias, dos pensadores, criem falsas ideologias, tentando camuflar os problemas residentes na sociedade. Inseri-se nesse conceito, tanto quanto a produção de consciência, a religião e as ideologias admitida e até sustentada pelos neo-hegelianos. A sociedade se tornou condicionada devido a uma falsa consciência criada pela classe dominante. A burguesia expõe como interesse de toda sociedade os seus próprios interesses, tornando ideologicamente sedutoras as preposições que a sustentam.

Essa adaptação se realiza mediante a pontos da indústria cultural, como o cinema, as revistas, os jornais ilustrados, rádio, televisão, literatura dos best-seller dos mais variados tipos, dentro do qual desempenham um papel especial as biografias romanceadas. É por demais evidente de que os elementos de que se compõe essa ideologia intrinsecamente uniforme não são novos, freqüentemente ao invés das técnicas usadas para sua difusão; e muitas vezes encontram-se até imobilizados e petrificados[4].

Marilena Chauí, em O que é Ideologia? Aponta que a ideologia é, pois, um instrumento de dominação de classe e, como tal, sua origem é a existência da divisão da sociedade em classes contrárias em luta. Segundo a filósofa, a ideologia é produzida em três momentos fundamentais:
a) ela se inicia como um conjunto sistemático de idéias que os pensadores de uma classe em ascensão. Nesse momento a ideologia se encarrega de produzir uma universalidade com base real para legitimar a luta da nova classe pelo poder;
b) ela prossegue tornando-se o que Gramsci denomina de senso comum, isto é, ela se populariza, tornando-se um conjunto de idéias e de valores concatenados e coerentes, aceitos por todos os que são contrários à dominação existente e que imaginam uma nova sociedade que realize essas idéias e valores;
c) mesmo após a vitória da classe que ascende ao Poder, a ideologia continua interiorizada como senso comum e continua a nortear a nova Ordenação Social.

A ideologia é uma ilusão, necessária a dominação de classe. Por ilusão não devemos entender ficção, fantasia, invenção gratuita e arbitrária, erro, falsidade, pois com isto suporíamos que há ideologias falsas ou erradas e outras que seriam verdadeiras e corretas. Por ilusão devemos entender: abstração e inversão. Inversão ou abstração do real para uma ilusão diferente, tal como deseja a classe dominante.
A ideologia consiste precisamente na transformação das idéias da classe dominante em idéias dominantes para a sociedade como um todo, de modo que a classe que domina no plano material (econômico, social e político) também domina no plano espiritual (das idéias).
Isto significa que:
1.                  Embora a sociedade esteja dividida em classes, a dominação de uma classe sobre a outra, faz com que só as idéias da primeira sejam consideradas válidas, verdadeiras e racionais;
2.                  Para que isto ocorra, é preciso que os membros da sociedade não se percebam divididos em classes;
3.                  Para que todos os membros se identifiquem com essas características supostamente comuns a todos, é preciso que a classe dominante faça com que todas as classes acreditem que podem viver com os mesmos ideais. A difusão desses ideais, dá-se através do domínio do Estado, que por suas vez, influencia as pessoas através das escolas,  dos costumes, das religiões e dos meios de comunicação disponíveis.
Quando a ideologia é descoberta pelos dominados, como violenta, não mais parecendo como o único meio de vida em sociedade, temos uma crise de hegemonia da ideologia dominante. Daí então, a população começa a criticar os atuais valores e idéias, podendo aderir a uma nova ideologia, tal como foi o caso da Revolução Francesa, como citamos.



3ª PARTE - CONCLUSÃO

A abordagem dos autores caracteriza-se pela crítica que faz ao mundo do pensamento, que levaria os filósofos a quem critica ao mundo do irreal. A abordagem visa o empirismo, a utilização de pressupostos comprováveis pela ciência real, positiva, prática. O livro busca estabelecer uma conexão entre a estrutura social e política com a produção, sem qualquer especulação ou mistificação. Neste ponto, para Marx e Engels, o elemento estrutural é o modo de produção e a dinâmica, e, é principalmente, a luta de classes. Assim, eximi-se de qualquer interpretação religiosa, que tiraria o leitor do real, levando para um mundo de idéias, conceitos com princípios, determinantes, que os autores em questão tanto abominam. A religião é tratada permanentemente como inimiga mortal, como a causa última de todas as relações repugnantes a estes filósofos[5]. (...) a “história da humanidade” deve sempre ser estudada e elaborada em conexão com a história da indústria e das trocas[6].
Marx e Engels dissertam ainda, que a pesquisa deve partir de fundamentos naturais (materiais) e de sua modificação no curso da história pela ação dos homens. Nesse ponto podemos citar as relações do homem com outros homens findando a produção. A cooperação, a produção industrial, e o seu aperfeiçoamento, em razão do crescimento da produtividade, do aumento das necessidades e do aumento da população, fomentando o aumento da divisão do trabalho, compreenderia em uma escala evolutiva, a localização desse homem no tempo.

(...) não é a crítica, mas a revolução a força motriz da história[7].



BIBLIOGRAFIA:

ADORNO, T. Indústria Cultural e Sociedade. Ed. Paz e Terra: São Paulo, 2006.
ADORNO, T.W. e HORKHEIMER, M. Temas básicos da sociologia. Ed. Cultrix: São Paulo, 1973.
CHAUÍ. M. de S. O que é Ideologia. Editora Brasiliense: São Paulo, 1980.
MARX, K. e ENGELS. F.Ideologia alemã. Editora Hucitec: São Paulo, 1987.



[1] MARX, K.E ENGELS, F. Ideologia alemã. Editora Hucitec, São Paulo,1987.
[2] MARX, K.E ENGELS, F. Ideologia alemã. Editora Hucitec, São Paulo,1987. p.42.
[3] MARX, K.E ENGELS, F. Ideologia alemã. Editora Hucitec, São Paulo,1987. p.18.
[4] ADORNO, T.W. e HORKHEIMER, M. Temas básicos da sociologia. Ed. Cultrix: São Paulo, 1973. pp. 200-201.
[5] MARX, K.E ENGELS, F. Ideologia alemã. Editora Hucitec, São Paulo,1987. p.24.
[6] MARX, K.E ENGELS, F. Ideologia alemã. Editora Hucitec, São Paulo,1987. p.42.
[7] MARX, K.E ENGELS, F. Ideologia alemã. Editora Hucitec, São Paulo,1987. p.58.

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