****************** Um blog dedicado ao meus alunos da Rede Pública e Privada de Ensino. ******************

Sobre as Teorias do valor: Adam Smith e Karl Marx, aspectos econômicos e filosóficos.

Sobre as Teorias do valor: Adam Smith e Karl Marx, aspectos econômicos e filosóficos.

Introdução

            A teoria do valor-trabalho relega todo o processo de produção à uma série de esforços humanos. Parte-se do princípio de que os seres humanos só conseguem sobreviver transformando os ambientes naturais em algo lhes seja conveniente. Neste breve trabalho, abordarei as concepções de teoria do valor no que diz respeito a obra de Adam Smith, Karl Marx e autores neoclássicos.

A Teoria de valor em Adam Smith

            Adam Smith diz que qualquer mercadoria para Ter valor, deve ser fruto do trabalho humano. Daí então, Smith coloca o trabalho como primeiro preço, o capital inicial gasto para a produção da mercadoria.
            Mas o trabalho não é o único fator que conclui o valor; ele está composto de três pontos: o salário, os lucros e os aluguéis. O preço é a simples soma desses três pontos –Teoria da soma.
            Em Adam Smith temos ainda o preço de mercado e o preço natural: O preço de mercado é o verdadeiro preço da mercadoria e é determinado pelas forças da oferta e da procura. O preço de mercado elabora-se do confronto entre a Procura e a Oferta de Curto Prazo. Enquanto isso, o preço natural é o preço ao qual a receita da venda é apenas suficiente para dar algum lucro, é o preço de equilíbrio determinado pelos custos de produção, mas estabelecido no mercado pelas forças da oferta e da procura. Preço Natural acaba por refletir o conteúdo em termos de remunerações, sem influência da procura. Assim, o preço natural acaba por ser um preço sem referência.
            Outro ponto interessante da teoria de Adam Smith, é que o trabalho, na formação da riqueza, ocupa papel fundamental. Ou seja, o valor do salário deveria ser igual ao valor da troca, contudo isso não é verificado. O preço, além de conter o salário, contém também o lucro do capital e a renda, como pode ser visualizado nesta equação:

Preço = Salário + Rendas + lucro do Capital

            Sobre a teoria de preços de Adam Smith destacam-se ainda dois problemas de análise a serem ressaltados: o primeiro deles diz respeito aos três pontos supracitados que perfazem o conceito de Preço. Os salários, lucros e aluguéis, são eles mesmos, preços ou derivam de preços. Ora, como sua teoria de explicação de preços pode se sustentar sobre outros preços, já estabelecidos? O segundo problema a destacar, é que a teoria de Smith leva em consideração apenas o nível geral de preços ou o poder aquisitivo da moeda, não relativizando os preços diferentes das mercadorias. Adam Smith, tendo como principal medida de valor a quantidade de trabalho, não leva em consideração as diferentes valorizações de cada produto em uma troca.



A Teoria do Valor em Marx

            A principal característica da teoria do valor em Marx é a distinção que ele faz no que diz respeito ao valor de uso e valor de troca. Segundo Marx, o valor de uso representa a utilidade que o bem proporciona à pessoa que o possui. E o valor de troca exige um valor de uso, mas não depende dele.
            Karl Marx acredita que o valor de troca depende da quantidade de trabalho empregada. A teoria da exploração do trabalhador, contida na relação com a quantidade que o trabalhador gasta em média na sociedade –e isso varia de sociedade para sociedade.
            Depreende-se da teoria da exploração do trabalhador a teoria da mais valia, onde o trabalho dá valor as mercadorias. Marx também acreditava os equipamentos não davam valor, apenas transmitiam uma parte de seu valor às mercadorias. Assim, os equipamentos não contribuem para a formação do Valor, pelo contrário, é o homem quem faz com que as matérias primas e os equipamentos transmitam seu valor ao bem final. Marx escreveu ainda sobre o valor acrescentado, dando o exemplo das fiandeiras, onde elas pegavam no algodão e o transformavam por exemplo em camisolas. O valor acrescentado é aquele que só mesmo o Trabalho Humano poderia dar.



Autores neoclássicos



A tomada de consciência dos desequilíbrios ecológicos obrigou a teoria económica neoclássica a integrar nos seus modelos as externalidades negativas imputáveis ao desenvolvimento económico das sociedades modernas: a economia do ambiente tornou-se assim uma disciplina em plena extensão que tenta reintroduzir no cálculo económico tradicional os custos sociais engendrados pela degradação do ambiente. Internalizando pelo mercado as externalidades deste, graças a taxas ou a licenças para poluir negociáveis [8] a economia dominante pensa promover a “valorização” dos bens naturais, ou ainda determinar e ter em conta um pretenso valor económico intrínseco da natureza, até então, dizem-nos, ignorado.

Para mais, esta restrição não é susceptível de ser assumida: primeiro, explica Elmar Altvater (1991;1992), porque a exploração pelo capitalismo dos recursos naturais impõe uma velocidade de utilização superior à dos ciclos naturais; depois, de acordo com R. Passet (1996), porque implica reduzir o tempo biológico a um tempo económico por interposta taxa de actualização; e, finalmente, porque, como o demonstrou David Pearce (1974) [9] , ela só faz intervir uma penalidade monetária da poluição quando o limiar de auto-depuração dos ecossistemas é ultrapassado, baixando-o assim inexoravelmente

A impossibilidade de avaliar monetariamente os elementos naturais não produzidos, de outro modo que não seja através do cálculo do custo de produção da sua exploração económica ou do custo de produção da reparação dos danos que lhes são causados, explica-se em verdade porque a natureza não tem valor económico intrínseco, contrariamente ao que pretendem os economistas neoclássicos que fingem melindrar-se pelo facto de a economia política ter tradicionalmente desprezado o “valor” da natureza. Hoje vários teóricos ecologistas, nomeadamente Gunnar Skirbekk (1974), J. Martinez-Alier (1992-a), E. Altvater (1997), E. Leff (1999) e Jean-Marie Harribey (1997; 1999), inscrevendo-se no quadro da renovação do marxismo, demonstraram que esta asserção era um puro contra-senso. Se a luz do sol, o ar e a água puros, ou qualquer outro recurso, condicionam a vida, e se se partir da ideia de que estes elementos têm um valor económico intrínseco, então tal valor só poderia ser infinito. Ora, um valor económico ou um preço infinitos para bens ou serviços disponíveis são contra-sensos. Um tal erro lógico pode ser cometido porque a velha distinção aristotélica entre valor de uso e valor de troca é rejeitada pelos economistas neoclássicos que assimilam as duas noções, sem ver que o valor de uso é uma condição necessária do valor de troca mas que a recíproca não é verdadeira. Assumindo arbitrariamente como uma identidade valor de uso e valor de troca, então pode-se persuadir o cidadão de que o máximo de satisfação proporcionada pelo uso de bens e serviços passa e só pode passar pela maximização do valor de troca, ou seja, pela mercantilização do mundo.




Bibliografia:
MARX, K. (1977). Contribuição à crítica da economia política. São Paulo : Martins Fontes.

MARX, K. (1983-1985). O Capital; crítica da economia política. 3 v., 5 t. São Paulo : Abril Cultural.

MANDEL, E., A Formação do Pensamento Econômico de Karl Marx - De 1843 ate a Redação de O Capital. Rio de Janeiro, Zahar, 1980

SINGER, Paul. Curso de Introdução à Economia Política. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1989.

SMITH, Adam. A riqueza das nações. São Paulo: Abril Cultural, 1983.


DOBB, Maurice. Teorias do valor e distribuição desde Adam Smith. Editorial Presença e Livraria Martins Fontes, 1973.

Nenhum comentário:

Postar um comentário